Cotidiano

‘Flagras’ se confirmam em números e MS tem o 2º pior isolamento social do país

A ação da Prefeitura de Campo Grande, em um intervalo de 5 horas, flagrou quase 600 pessoas ignorando as recomendações para evitar aglomerações e se manter o distanciamento social na sexta-feira (1º, feriado do Dia do Trabalhador) funcionam como uma perfeita tradução sobre como a população de Mato Grosso do Sul vem tratando a necessidade […]

Humberto Marques Publicado em 02/05/2020, às 16h00 - Atualizado em 26/07/2020, às 15h31

População vem ignorando a necessidade de aderir ao isolamento social. principalmente nos feriados. (Foto: Saul Schramm/Subcom)
População vem ignorando a necessidade de aderir ao isolamento social. principalmente nos feriados. (Foto: Saul Schramm/Subcom) - População vem ignorando a necessidade de aderir ao isolamento social. principalmente nos feriados. (Foto: Saul Schramm/Subcom)

A ação da Prefeitura de Campo Grande, em um intervalo de 5 horas, flagrou quase 600 pessoas ignorando as recomendações para evitar aglomerações e se manter o distanciamento social na sexta-feira (1º, feriado do Dia do Trabalhador) funcionam como uma perfeita tradução sobre como a população de Mato Grosso do Sul vem tratando a necessidade de isolamento para evitar o contágio pelo novo coronavírus (Covid-19). Durante o dia, a taxa de adesão à recomendação foi de 45,8%, a segunda pior do Brasil.

No caso específico da Capital, a taxa de isolamento foi um pouco inferior, chegando a 45,5%, ou seja, foi aceito por menos da metade da população. Contudo, em algumas regiões, o percentual ficou abaixo de 30%, casos dos bairros Rita Vieira (24,5%, novamente se colocando entre os piores no quesito), Nova Campo Grande (26,5%), Núcleo Industrial (o Indubrasil, 26,7%) e Jardim Imá (29,5%). No Tiradentes, chegou a 30,2%.

A assessoria do Governo do Estado anotou, ainda, que dos três últimos feriados nacionais –Paixão de Cristo, Tiradentes e Dia do Trabalhador–, o 1º de Maio teve a maior movimentação de pessoas nas ruas. O recolhimento social de 45,8% foi equivalente ao registrado durante dias de semana, quando a movimentação é maior por conta dos trabalhadores que seguem para seus empregos.

Ainda em relação aos dois feriados anteriores, a adesão ao recolhimento caiu consideravelmente: foi de 54,9% na Paixão de Cristo e de 56,1% no Dia de Tiradentes.

Os dados são computados nacionalmente pela consultoria In Loco, a partir da captação de movimentos de telefones celulares. Dentro do Estado, a diferença entre o município com maior adesão ao isolamento social (Vicentina, com 61,4%) e o de menor (Tacuru, 38%) foi de 23,4%.

Neste sábado, o prefeito Marquinhos Trad (PSD), em live nas redes sociais, chamou a atenção para o fato de que a população tem ignorado os apelos para ficar em casa por não compreender a gravidade e a letalidade do novo coronavírus, colocando-se em risco e levando a doença para o ambiente familiar.

Represa

Apesar da negligência de parte da população, o Estado tem conseguido manter índices baixos de contaminação: boletim da SES divulgado neste sábado apontou 266 casos confirmados (5 a mais que na sexta-feira, 1º) e 9 óbitos. As taxas de ocupação dos mais de 1,1 mil leitos hospitalares também são mínimas: há 17 vagas em hospitais ocupadas, sendo 13 clínicas e 4 de UTIs.

Mesmo com essa suposta folga, o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, reforça a necessidade de se manter o isolamento social para evitar a disseminação do coronavírus, contra o qual não há vacina ou mesmo um remédio de eficácia cientificamente comprovada. “É a melhor vacina até o presente momento”, disse.

As autoridades locais de Saúde creditam o bom resultado de Mato Grosso do Sul para conter o coronavírus até aqui às medidas de isolamento social adotadas há cerca de um mês, mas advertem que as manifestações da Covid-19 acontecem de duas a três semanas após o contágio –assim, a maior circulação de pessoas agora poderá representar em resultados após a metade do mês. O trabalho tem sido o de preparar a rede de saúde para receber esse aumento sem entrar em colapso, a exemplo do que ocorre em cidades como Manaus (AM), Fortaleza (CE), Recife (PE) e o Rio de Janeiro (RJ).

Jornal Midiamax