Cotidiano

Casos de hipocondria aumentam durante pandemia; saiba quando procurar ajuda

Com a pandemia de coronavírus, os casos de hipocondria e de transtornos de ansiedade aumentaram. Com o aumento de casos e mortes, é natural ter medo da doença, mas entre os hipocondríacos, o medo toma conta da vida do paciente, atrapalhando a rotina de trabalho e até relacionamentos. Segundo especialista, os casos se tornaram mais […]

Mylena Rocha Publicado em 26/01/2021, às 07h24 - Atualizado às 11h15

O medo constante de contrair doenças graves é o principal sinal de hipocondria.
| Foto: Leonardo de França/Midiamax
O medo constante de contrair doenças graves é o principal sinal de hipocondria. | Foto: Leonardo de França/Midiamax - O medo constante de contrair doenças graves é o principal sinal de hipocondria. | Foto: Leonardo de França/Midiamax

Com a pandemia de coronavírus, os casos de hipocondria e de transtornos de ansiedade aumentaram. Com o aumento de casos e mortes, é natural ter medo da doença, mas entre os hipocondríacos, o medo toma conta da vida do paciente, atrapalhando a rotina de trabalho e até relacionamentos. Segundo especialista, os casos se tornaram mais frequentes porque o que antes estava no imaginário dos hipocondríacos, se tornou real: ser infectado e contrair uma doença grave. 

Casos de hipocondria aumentam durante pandemia; saiba quando procurar ajuda
A psicóloga Luisa Freire é especialista em Neuropsicologia e doutoranda na UFC. (Foto: Divulgação)

A psicóloga e doutoranda em Psicologia pela UFC (Universidade Federal do Ceará), Luisa Freire, afirma que os casos de hipocondria aumentaram porque o medo de contrair uma doença se tornou real, com um vírus que se espalhou pelo mundo todo. Ela explica que as pessoas passam a perceber as reações do corpo com mais atenção, logo sintomas como tosse e espirro, que antes eram cotidianos, se tornam motivo para preocupação. 

“A hipocondria está ligada ao medo excessivo de contrair uma doença muito grave. A pessoa não só tem pensamentos sobre o adoecimento, ela tem quase certeza de que está doente”, relata a psicóloga.

A especialista em Neuropsicologia conta que o paciente tem tanta certeza de que está doente, que entra em um processo de investigação, que pode ser doloroso e desgastante. Se a pessoa acha que tem uma doença e o médico não a encontra, ela acha que é porque ele não procurou direito. “A pandemia, para o hipocondríaco, é como se os maiores receios se tornassem realidade. Mesmo outras pessoas que não tinham, passaram a apresentar esse problema”.

Uma pessoa com hipocondria analisa os sintomas de uma forma exagerada, uma simples dor de cabeça passa a ser percebida como algo muito mais grave. Luisa Freire afirma que a doença pode tomar proporções cada vez mais preocupantes.

“A pessoa passa a ter prejuízo na vida dela: ela não trabalha direito em função disso, atrapalha os relacionamentos, a vida social, a vida afetiva, a relação consigo própria (…) O adoecimento toma a centralidade na vida dessa pessoa”, diz. 

Mas, afinal, quando procurar ajuda de um profissional? A psicóloga explica que ter sintomas físicos é natural, que não necessariamente implicam em uma condição de doença. Porém, se a pessoa atrela qualquer sintoma a uma doença séria, pode ser um sinal de hipocondria. 

“A ajuda psicológica precisa ser buscada. Principalmente, psicológica e psiquiátrica, para que o psiquiatra possa ver qual medicamento pode ser prescrito. A hipocondria vem muito associada a um sentimento de angústia, de medo, insegurança, em relação ao que se pensa que está acontecendo com o corpo e a saúde, o psiquiatra tem uma indicação de antidepressivo que ajuda a amenizar esse sentimento. Em uma outra instância, ansiolítico para dar conta, de forma pontual, de momentos de crise mais intensos”.

Jornal Midiamax