Cotidiano

Três meses depois de incêndios, cinzas ‘ajudam’ e Pantanal volta a ficar verde

A velocidade de recuperação de paisagens no Pantanal impressiona. Isso porque há três meses o bioma sul-mato-grossense foi devastado por incêndios florestais, que destruíram parte da fauna e flora da região. Fotos que circulam nas redes sociais mostram a diferença no curto intervalo de tempo. Apesar da paisagem estar preenchida pelo verde das árvores e […]

Gabriel Maymone Publicado em 10/12/2020, às 14h30 - Atualizado em 11/12/2020, às 09h29

Serra do Amolar foi um dos locais mais atingidos pelo fogo. (Foto: Reprodução / Instagram)
Serra do Amolar foi um dos locais mais atingidos pelo fogo. (Foto: Reprodução / Instagram) - Serra do Amolar foi um dos locais mais atingidos pelo fogo. (Foto: Reprodução / Instagram)

A velocidade de recuperação de paisagens no Pantanal impressiona. Isso porque há três meses o bioma sul-mato-grossense foi devastado por incêndios florestais, que destruíram parte da fauna e flora da região. Fotos que circulam nas redes sociais mostram a diferença no curto intervalo de tempo.

Apesar da paisagem estar preenchida pelo verde das árvores e da grama, o biólogo José Milton Longo explica que ‘paisagisticamente’ está bonito, “mas há espécies que podem ficar ausentes”.

Conforme o especialista, as cinzas das queimadas ajudam a renovar a paisagem, porque “servem como adubo, pois disponibilizam potássio e isso é bom para as gramíneas [grama], deixando o campo verdejando mais rápido”, detalha.

Entretanto, a recuperação pode demorar anos. “A resiliência é um conceito de ecologia de voltar ao estado original. Dado a intensidade dos incêndios que ocorreram e a seca extrema, esse patamar não deve ocorrer tão cedo, porque a previsão para 2021 são de poucas chuvas e o nível do Rio Paraguai talvez não atinja o suficiente para irrigar campos e lagoas. Vai alguns anos para voltar ao patamar original”, analisa.

A presença da fauna vai depender do ressurgimento de certas espécies nativas. “Algumas espécies somem do local, porque morreram. Assim, a fauna fica ausente e a recolonização demora certo tempo também. Vai depender da velocidade de recuperação da vegetação e dos recursos [naturais] para voltar à condição original”, conclui.

Verde é vida

À frente do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), que ganhou destaque no combate aos incêndios no Pantanal, o presidente Coronel Ângelo Rabelo usou suas redes sociais para postar um vídeo exaltando o bioma. “Há menos de um mês, estava aqui ainda respirando fumaça e assustado com fogo que avassalou toda essa área, agora água começa a trazer de novo a vida”.

Veja o vídeo:

Incêndios no Pantanal

Incêndio no Pantanal
Há três meses, incêndios devastavam paisagens do Pantanal. (Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural)

Dados do Lasa (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais) do Departamento de Meteorologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) indicam que este ano os incêndios destruíram 30% do Pantanal.

O relatório mais recente disponibilizado pelo Lasa mostra que foram devastados pouco mais de 4,4 milhões de hectares do bioma, sendo 1,9 milhão no Mato Grosso do Sul.

Jornal Midiamax