Cotidiano

Com inflação pesando nos alimentos, campo-grandense precisa trabalhar dois dias a mais para garantir cesta básica

Em apenas dois anos, o preço do pacote de arroz dobrou e carne ficou ainda mais cara

Mylena Rocha Publicado em 01/05/2021, às 07h35

Trabalhador que ganha um salário mínimo precisa trabalhar 14 dias para garantir cesta básica.
Trabalhador que ganha um salário mínimo precisa trabalhar 14 dias para garantir cesta básica. - Arquivo/Midiamax

Com a crise econômica e a alta no preço dos alimentos durante a pandemia, manter uma rotina de alimentação saudável tem sido cada vez mais difícil para os sul-mato-grossenses. Em apenas dois anos, o preço de produtos básicos como arroz, óleo, carne e até o açúcar disparou. Atualmente, um trabalhador de Campo Grande que ganha um salário mínimo precisa em média 110 horas para conseguir comprar uma cesta básica. 

Considerando uma jornada de trabalho de 8 horas diárias, seriam necessários quase 14 dias para conseguir comprar uma cesta básica, conforme dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Em comparação com dois anos atrás, o campo-grandense precisa trabalhar dois dias a mais para comprar uma cesta básica. Conforme pesquisa referente ao mês de março, uma cesta custa em média R$ 552,99 na Capital. 

Preço do arroz dobrou em dois anos

Para analisar o quanto os alimentos ficaram mais caros nos últimos anos, a reportagem utilizou dados de pesquisas de preços feitas pelo Procon-MS em 2021 e 2019. Os preços levam em conta a marca mais acessível disponível no levantamento. Em apenas dois anos, o preço do arroz, um dos principais itens da mesa do brasileiro, dobrou. Um pacote de arroz de 5 kg da marca mais acessível, que custava em média R$ 11,24, passou para R$ 22,16.

Outro item essencial, o óleo de soja também sofreu com a inflação. Um frasco de óleo de 900 ml que custava em média R$ 3,94 em 2019, agora custa R$ 7,02 conforme pesquisa do Procon-MS. O leite longa vida também ficou mais caro, passando de R$ 2,92 para a média de R$ 3,77 em dois anos. O preço do açúcar também aumentou, passando de R$ 3,78 para R$ 5,25.

Entre os produtos que mantiveram um preço similar ou ficaram mais baratos, estão o feijão, macarrão e café. O feijão custava em média R$ 8,54 em 2019 e agora custa R$ 6,53. Já o macarrão variou de R$ 2,59 para R$ 2,48 em dois anos. Por fim, o café passou de R$ 7,30 para R$ 6,43, considerando o preço médio em 2019 e 2021. 

Carne também ficou mais cara

Manter uma porção de carne bovina no prato também ficou mais difícil durante a crise. Em cinco anos, o preço de diversos cortes da carne dobraram em Mato Grosso do Sul. Os dados levam em consideração levantamento feito em 2016 pelo Procon-MS e os preços praticados atualmente em uma determinada rede de supermercados.

Em cinco anos, o preço da alcatra praticamente dobrou, passando de R$ 24,90 para R$ 44,98. O coxão mole também ficou mais caro, de R$ 18,90 o kg para R$ 42,98. O preço do kg do patinho disparou de R$ 18,90 para R$ 42,98 em cinco anos, enquanto o acem passou de R$ 13,90 para R$ 27,98. Por fim, o músculo custava R$ 14,90 e atualmente custa R$ 18,90. 

Com a crise, como manter uma alimentação equilibrada? 

Com a alta nos preços do alimento, trabalhadores que recebem até um salário mínimo enfrentam dificuldades para manter uma alimentação equilibrada. A nutricionista Luciane Gonzalez explica que, com a crise, a carne bovina nem sempre está ao alcance de todos e a compra deixa de ser prioridade.

Apesar da mudança forçada pela crise e pela desigualdade, ainda há maneiras de manter uma alimentação nutritiva. A nutricionista recomenda a substituição da carne por outras fontes de proteína. “Existem opções que podemos fazer que são mais acessíveis quando temos menos recursos. A carne vermelha pode ser substituída por frango, ovos, peixes que podem ser enlatados como atum, sardinha, todas essas proteínas de alto valor biológico são mais baratas que a carne vermelha”.

Os produtos de origem vegetal também podem ser uma opção. A nutricionista explica que há vegetais como as leguminosas, que incluem ervilhas, soja, grãos e grão de bico, que possuem boas quantidades de proteína e podem ser utilizados em uma dieta equilibrada. Porém, há ressalvas. “Os produtos de origem vegetal não tem a mesma biodisponibilidade de nutrientes como os de origem animal como  como a carne, o peixe, ovo, leite, queijo e iogurte”.

Jornal Midiamax