Cotidiano

Funcionários da Energisa recusam reajuste parcelado e cogitam greve em MS

Os eletricitários reprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho da Energisa-MS durante assembleia realizada pelo Sinergia-MS (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia) nesta segunda-feira (14). Os trabalhadores recusaram a proposta de reajuste mínimo de 4,77% – para repor as perdas da inflação, que seria pago em duas parcelas, conforme proposto pela ...

Gabriel Maymone Publicado em 14/12/2020, às 15h30 - Atualizado às 18h22

Eletricitários não descartam greve em MS. (Foto: Reprodução)
Eletricitários não descartam greve em MS. (Foto: Reprodução) - Eletricitários não descartam greve em MS. (Foto: Reprodução)

Os eletricitários reprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho da Energisa-MS durante assembleia realizada pelo Sinergia-MS (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia) nesta segunda-feira (14).

Os trabalhadores recusaram a proposta de reajuste mínimo de 4,77% – para repor as perdas da inflação, que seria pago em duas parcelas, conforme proposto pela concessionária. Na proposta reprovada pela categoria, a empresa prevê o pagamento de 2,36% em dezembro deste ano e 2,36% em junho de 2021.

Conforme o sindicato dos trabalhadores, a Energisa não sofreu os impactos da pandemia, uma vez que teria tido lucro de R$ 245,1 milhões nos primeiro nove meses do ano. O valor seria 5,8% superior ao mesmo período do ano passado.

“A reprovação da categoria é mais que justificada, a Energisa fez duas propostas de reajuste aos trabalhadores. A primeira de 2,70%, abaixo da inflação, e depois a inflação de 4,77% parcelada em duas vezes, sem efeitos retroativos, que são absolutamente incoerentes com os resultados financeiros registrados pela empresa em Mato Grosso do Sul”, afirma o
presidente do sindicato, Elvio Vargas.

A categoria reclama ainda que a Energisa foi a primeira empresa do setor a se beneficiar com a MP 936 (posteriormente convertida na Lei 14.020/2020), com redução ou suspensão de jornada e alteração de salários.

Funcionários da Energisa recusam reajuste parcelado e cogitam greve em MS
Votação da proposta feita pela Energisa. (Imagem: Reprodução)

“Houve redução dos custos da empresa, especialmente os custos de pessoal, que diminuíram 10,2% no período de janeiro a setembro de 2020. Saímos de um custo de R$ 300 milhões para R$ 268,69 milhões, uma economia para a empresa de R$ 32 milhões. A combinação de aumento de receitas e diminuição de despesas, entre outros elementos, possibilitou um lucro
líquido de R$ 128 milhões só no terceiro trimestre de 2020. No consolidado dos nove meses, mesmo com a pandemia, a Energisa/MS teve lucro de R$ 245,1 milhões. Este valor é superior em R$ 13,13 milhões ao registrado no mesmo período de 2019, que já tinha sido um ano excelente para a companhia”, destaca  a economista e supervisora técnica do Dieese
em Mato Grosso do Sul, Andreia Ferreira.

O presidente da entidade, Elvio Vargas, estima que aproximadamente 20% dos 1,5 mil trabalhadores da Energisa foram incluídos nos acordos da MP 936.

Reivindicações

As principais reivindicações dos eletricitários são ganho real, pagamento de 100% das horas extras, manutenção e ampliação dos direitos adquiridos, segurança alimentar (reajuste diferenciado nos tíquetes), e PCS justo, transparente e igualdade de oportunidades.

“Agora vamos comunicar à concessionária que 98% dos participantes da assembleia recusaram a proposta e que aguardamos uma nova rodada de negociação”, finaliza o presidente do Sinergia-MS, Elvio Vargas.

Em nota, o Sinergia/MS não descarta a possibilidade de paralisar as atividades, caso as negociações não avancem.

A reportagem procurou a Energisa para esclarecimentos, mas não obteve retorno até a publicação deste material. O espaço segue aberto para manifestação da empresa.

Jornal Midiamax