Cotidiano

Para especialista, teste da Aids deveria ser compulsório em população de MS

No dia 1º de dezembro foi celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Aids tem como objetivo conscientizar a população sobre uma a doença infecto-contagiosa causada pelo vírus HIV e que mais mata pessoas no mundo. Na avaliação de órgão de Saúde de Campo Grande, o medo de testar positivo para o vírus ainda é […]

Mariane Chianezi Publicado em 06/12/2020, às 08h37 - Atualizado às 14h08

Imagem ilustrativa. (Foto: Leonardo de França/Midiamax)
Imagem ilustrativa. (Foto: Leonardo de França/Midiamax) - Imagem ilustrativa. (Foto: Leonardo de França/Midiamax)

No dia 1º de dezembro foi celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Aids tem como objetivo conscientizar a população sobre uma a doença infecto-contagiosa causada pelo vírus HIV e que mais mata pessoas no mundo. Na avaliação de órgão de Saúde de Campo Grande, o medo de testar positivo para o vírus ainda é a maior barreira para que seja detectado.

O idealizado da Fundação CASA (Centro de Apoio Social e Acompanhamento às Pessoas Vivendo com HIV e casos de AIDS) disse ao Jornal Midiamax que a descoberta de pessoas com o vírus, contenção das infecções e andamento dos tratamentos, poderia ser mais célere se o teste de HIV fosse compulsório para toda a população de MS.

“Existe uma resistência para realização do teste, que deveria ser compulsório. É um teste de custo baixo, acessível, e  que poderia ser de forma compulsória para todos. Isso atingiria 90% da população”, analisou Almir Guimarães, que está a frente da instituição há quase 10 anos.

A Fundação Casa atende, em média, 50 PVHIV (Pessoa Vivendo com o HIV) por dia, equivalente há 1,7 mil por mês. A instituição tem como objeto proporcionar às pessoas vivendo com HIV o conhecimento sobre a sorologia e como entenderem de o HIV é somente uma minúscula parte navegando em seu corpo.

Com importante trabalho na sociedade, a fundação precisou adequar os seus atendimentos devido à pandemia do coronavírus. “No momento devido a pandemia, os trabalhos extras muros estão ativos, mas internamente estão reduzidos devido a suspensão das atividades da instituição, porque todos são pacientes crônicos”, explicou Almir.

Em 2020, Mato Grosso do Sul registrou 591 casos novos de HIV e 267 casos novos de AIDS, número inferior ao de 2019, quando foram 962 casos novos de HIV e 422 casos de AIDS. Para Almir, o declínio nos casos se deve a uma contenção e busca para identificar e tratar os PVHIV.

“A instituição acredita que essa redução nos níveis de mapeamento, se deve pelo fato das pessoas estarem em tratamento, em situação ‘não detectável’ para o HIV, e isso ajuda que as pessoas não transmitam o vírus. E com a pulverização que aconteceu em todo MS, mais pessoas tiveram acesso aos testes. Existe uma busca ativa pelos trabalhos das instituições”, disse.

Medo do ‘positivo’

Em Mato Grosso do Sul, médico especialista no assunto avalia que o medo de testar positivo para o vírus é a maior barreira para iniciar o tratamento e consequentemente, salvar vidas.

O médico Roberto Paulo Bras Júnior, de 33 anos, trabalha no CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) de Campo Grande. Ele comenta que os testes e tratamento acontecem de forma gratuita, é seguro e sigiloso. Apesar disso, muitas pessoas preferem não realizar o teste por medo do resultado.

“Às vezes preferem não saber por medo. Aí essa pessoa vai adoecer e consequentemente morre, pois, o sistema imunológico fica fraco. Por isso é importante o diagnóstico. Se a pessoa não se trata, a doença viral se aproveita do sistema imunológico fraco”, disse o médico ao Jornal Midiamax.

O médico explica que o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é o vírus causador da Aids, enquanto a Aids, é o estágio avançado da infecção pelo HIV.

Com atendimento “portas abertas”, da qual não é necessário agendar, o morador pode ir ao CTA a quando desejar e á, receberá todo o suporte. Primeiramente, é necessário realizar um cadastro na recepção, depois disso, passa por um aconselhamento e depois realiza o teste. O resultado demora até 20 minutos para ficar pronto e depois disso, o paciente passa por um pós-aconselhamento, independente do resultado.

“Se deu positivo, ele precisará passar por acompanhamento, ele precisará passar por uma consulta medica. Quando positivo, começa o tratamento de 3 em 3 meses. Se ele tomou o medicamento corretamente em um período de 6 meses, ele pode ser considerado indetectável”, explicou o médico.

Se tornar um PVHIV (Pessoa Vivendo com o HIV) indetectável, significa que o organismo possui menos de 50 cópias virais. A partir daí a pessoa pode não transmitir o vírus e pode ter filhos biológicos, pois o bebê nascerá saudável, inclusive.

O CTA realiza em média mil consultas e testes por mês e fica localizado na Rua Anhanduí, 353 , na Vila Carvalho.

Casos em MS

Em Mato Grosso do Sul, no ano 2019, identificou-se 962 casos novos de HIV e 422 casos de AIDS, totalizando 1.384 PVHIV (Pessoas Vivendo com HIV). Destas, 957 (69%) eram do sexo masculino e 427 (31%) do sexo feminino. A série histórica da taxa de detecção por 100.000 hab., de 2008 a 2018, mostra um pequeno declínio, de 23,5 para 22,6 por 100.000 hab. (0,3 casos por 100.000 hab.).

Em 2020, registrou-se um declínio das notificações, foram 591 casos novos de HIV e 267 casos novos de AIDS, totalizando 858 PVHIV (dados parciais até 27/11/2020 – Sinan), sendo 602 homens (70%) e 253 mulheres (30%). E quem fornece tratamento para todas as PVHIV é o governo federal.

Jornal Midiamax