Cotidiano

Justiça marca audiências em caso de assassinato de Clodiode em Caarapó

Caso terminou com indígena morto e seis feridos, incluindo adolescente de 12 anos

Mylena Rocha Publicado em 19/10/2021, às 11h40 - Atualizado às 11h43

Para MPF, os crimes cometidos em Caarapó compõem um quadro de ataque sistemático contra os povos Guarani e Kaiowá.
Para MPF, os crimes cometidos em Caarapó compõem um quadro de ataque sistemático contra os povos Guarani e Kaiowá. - Ilustrativa/Cimi

Depois de cinco anos, as audiências para o caso que terminou com o assassinato do indígena Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza foram marcadas para janeiro de 2022. O caso ocorreu em 2016 na cidade localizada a 273 km de Campo Grande e é chamado de 'Massacre de Caarapó' pelo MPF (Ministério Público Federal). No dia do crime, mais seis indígenas ficaram gravemente feridos, entre eles um adolescente de 12 anos. 

A denúncia foi feita pelo MPF há cinco anos mas, diante da morosidade injustificada na tramitação, o órgão pediu à 1ª Vara Federal de Dourados a inclusão dos processos criminais relativos ao fato na lista de processos com prioridade de julgamento. Em seguida, a petição foi enviada como pedido de providências à corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à Comissão de Direitos Fundamentais do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), além de setores de controle interno do MPF.

O Ministério Público explica que a 1ª Vara Federal de Dourados recebeu o pedido de providências encaminhado pelo CNJ em outubro. As audiências de instrução foram agendadas entre os dias 11 e 24 de janeiro de 2022, ocasiões em que serão realizadas as oitivas das vítimas e das testemunhas, além do interrogatório dos réus.

Em nota, o MPF afirma que é injustificável o ritmo lento de tramitação da denúncia criminal. Segundo o órgão, os crimes cometidos em Caarapó "compõem um quadro de ataque sistemático contra os povos Guarani e Kaiowá e podem ser classificados como crimes contra a humanidade". 

Um indígena assassinado e seis feridos

As investigações da Força-Tarefa Avá Guarani, do MPF, apontam que cinco proprietários rurais organizaram, promoveram e executaram o ataque à comunidade Tey Kuê no dia 14 de junho de 2016. Cerca de 40 caminhonetes, com o auxílio de três pás carregadeiras e mais de 100 pessoas, muitas delas armadas, retiraram à força um grupo de aproximadamente 40 índios Guarani-Kaiowá de uma propriedade ocupada por eles.

O indígena Clodiode Aquileu Rodrigues de Souza foi assassinado com um tiro no abdômen e outro no tórax. Outros seis indígenas, inclusive uma criança de 12 anos, foram atingidos por disparos e ficaram gravemente feridos. Dois índios sofreram lesões leves e a comunidade foi constrangida violentamente a deixar a área, segundo denúncia.

(Com informações do MPF)

Jornal Midiamax