Cotidiano

Fizemos as contas: Afinal, como se manter com o auxílio de R$ 600?

Apenas com auxílio emergencial de R$ 600 uma família campo-grandense teria que optar entre os gastos essenciais para sua sobrevivência.

Dândara Genelhú Publicado em 12/04/2020, às 08h41 - Atualizado em 13/04/2020, às 08h47

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Pensando no auxílio emergencial de R$ 600, disponibilizado pelo Governo Federal para autônomos, informais e MEIs (microempreendedores individuais) durante a pandemia do coronavírus, o Jornal Midiamax resolveu ilustrar os gastos médios de uma família campo-grandense. Adiantando as estimativas, com este valor uma família campo-grandense teria que optar entre os gastos essenciais para sua sobrevivência.

Com a pandemia do Covid-19, o novo coronavírus, muitas famílias tiveram seus rendimentos financeiros afetados, principalmente trabalhadores autônomos, informais e MEIs (microempreendedores individuais). O cenário ilustrado por esta reportagem é de uma família com quatro pessoas e apenas um beneficiário do auxílio emergencial.

Em pesquisa rápida, o preço mais baixo encontrado para uma cesta básica foi de R$ 210. Neste tipo de kit os itens básicos como arroz, feijão, açúcar e óleo são em maior quantidade, mas também é composto por macarrão, trigo, biscoitos, café, milho verde e outros alimentos não perecíveis. Nesta cesta também é incluso material de limpeza, como sabão em pó e desinfetante.

Fizemos as contas: Afinal, como se manter com o auxílio de R$ 600?

De acordo com o Guia Alimentar do Ministério da Saúde, é recomendado que cada pessoa consuma pelo menos um bife de carne vermelha por dia, com peso médio de 0,71 kg. Multiplicando esta quantidade para quatro pessoas, por um mês, seria equivalente a 8,52 kg. Usando como exemplo acém, encontrado por até R$ 14,99, o custo mensal para consumo de carne desta família seria de R$ 127,71.

Uma família que gaste menos que 20 mil litros de água no mês e se encaixe na tarifa social da Sanesul ainda pagará pelo menos R$ 10,36 na fatura mensal. Já na conta de energia, com consumo de até 30 kWh e tarifa social na Energisa, a família pagará pelo menos R$ 16,77.

Considerando gastos também com serviços de internet, tecnologia essencial para o estudo à distância em tempos de pandemia, foi calculado uma mensalidade de R$ 89 para um pacote mínimo de internet via rádio. Como gasto de moradia foi estimado o valor de R$ 400, valor mínimo para o aluguel de uma casa de alvenaria em bairros da periferia de Campo Grande.

Com todos os gastos esta família teria que desembolsar R$ 853,84 para manter as mínimas condições de alimentação e moradia para viver. Em um cenário que apenas um membro da família consiga o auxílio emergencial de R$ 600, esta família teria que optar por serviços básicos ou cortes na alimentação.

Em Campo Grande, as famílias que residem em habitações populares tiveram as parcelas da moradia suspensas por quatro meses. Serviços como água e luz estão proibidos de serem cortados pelo prazo inicial de 90 dias.

Jornal Midiamax