Apesar de campanhas orientando sobre a necessidade de seguirmos todas as medidas de biossegurança para evitar a disseminação do coronavírus, causador da Covid-19, o Consórcio Guaicurus insiste em colocar menos ônibus nas ruas e causar aglomerações em pontos e terminais nos horários de pico em Campo Grande.

Assim, passageiros relatam ônibus com pessoas em pé – o que é proibido pelas regras de biossegurança – e pontos com aglomeração – o que também é proibido conforme decreto municipal.

Vídeo enviado por leitor ao Jornal Midiamax (veja no fim da reportagem) mostra a situação em um ponto da Avenida Afonso Pena, em frente a uma grande loja de utilidades, por volta das 18h. Nas imagens é possível constatar que mais de 50 pessoas aguardavam um ônibus no local, claramente sem manter o distanciamento devido ao espaço limitado.

No início de julho, quando a pandemia pelo coronavírus já estava se aproximando do pico em Campo Grande e, somente após decisão judicial, o Consórcio Guaicurus apresentou um plano de biossegurança.

Em evento de apresentação do plano, o Consórcio já sinalizava que não iria aumentar a disponibilidade de veículos nas ruas, mesmo com constantes reclamações de passageiros sobre falta de ônibus, que causavam aglomerações.

Na ocasião, o diretor executivo do Consórcio Guaicurus, Robson Strengari, tentou justificar alegando que havia tido queda na demanda.

A reportagem procurou o Consórcio Guaicurus, mas ainda não obteve retorno. Este espaço segue aberto para posicionamento da empresa.

Abusos

No início de abril, os promotores do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) haviam constatado diversas irregularidades por parte do Consórcio Guaicurus como falta de higienização nos ônibus, aglomerações em veículos e falta de demarcação em terminais para os usuários manterem distanciamento nas filas.

A ação resultou em uma recomendação ao Consórcio Guaicurus, prefeitura e Agetran (Agência Municipal de Trânsito) – responsável pela fiscalização.

Sem resultado, em maio, os promotores tiveram que ingressar com uma Ação Civil Pública para que, assim, medidas fossem tomadas pelo Consórcio.

No fim de junho, ao deferir o pedido do MPMS, o juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva elencou série de medidas que deveriam ser adotadas pela empresa.

Mais Falhas

Em despacho publicado no dia 16, o conselheiro do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado), Waldir Neves, pediu celeridade na retomada das tratativas para a conclusão do TAG (Termo de Ajuste de Gestão) com o Consórcio Guaicurus.

No despacho, o conselheiro cita que os problemas verificados nos ônibus acabam expondo as pessoas ainda mais ao coronavírus, causador da Covid-19. “Não foi realizada nenhuma das ações propostas nas tratativas do TAG para melhorar o serviço e deixar a população menos exposta à doença”.

Ainda conforme o texto, o conselheiro entende essencial voltar a regular o processo “sobretudo no cenário e pandemia que estamos vivenciando, onde todo gestor e prestador de serviço público tem o dever de atuar sem medir esforços para proporcionar melhoria nos serviços públicos para, somente assim conseguirmos passar mais rápido por esta situação, verifica-se que infelizmente não é o que está sendo mostrado com relação ao sistema público de transporte”.