Cotidiano

Pacientes com sangue tipo A podem sofrer mais com o novo coronavírus, aponta estudo

Estudos realizados por cientistas europeus, apontam que pacientes com sangue tipo A podem ter maior risco de complicação por covid-19. Analisando diferentes pacientes e suas diversas reações à doença, os cientistas perceberam que pessoas com essa tipagem, tendem a sofrer ainda mais com o novo coronavírus. Segundo divulgou a Folha de São Paulo, analisando o […]

Cleber Rabelo Publicado em 08/06/2020, às 16h46

Foto ilustrativa | Reprodução.
Foto ilustrativa | Reprodução. - Foto ilustrativa | Reprodução.

Estudos realizados por cientistas europeus, apontam que pacientes com sangue tipo A podem ter maior risco de complicação por covid-19. Analisando diferentes pacientes e suas diversas reações à doença, os cientistas perceberam que pessoas com essa tipagem, tendem a sofrer ainda mais com o novo coronavírus.

Segundo divulgou a Folha de São Paulo, analisando o nosso DNA em busca de pistas, os cientistas conseguiram documentar uma forte ligação estatística entre variantes genéticas e a covid-19. Variações entre dois pontos do genoma humano estão associadas a um maior risco de falência respiratória em pacientes com a doença, segundo os pesquisadores. Um desses pontos inclui o gene que determina os tipos sanguíneos.

Conforme os geneticistas, ter sangue tipo A estava ligado a uma probabilidade 50% maior de um paciente precisar receber oxigênio ou entrar em ventilação mecânica. Foi comprovado, segundo pesquisas, que fatores como a idade e doenças subjacentes colocam as pessoas sob um risco maior de desenvolver um caso severo da doença.

Os estudiosos estão otimistas, porque descobrir o motivo que certos genes podem aumentar as chances de uma doença grave também poderá levar a novos alvos para os criadores de medicamentos.

Testes e conclusão

Os médicos tiraram amostras de sangue de 1.610 pacientes que precisaram receber oxigênio ou se submeter ao respirador artificial. Eles extraíram o DNA das amostras e o analisaram por meio de uma técnica rápida chamada genotipia.

Os pesquisadores não sequenciaram os 3 bilhões de letras genéticas do genoma de cada paciente, apenas 9 milhões de letras. Então eles realizaram a mesma pesquisa genética em 2.205 doadores de sangue sem evidência de covid-19.

Os cientistas procuraram pontos no genoma, chamados “loci”, onde um número incomumente alto de pacientes gravemente doentes compartilhavam as mesmas variantes, comparados com os que não estavam doentes.

Dois loci apareceram. Em um desses lócus está o gene que determina nosso tipo sanguíneo. Esse gene dirige a produção de uma proteína que coloca moléculas na superfície das células sanguíneas.

Não é a primeira vez que sangue tipo A aparece como um possível risco. Cientistas chineses que examinaram tipos sanguíneos de pacientes também descobriram que os do tipo A tinham maior probabilidade de desenvolver um caso grave de covid-19.

Pacientes com sangue tipo A podem sofrer mais com o novo coronavírus, aponta estudo
Ilustrativa

Ninguém sabe por quê. Enquanto um pesquisador ficou aliviado com o apoio do estudo chinês, ele só pôde especular como os tipos sanguíneos podem afetar a doença. “Isso está me assombrando, honestamente”, disse ele.

Ele também comentou que o lócus onde o gene do tipo sanguíneo se situa também contém um trecho de DNA que atua como chave liga-desliga de um gene que produz uma proteína que provoca fortes reações imunológicas.

Mil pesquisadores em 46 países estão coletando amostras de DNA de pessoas com a doença e começam a publicar dados no site da iniciativa.

Andrea Ganna, epidemiologista genético na Universidade de Helsinque (Finlândia), disse que os dados coletados pela iniciativa começam a indicar um ponto isolado no Cromossomo 3 como um ator potencialmente importante.

Não é comum que variantes genéticas surjam de estudos com tão poucas pessoas, disse Jonathan Sebat, geneticista na Universidade da Califórnia em San Diego, que não participou do novo estudo.

“Todos esperávamos com otimismo que esta fosse uma das situações”, disse Sebat.

Tentativas anteriores de encontrar loci genéticos que variassem significativamente entre pessoas doentes e saudáveis falharam.

Sebat cogitou que o novo estudo teve êxito porque os pesquisadores se concentraram empessoas que tinham falência respiratória e eram vulneráveis a forma gravde de covid-19.

Estudos novos, como o que ele dirige na Califórnia, permitirão que os cientistas aprimorem os conhecimentos sobre os loci, e se a relevância é tão importante quanto parece.

Jornal Midiamax