Cotidiano

Apesar de casos no país, MS não registrou testes de Covid-19 vencidos

Denúncia indica que mais de 3,7 milhões de insumos do Ministério da Saúde estão vencidos

Mariane Chianezi Publicado em 15/09/2021, às 17h56

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Divulgação

Apesar de denúncia de que o Ministério da Saúde teria deixado vencer a validade de um estoque de medicamentos, vacinas e testes de diagnósticos de Covid-19, avaliados em R$ 240 milhões, não houve registros de testes vencidos em Mato Grosso do Sul, informaram as secretarias de Saúde do Estado e Município.

Conforme a SES (Secretaria Estadual de Saúde), não houve materiais vencidos e todos foram utilizados todos os testes enviados pelo Ministério da Saúde e também pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) pontua que na Capital também não teve nenhum teste sem utilizar fora da data de validade. O Município explicou que os exames de RT-PCR são apenas coletados pela secretaria, sendo que este material não tem data de validade.

“Em relação aos testes rápidos de swab, o município abriu o processo licitatório recentemente, onde a empresa fornece o material de acordo com a necessidade, não havendo riscos, assim, de vencimento do prazo para utilização”, disse em trecho de nota encaminhada à reportagem.

Além disso, a Sesau esclareceu que os testes rápidos realizados com gotículas de sangue do paciente não são mais ofertados na rede pública de saúde.

3,7 milhões de itens vencidos

Uma reportagem da Folha de São Paulo apurou que o Ministério da Saúde deixou vencer a validade de um estoque de medicamentos, vacinas, testes de diagnóstico e outros itens que, ao todo, são avaliados em mais de R$ 240 milhões. Agora, todos esses produtos devem ser incinerados.

O local onde estariam todos esses produtos vencidos do SUS é em Guarulhos (SP), no centro de distribuição logística do ministério. Ali estão 3,7 milhões de itens que começaram a vencer há mais de três anos. Quase todos expiraram durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).

Todo o estoque é mantido em sigilo pelo ministério. A pasta usa documento interno de 2018 para negar pedidos de acesso aos dados sobre produtos armazenados ou vencidos, argumento já apontado como inadequado pela CGU (Controladoria-Geral da União).

Mas a Folha teve acesso a tabelas do ministério com dados sobre os itens, número de lote, data de validade e valor pago pelo governo. A lista de produtos vencidos inclui, por exemplo, 820 mil canetas de insulina, suficientes para 235 mil pacientes com diabetes durante um mês. Valor: R$ 10 milhões.

O governo Bolsonaro também perdeu frascos para aplicação de 12 milhões de vacinas para gripe, BCG, hepatite B (quase 6 milhões de doses), varicela, entre outras doenças, no momento em que despencam as taxas de cobertura vacinal no Brasil. Só esse lote é avaliado em R$ 50 milhões.

Os produtos vencidos também seriam destinados a pacientes do SUS com hepatite C, câncer, Parkinson, Alzheimer, tuberculose, doenças raras, esquizofrenia, artrite reumatoide, transplantados e problemas renais, entre outras situações.

Alguns itens que serão incinerados estão em falta nos postos de saúde.

Jornal Midiamax