Cotidiano

Pouco movimento e falta de funcionários faz comércio de Campo Grande fechar mais cedo

Tradicional em Campo Grande, o funcionamento em horário estendido das lojas do Centro de Campo Grande no mês de dezembro já está em vigor desde o fim de semana, mas encontrar lojas nas ruas centrais abertas até mais tarde não tem sido a realidade neste ano. Lojistas afirmam que o baixo movimento de pessoas nas […]

Carolina Rocha Publicado em 09/12/2020, às 16h52 - Atualizado em 10/12/2020, às 13h04

Lojas podem funcionar até 21h, mas têm fechado mais cedo (Foto: Leonardo de França, Midiamax)
Lojas podem funcionar até 21h, mas têm fechado mais cedo (Foto: Leonardo de França, Midiamax) - Lojas podem funcionar até 21h, mas têm fechado mais cedo (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Tradicional em Campo Grande, o funcionamento em horário estendido das lojas do Centro de Campo Grande no mês de dezembro já está em vigor desde o fim de semana, mas encontrar lojas nas ruas centrais abertas até mais tarde não tem sido a realidade neste ano. Lojistas afirmam que o baixo movimento de pessoas nas ruas, muito em razão da pandemia do coronavírus, e a dificuldade em contratar funcionários temporários têm feito com que os estabelecimentos funcionem em horário normal.

O horário estendido par ao comércio começou no sábado (5) com atendimento liberado até às 20 horas. Desde esta segunda (7), as lojas do Centro podem funcionar até às 21 horas. Mas nesta segunda, leitores do Jornal Midiamax que foram ao Centro à noite, encontraram portas fechadas.

Conforme a CDL (Câmara de dirigentes lojistas), existem diversos motivos para que alguns comerciantes não estejam conseguindo manter a loja aberta até mais tarde. Os principais são a demanda menor do que anos anteriores e dificuldades em encontrar funcionários temporários, contratações que sempre acontecem neste período.

Como tudo depende da procura dos clientes, as lojas precisam se organizar internamente e isso envolve custos, logística e estoque para que consigam ficar abertas até às 21 horas. A CDL também afirma que o movimento no Centro não está aquecido como em anos anteriores.

Mesmo ficando aberta até às 20h, a proprietária de uma loja de moda feminina, Kety Motta, de 38 anos, diz que não está compensando manter a loja aberta até mais tarde. Ela acredita que o novo toque de recolher fez com as pessoas deixem de ir ao Centro mais tarde. Ela diz que todo final de ano é muito esperado por lojistas, mas 2020 está diferente. “Nós comerciantes esperamos o final do ano para vender, este final veio com a pandemia.”

Proprietária de uma ótica na rua 14 de julho, Rosimeri Nakasse, também fecha mais cedo e só mantém as portas abertas até às 19, E ela diz que não compensa ampliar o horário de atendimento até às 21h, o funcionamento deve acontecer conforme o fluxo de clientes, e este ano diminuiu. “Acredito que na semana que vem melhore o movimento e então fico até às 21h.”

Em uma loja de cosméticos, a gerente Ivete Mariotto, de 55 anos, conta que nos primeiros dias até estendeu o horário de funcionamento, mas o pouco fluxo não animou. Ela conta que outros gerentes também não estão considerando o fluxo alto como nos outros anos. “Conversei com outros gerentes do segmento e também disseram que não está como o esperado”.

Contratações

A expectativa é que com esse horário, mais consumidores saiam para as compras, principalmente aqueles que trabalham em horário comercial e durante a semana só conseguem consumir depois das 18 horas. Em razão da pandemia, alguns setores sentem mais do que outros. Como é o caso das lojas de roupas, mas com a chegada do Natal, os empresários dessa área esperam uma procura maior.

A Câmara dos lojistas explica que em relação a anos anteriores, a contratação de temporários ficou abaixo da média. Um dos motivos é o fato de muitas trabalhadores que têm filhos não terem com quem deixar as crianças, por conta da suspensão das atividades presenciais nas escolas públicas de Campo Grande.

Os comerciantes entrevistados também comentam da dificuldade de contratar funcionários temporários. Kety Motta pretendia contratar mais pessoas, mas apenas quatro compareceram na entrevista. “Oito pessoas disseram que iriam para entrevista, mas na hora, apenas quatro apareceram.” A gerente da loja de cosméticos, Ivete Mariotto também diz que foi difícil encontrar pessoas capacitadas.

Por outro lado, Rosimeri Nakasse diz que o quadro está reduzido, então não precisou contratar mais pessoas. “Nós costumamos ter um ou dois freelancers, mas agora estou com quadro enxuto, não tem necessidade de mais contratações.”

Também segundo a CDL, o recebimento do auxílio emergencial por parte do Governo Federal também é considerado pelos empresários como um impeditivo para que muitas pessoas procurem emprego temporário nesta época.

Jornal Midiamax