Cotidiano

Após desastre ambiental no Pantanal em 2020, MS cria grupo para resgatar animais

Decreto foi publicado na sexta-feira (16)

Gabriel Maymone Publicado em 17/04/2021, às 16h03

Incêndios no Pantanal deixaram rastro de destruição na flora e fauna em 2020
Incêndios no Pantanal deixaram rastro de destruição na flora e fauna em 2020 - Divulgação / Montagem

Após inúmeros animais morrerem na tragédia ambiental dos incêndios ocorrido ano passado no Pantanal, o governo de Mato Grosso do Sul criou o Gretap (Grupo de Resgate Técnico Animal Cerrado Pantanal). O decreto que institui o grupo foi publicado nesta sexta-feira (16).

Dessa forma, grupo fica responsável pelos protocolos técnicos de atendimento e coordenação de todas as ações de resgate realizadas.

“O grupo reuniu a expertise de profissionais voluntários de várias instituições do nosso Estado e desempenhou um papel fundamental no resgate e atendimento aos animais silvestres feridos nos incêndios. Agora, com a sua oficialização, a Semagro e o Imasul ganham um suporte fundamental nesse trabalho de socorro à fauna em situações de emergência”, comenta o secretário Jaime Verruck, da Semagro.

Então, o grupo é composto por 10 instituições especializadas nos cuidados animais: a Semagro, Imasul, CRMV-MS, UCDB, Ibama, Instituto Tamanduá, Instituto do Homem Pantaneiro – IHP, Fundação Municipal do Meio Ambiente de Corumbá, UFMS e PMA.

Desastre ambiental

No ano passado, os incêndios que destruiram cerca de 4,4 milhões de hectares no Pantanal de Mato Grosso e MS também matou animais.

Vários grupos de voluntários iniciaram trabalhos para resgatar animais feridos nos incêndios ou que  ficaram sem habitat. “Houve uma perda muito grande e de todos os grupos, incluindo os polinizadores, dos quais muitas espécies vegetais dependem”, explica Milton.

Ainda conforme o biólogo, espécies consideradas de baixa mobilidade como anfíbios, mamíferos e répteis foram os mais afetados. “Fauna de solo, insetos e outros grupos invertebrados também”. Essas espécies foram prejudicadas de várias formas como “perda de abrigos, de comida, de recursos em geral, além de serem queimados”, pontua o biólogo.

Somente no Parque Estadual Encontro das Águas, que abriga grande concentração de onças-pintadas, a destruição alcançou 85% dos cerca de 108 mil hectares, segundo cálculos do Instituto Centro de Vida, que monitora queimadas no País. Fundamental para a preservação do felino, a área atrai milhares de turistas ao Pantanal todos os anos.

No Pantanal, ONGs trabalham tanto para conter as chamas quanto para resgatar animais feridos e providenciar alimentos aos que conseguiram sobreviver. A ONG Panthera tem uma fazenda de cerca de 10 mil hectares. Da área, cerca de 6 mil hectares são acessíveis e poderiam ser poupados do fogo para servir de moradia para a fauna. Cerca de metade desta parte foi salva, o que para a entidade foi uma vitória.

Biólogos afirmam que ainda é cedo para descartar impactos e, caso eles ocorram, pode haver severo desequilíbrio no ecossistema. Como exemplo, o professor da UFMT Victor Landeira destaca que o fogo deixa pelo caminho nutrientes que deveriam estar presos à vegetação. Com as chuvas, o material vai parar dentro de rios e alagados, criando outra vegetação que tomará o oxigênio que deveria ser dos peixes. “O Pantanal pode vir a ter uma cara diferente nos próximos anos.”

Jornal Midiamax