Cotidiano

Adaptados ao ‘fecha tudo’, comerciantes de bairros acham que aglomeração continua em Campo Grande

No primeiro dia da semana ‘fecha tudo’ em Campo Grande, a diferença na movimentação dos bairros é perceptível. Entretanto, comerciantes pequenos se adaptam para continuar as vendas. Assim, divididos entre apoiadores e não apoiadores da medida, todos concordam que aglomerações devem continuar na Capital mesmo com decreto. O Jornal Midiamax esteve na avenida Arquiteto Vila […]

Dândara Genelhú Publicado em 22/03/2021, às 15h52 - Atualizado às 18h34

Avenida do bairro Aero Rancho no 1º dia do 'fecha tudo'. Foto: Leonardo de França | Midiamax.
Avenida do bairro Aero Rancho no 1º dia do 'fecha tudo'. Foto: Leonardo de França | Midiamax. - Avenida do bairro Aero Rancho no 1º dia do 'fecha tudo'. Foto: Leonardo de França | Midiamax.

No primeiro dia da semana ‘fecha tudo’ em Campo Grande, a diferença na movimentação dos bairros é perceptível. Entretanto, comerciantes pequenos se adaptam para continuar as vendas. Assim, divididos entre apoiadores e não apoiadores da medida, todos concordam que aglomerações devem continuar na Capital mesmo com decreto.

O Jornal Midiamax esteve na avenida Arquiteto Vila Nova Artigas, no Aero Rancho, um dos bairros mais populosos de Campo Grande. Com poucas pessoas nas ruas, os comércios abertos são, em grande maioria, restaurantes e lanchonetes adaptadas ao decreto.

Dona de uma mini sorveteria, Val da Silva, de 60 anos, mantém as portas abertas apenas para entrega dos produtos. Mesmo seguindo à risca o decreto, ela agradece que pelo menos ainda pôde abrir na semana de restrições. “Se fechar, paro de trabalhar e conseguir meu pão de cada dia. Vou sobreviver do quê? Se eu fechar a porta, vou comer o que?”, questiona.

Adaptados ao 'fecha tudo', comerciantes de bairros acham que aglomeração continua em Campo Grande
Valda se adaptou e vende para entrega apenas.
Foto: Leonardo de França | Midiamax.

Assim, ela destaca que outros fatores são os vilões da Covid-19 e propagação da doença na Capital. “Acho que [a semana de restrições não está adiantando. As bagunças dos jovens em bailes funk não param”, afirma.

A autônoma Jaqueline Lopes, de 33 anos, é dona de uma casa de salgados no bairro. Ela é contra a medida, pois vê o lado do comerciante. “Se a gente para, quem vai pagar nossas contas? Quem vai colocar comida na minha casa?”, questiona.

Então, ela explica que as vendas são diárias e com isso, o impacto é grande. “Vendemos por dia, para pagar as contas”. Além disto, ela destaca que outras situações irão prejudicar o objetivo da semana. “Muitos lugares que passamos, as pessoas estão sem máscaras e os ônibus continuam cheios”, aponta.

Sem respaldo para pequenas empresas

Costureiro e dono de um pequeno comércio, Luiz Romero, de 45 anos, se sente prejudicado com a semana do ‘fecha tudo’. “Acho que foi negativo, existem outros meios de controlar”, afirma. O home diz que o estabelecimento nunca causou aglomeração e não atende tantos clientes de uma vez só.

Ele admite que ainda está funcionando. Mas destaca que são serviços já realizados e que “o povo só vem buscar”. Contra a medida, ele destaca que “povo está passando fome, eles tomam providências, mas não dão respaldo nenhum”.

No mesmo sentido, Carlos Adriano, 33 anos, destaca que é preciso pensar mais detalhadamente nas medidas. Ele acredita que auxílios deveriam ser dados de forma mais eficiente para artistas e respaldos para os pequenos comércios.

Entretanto, o dono de uma barbearia, que está fechada por conta do decreto, é totalmente a favor da medida. “Acho que no meu serviço vai me prejudicar, mas apoio. Acho até que já deveria ter sido feito”.

Assim, ele destaca que é preciso prestar mais atenção nas aglomerações. “Mas o que tem que parar são as festas”, alerta. Por fim, contou que passou na avenida das Bandeiras recentemente e tinha um posto de combustível várias pessoas juntas. “Vão passando latinha de boca e boca. Respeitam até a hora que toma uma latinha”, lamenta.

Jornal Midiamax