Cotidiano

Na fila do SUS há 20 anos, Helen faz vaquinha para custear cirurgia de redução de mama

Desde os 12 anos de idade, Helen Cristina, de 41 anos, teve um desenvolvimento anormal do tamanho dos seios, e a cada tempo que passava, as dores de coluna aumentavam por conta do peso das mamas, ao ponto dela ter que abrir mão de fazer coisas básicas. Para ajudar na redução urgente das mamas, ela […]

Karina Campos Publicado em 28/10/2020, às 14h12 - Atualizado às 17h26

Helen deixou de ir à igreja por conta do preconceito e dores. ( Foto: Arquivo Pessoal)
Helen deixou de ir à igreja por conta do preconceito e dores. ( Foto: Arquivo Pessoal) - Helen deixou de ir à igreja por conta do preconceito e dores. ( Foto: Arquivo Pessoal)

Desde os 12 anos de idade, Helen Cristina, de 41 anos, teve um desenvolvimento anormal do tamanho dos seios, e a cada tempo que passava, as dores de coluna aumentavam por conta do peso das mamas, ao ponto dela ter que abrir mão de fazer coisas básicas. Para ajudar na redução urgente das mamas, ela criou uma vaquinha online e conta com a solidariedade para fazer a cirurgia.

Na escola, ela sofria preconceitos e diariamente era constrangida por colegas ou pessoas na rua. Não eram apenas as dores físicas que começavam a incomodar. As piadas passaram a machucar e criar traumas. Ainda hoje, recebe críticas de outras pessoas pela condição.

“Já sofri abusos na escola, onde meninos apostavam entre eles para na hora dos intervalos virem ocorrendo e socarem meus seios. Chorei muito e ninguém fazia nada. Sempre gostei de cantar na igreja. E eu parei de ir, parecia que as pessoas não viam a Helen, não viam meus olhos, viam apenas peitos”, lamenta.

Helen foi diagnosticada com gigantomastia, uma hipertrofia mamária que em consequência aumenta o volume convencional dos seios. Além dos incômodos, a condição impõe riscos, inclusive, de câncer na mama. Ela entrou na fila do SUS (Sistema Único de Saúde) para ser submetida a cirurgia aos 18 anos, mas pela gravidade da situação, ela intensificou a busca por ajuda.

“Eu passei por vários profissionais, médicos. Há 5 anos, achei que finalmente seria chamada, mas perderam meus exames e tive que refazer. Lá fui eu atrás de novo, mas muitos consideram a cirurgia estética”, disse.

A luta parecia interminável, este ano, buscou atendimento na Defensoria Pública na cidade ondem mora, Ivinhema, mas recebeu mais um feedback negativo.

“Levei todos os papéis da minha jornada. O assessor do procurador me olhou com desdém e disse que os documentos estavam incompletos, que precisava de laudos atuais de ortopedistas, mas por causa da pandemia, a ortopedia daqui está atendendo apenas em casos de emergência. Mais uma vez fiquei de mãos atadas”, concluiu.

Dores diárias

Na fila do SUS há 20 anos, Helen faz vaquinha para custear cirurgia de redução de mama
A cada dia, os seios aumentam e, em consequência, as dores aumentam. (Foto: Arquivo Pessoal)

Helen precisou de muita força para continuar na luta diária para fazer a cirurgia. A cada mês, precisa encomendar sutiãs, pois nunca encontrou tamanhos certos em lojas de departamento. Além disso, precisou passar por terapia após desenvolver depressão e ansiedade.

“Meus sutiãs já estão passando dos 60 (centímetros). As dores pioram, e não só na coluna, mas nos seios. As glândulas doem tanto que queimam. E se eu não conseguir a cirurgia, tenho muita preocupação, pois o crescimento abrupto das mamas pode pender para o câncer de mama. Entrei em depressão e sofro com ansiedade, me isolo o máximo que posso. Hoje tenho acompanhamento psicológico por conta dos traumas”, explica.

O objetivo é arrecadar cerca de R$ 30 mil para auxiliar nos custos e despesas, da cirurgia considerada de risco. Para ajudar e conhecer mais a história da Helen, clique aqui

Jornal Midiamax