Cotidiano

Criada há 1 ano, subsecretaria animal ainda gera expectativa em Ongs que aguardam ações

Protetores de animais dizem que Subea não está cumprindo seu papel e que animais continuam nas ruas

Lucas Mamédio Publicado em 15/07/2021, às 13h45

Ligida com filhotes em bacias, onde eles dormem por enquanto
Ligida com filhotes em bacias, onde eles dormem por enquanto - Foto: Leonardo de França, Midiamax

A luta dos protetores dos animais em Campo Grande sempre foi árdua e solitária. Causa marginalizada por muitos, viu um feixe de esperança em 2020, quando a Prefeitura anunciou a criação da Subea (Subsecretaria de Bem-Estar Animal), ligada à Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais.

A subpasta tem como objetivo preencher essa lacuna de cuidados a animais abandonados que nunca foi vista, segundo os militantes da causa, com seriedade pelos gestores públicos.

Passado pouco mais de um ano, muitos desses ativistas estão decepcionados com ação do poder público. Lígida dos Santos, é uma das várias protetoras independentes de animais que atua na causa antes mesmo da criação da Subea.

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Ligida com remédios que comprou para os filhotes (Foto: Leonardo França)

Ela faz parte do Movimento Mais Amor Por Favor, que reúne diversas ONGs (Organizações Não Governamentais) de Campo Grande, que atuam na proteção do bem-estar animal.

O trabalho dessas ONGs basicamente gira em torno de um fluxograma bem simples: resgate, triagem, acolhimento, castração, chipagem e adoção. Porém, tudo é feito conforme a possibilidade de cada protetor.

Com a criação da subsecretaria, imaginou-se que esse modo de trabalhar seria incorporado ao órgão público, cabendo às organizações apenas prestar assistência, o que, de acordo com os protetores, não está nem perto de acontecer.

Lígida, por exemplo, está com uma ninhada de mais de 10 filhotes de cães abandonados na rua. Fora os outros 10 que já cuidava em casa. Ela conta que tem uma dívida de quase R$ 8 mil em uma clínica particular. “Esse era um trabalho que deveria estar sendo realizado pela Subea e não por mim. Esses cães deveriam estar no centro de triagem, para cuidado, posterior castração e adoção, que não existe”, reclama.

Em janeiro de 2021, o prefeito Marquinhos Trad chegou a anunciar a criação do tão esperado Hospital Veterinário Municipal e do Centro de Triagem, mas ainda não há data para que o projeto seja colocado em prática. O Midiamax solicitou esclarecimentos à Subea, que por e-mail detalhou alguns planos sobre o assunto.

“Vários programas e projetos estão em planejamento e com orçamento e que já compõem o Planejamento Municipal de Gestão Estratégica 2021/2024 e o Plano Plurianual 2022/2025, e com prioridade para a construção da Unidade de Atendimento Médico Veterinário – UPAVET e o Centro de Acolhimento Transitório e Adoção de Animais – CATA, que estão com processos em andamento condicionados as regulamentações, leis, termos de ajustamento com o Ministério Público do MS e ainda, dentro dos prazos estabelecidos pelas legislações que regem a administração pública”.

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Ligida conta que deve mais de R$ 8 mil em uma clínica veterinária (Foto: Leonardo França)

Tereza Bandeira também é protetora e faz parte do mesmo movimento de Ligida. Ela conta que, por enquando, está decepcionada com a atuação do poder público sobre esse assunto.

“Foi criada muita expectativa, pareceu que agora íamos ter o apoio que tanto buscamos, mas nada, continuamos na mesma. A Subea só faz feira de adoção, coisa que sempre fizemos, então pra mim não faz diferença nenhuma”.

Sobre as reclamações, a Subea admite dificuldades, mas diz que está trabalhando para se adequar, já que é uma pasta muito nova.

“A Subsecretaria é um órgão recém-criado, com aproximadamente um ano, sem estrutura própria e que atua com equipe limitada para realizar com efetividade suas atividades, que são pioneiras no estado. Muitas ações, programas e projetos já estão em andamento e a SUBEA vem trabalhando constantemente para aceleração de todo o seu planejamento e ciente que a consolidação dos serviços se concretizarão e virão ao encontro do segmento com a inauguração dos instrumentos públicos de atendimento à população, que são o UPAVET e o Centro de Acolhimento”.

Castrações

Uma das mais conhecidas ativistas de Campo Grande, Maria Lúcia Metello, da Ong Abrigo dos Bichos, é uma das maiores críticas da atuação da Prefeitura.

“O pessoal que converso está bem chateado. As castrações estão bem aquém do que desejamos, o hospital prometido não saiu da promessa ainda. Enquanto isso continuamos sofrendo como sempre. Não adianta fazer feira de adoção, tem que castrar em massa”.

De novo a Subea aponta que o processo está em andamento, inclusive dando prazo, e que é preciso ter paciência. “Importante ressaltar sobre a UPAVET e o Centro de Acolhimento é que a prefeitura de Campo Grande firmou um termo de Ajustamento de Conduta – TAC com o MPMS estabelecendo os prazos e tudo está sendo feito dentro do compromisso firmado entre as partes. O projeto preliminar das unidades foi proposto dentro de um conceito inovador e sustentável, com previsão de inauguração para agosto de 2022”.

Jornal Midiamax