Cotidiano

Santa Casa vai atender só casos urgentes e culpa falta de repasses e preços da pandemia

Santa Casa alega falta de repasse e alta no preço de insumos para restringir atendimentos em Campo Grande.

Gabriel Maymone Publicado em 10/06/2020, às 17h19 - Atualizado às 18h34

Luiz Alberto Nakamura, superintendente da Santa Casa. (Imagem: Reprodução/Midiamax)
Luiz Alberto Nakamura, superintendente da Santa Casa. (Imagem: Reprodução/Midiamax) - Luiz Alberto Nakamura, superintendente da Santa Casa. (Imagem: Reprodução/Midiamax)

O superintendente médico-hospitalar da Santa Casa de Campo Grande, Luiz Alberto Kanamura, justificou a restrição de atendimento a pacientes alegando falta de repasses e alta de até 1000% no preço de materiais por conta da pandemia do coronavírus.

Conforme anunciado em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (10), Kanamura afirmou que o hospital está com 603 pacientes internados, número 23% maior que nos últimos 2 meses. “Estamos atendendo boa parte dos que seriam atendidos em outras unidades. Isso gerou grande demanda também de insumos”, informou.

Nenhum desses internados testou positivo para a Covid-19 – esses pacientes estão sendo direcionados para o Hospital Regional. Porém, foi feito um acordo em que a Santa Casa atuasse como apoio a unidades hospitalares que atuam no tratamento da Covid-19.

Ainda conforme o gestor, um dos reflexos da pandemia é a hiperinflação no preço dos insumos utilizados pelo hospital. “Um avental que custava R$ 1,20 nós compramos por R$ 14”, comentou. Outro exemplo é uma caixa de luva que o hospital está comprando por quase o dobro do preço normal.

Em relação ao retorno dos atendimentos normais, Kanamura disse que a situação deve ser regularizada até o final da semana que vem. “A ideia é conseguir o recurso no início da próxima semana”.

Restrição

Assim, a partir de meia-noite desta quinta-feira (11), a Santa Casa não receberá novos pacientes – haverá somente retorno. Os atendimentos serão restritos a casos de emergência (aqueles com risco iminente de morte) e de urgência (com risco de morte nas próximas 12 horas). Consultas e exames também estão suspensos.

Apelo por repasses

Diante de todo este cenário em que há aumento de gastos, a Santa Casa apela para receber mais repasses. Segundo a diretora financeira do hospital, Sandra Ortega, a prefeitura tem déficit de R$ 18 milhões.

“Esse é o valor que está atrasado do nosso contrato com a prefeitura”, informou Sandra, acrescentando que, em junho, dos R$ 20 milhões que eram para terem sido repassados, o hospital recebeu somente R$ 10 milhões, a metade.

Ainda conforme Sandra, há verba federal proveniente de ajuda federal às Santas Casas que não chegou para a unidade de Campo Grande. “Temos duas portarias que disponibilizaram R$ 6.659.773,20 que seriam utilizados para insumos”, pontua.

Em relação à folha de pagamento, a diretora informou que os funcionários contratados por CLT estão com salários em dia, mas há atraso no pagamento de médicos autônomos e contratações por pessoas jurídicas.

O Governo do Estado publicou nota, após a coletiva, informando que os repasses federais citados pela diretora financeira da Santa Casa serão feitos esta semana.

Jornal Midiamax