Cotidiano

Campo Grande fica sem 1ª dose enquanto na fronteira falta gente para usar vacinas extras de estudo

Governo de MS tem 49,6 mil doses da Janssen ‘guardadas’ para municípios beneficiados em estudo

Mylena Rocha Publicado em 04/07/2021, às 16h07

Campo Grande está com a aplicação da 1ª dose suspensa, há vacinas somente para a 2ª dose.
Campo Grande está com a aplicação da 1ª dose suspensa, há vacinas somente para a 2ª dose. - Leonardo de França/Midiamax

Algumas cidades contempladas no estudo que irá vacinar toda a população na fronteira têm apresentado baixa procura pelas doses em Mato Grosso do Sul. Por outro lado, Campo Grande não tem vacinas para ampliar a vacinação contra o coronavírus. A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) aponta que não há previsão de chegada de um novo lote e que há somente 35 mil doses - todas reservadas para aplicação da 2ª dose. 

Uma reportagem publicada pelo Jornal Midiamax mostrou que algumas cidades têm tido procura abaixo do esperado. A Prefeitura de Ladário, por exemplo, chegou a fazer um apelo para que a população procure pelas doses. “Você está vendo este espaço vago? Era para ter carros trazendo a população para se vacinar, mas não é o que está acontecendo”, informou o assessor em vídeo publicado pela Prefeitura. 

O cenário é bastante diferente na capital sul-mato-grossense. A vacinação parou na faixa etária dos 41 anos e a aplicação da primeira dose está suspensa, sem previsão da chegada de mais vacinas. Procurado pelo Jornal Midiamax, o titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) ressaltou que Campo Grande já utilizou todas as vacinas que recebeu. 

“Tudo o que recebemos de quantitativo de doses para a 1ª dose, foi aplicado. Amanhã temos o quantitativo de 35 mil doses para a aplicação da 2ª dose de Astrazeneca, Pfizer e Coronavac, todas estão reservadas para 2ª dose”, frisa José Mauro Filho. 

Decisão estadual

É importante lembrar que uma decisão da CIB (Comissão Intergestores Bipartite) definiu a reserva de 30% das vacinas a serem utilizadas no estudo na fronteira. Ou seja, 49.650 doses da Janssen estão ‘guardadas’, enquanto a maior cidade do Estado não tem vacinas para a 1ª dose quando, em época de pandemia, a prioridade deve ser vacinar o maior número possível de pessoas em menos tempo. 

O secretário municipal de saúde afirma que Campo Grande foi contrária à decisão de reserva de doses. “Acaba causando esta situação, de a gente estar paralisado e aguardando doses, sendo que temos vacinas aí, aguardando a pesquisa”, disse José Mauro. 

Para o titular da Sesau, o ideal seria que o Governo do Estado tivesse distribuído as doses de maneira igualitária, entre todos os 79 municípios. Se o lote de 165,6 mil doses da vacina Janssen fosse distribuído a todas as cidades, a Capital poderia estar vacinando pessoas a partir dos 30 anos. 

“Estamos nos 41 anos. Se fossem vacinados até [pessoas de] 30 anos, vacinaríamos boa parte da população economicamente ativa, que são os trabalhadores em geral do comércio: servidores, garçons, frentistas, caixas de supermercados, a população economicamente exposta e que vem se contaminando”, disse o secretário. Em Campo Grande, a faixa etária com mais contaminados é a de 30 a 39 anos, com 23,42% dos infectados conforme boletim epidemiológico da Sesau. 

A respeito da reserva de mais de 49 mil doses de vacina, o secretário de Estado de Saúde Geraldo Resende se limitou a dizer que não iria tecer comentários sobre a situação, mas que nesta segunda-feira (4) deve 'definir algumas situações' que serão divulgadas para a imprensa posteriormente.

Enquanto Campo Grande não recebe novas doses de vacina, não há outra coisa a fazer senão se cuidar. “Quero pedir que a população mantenha as medidas: distanciamento, uso de máscaras e higiene das mãos. Os números estão caindo, mas não podemos baixar a guarda”, alertou José Mauro Filho. 

Jornal Midiamax