Cotidiano

Carros envelopados voltam à moda, mas revenda ainda é complicada em Campo Grande

Serviço ganha cada dia mais adeptos e revive um movimento considerado extinto por muitos

Gabriel Neves Publicado em 01/07/2021, às 14h00

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Carros envelopados, coloridos e com desenhos. Mente aquele que nunca imaginou ter um desses quando era mais novo, nem mesmo que por um rápido momento instigado por produções de Hollywood. Já considerados ‘fora de moda’ por muitos, os carros envelopados voltaram com tudo em Campo Grande e se tornam cada dia mais comuns nas ruas da cidade.

Seja por uma questão de estilo, custo ou para esconder pequenos defeitos, os clientes só aumentam. Essa é a percepção de Everton Nunes, proprietário de uma garagem de envelopamento no Joquei Club, que comenta sobre o crescente número de servidões realizados por conta de variados motivos.

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Envelopamento em Troller | Foto: Divulgaçõ

“Não tem um motivo que está na frente dos outros, mas de maneira geral o número de clientes aumentou, alguns gostam de dar uma ‘tunada’, deixar colorido, outros só querem dar uma ‘arrumada’ na cor, mas dá para perceber que deu uma aumentada”, disse o proprietário.

“Hoje, eu estou com dois carros aqui que vão envelopar, mas os clientes quiseram manter a cor. Durante o mês já trabalhei com três Opalas, que o pessoal queria mudar mesmo, deixar diferenciado”, brincou. Everton disse não saber explicar os reais motivos do aumento no interesse dos motoristas em envelopar seus carros, mas chuta em dois palpites: estilo e custo.

Ele conta que muitos clientes, com carros mais antigos ou esportivos, vão atrás do envelopamento para mudar o estilo do carro, deixá-lo único ou moderno e o custo é o principal motivo que os fazem descartar a pintura. “Se você for olhar o custo benefício, envelopar é melhor, porque leva menos tempo, é mais barato e dura de 3 a 5 anos. Para envelopar um carro você gasta uns R$ 1.500, já para pintar é R$ 2.000”.

Estiloso, mas não bem avaliado

Uma cor marcante ou dar uma renovada na já apagada cor original do seu carro por um preço em conta pode ser tentador, mas isso também causa alguns problemas na hora de revender o veículo, comentam os garagistas da Capital.

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Caption Acabamento preto fosco é um dos mais procurados | Divulgação

Genival Araújo é gerente de uma garagem de vendas na rua Rui Barbosa, ele explica que a cultura dos envelopados está mudando e muitas pessoas estão reavaliando seu conceito sobre o assunto, que ainda causa divergência entre os clientes.

“A galera mais nova não liga e até gosta porque eles entendem que é uma questão de estilo do proprietário, já alguns clientes mais antigos acham que a pessoa pode ter envelopado o carro para esconder algum pequeno amassado ou arranhão”, comentou.

E isso não ocorre apenas no momento da venda, mas também da compra realizada pelos garagistas. “Se eu estou comprando de uma pessoa mais nova, ou um modelo meio esportivo eu confio, agora carros populares a gente toma mais cuidado, acaba não comprando ou adquirindo por um preço mais barato”, explica o gerente.

A lei deixa envelopar?

Aos entusiastas, não existe nenhuma proibição relacionada ao envelopamento de veículos e a imaginação é o limite, mas algumas normas precisam ser seguidas para regularizar a modificação e evitar transtornos como multas e até mesmo a perda do veículo.

Segundo o Detran-MS, é necessário solicitar a alteração de característica, caso a cor do veículo seja alterada em até 50% da cor original. Caso contrário, é considerada uma infração grave. “O veículo será retido para regularização, além de multa no valor de R$ 195,23 e cinco pontos na carteira, segundo o CTB (Código de Trânsito Brasileiro)”, informou o órgão através de sua assessoria.

Jornal Midiamax