Cotidiano

Entenda como o Paraguai tem 66 mortes por Covid-19 e o que MS deveria aprender

Vizinho de Mato Grosso do Sul, o Paraguai obteve resultados significativamente melhores no combate ao coronavírus, que causa a Covid-19. Desde o início da pandemia, o país registrou até o dia 6 de agosto 66 mortes e 6.375 casos, enquanto que MS se aproxima da marca dos 30 mil infectados e tem 458 óbitos. Primeiro, […]

Gabriel Maymone Publicado em 09/08/2020, às 10h17 - Atualizado em 10/08/2020, às 09h34

Logo no início da pandemia, governo restringiu circulação de pessoas e barrou entradas por países vizinhos. (Foto: Getty Images)
Logo no início da pandemia, governo restringiu circulação de pessoas e barrou entradas por países vizinhos. (Foto: Getty Images) - Logo no início da pandemia, governo restringiu circulação de pessoas e barrou entradas por países vizinhos. (Foto: Getty Images)

Vizinho de Mato Grosso do Sul, o Paraguai obteve resultados significativamente melhores no combate ao coronavírus, que causa a Covid-19. Desde o início da pandemia, o país registrou até o dia 6 de agosto 66 mortes e 6.375 casos, enquanto que MS se aproxima da marca dos 30 mil infectados e tem 458 óbitos.

Primeiro, é importante destacar que o Paraguai tem quase 3 vezes a população de MS e um território mais extenso também. O que poderia ser uma dificuldade para enfrentar a doença, não se concretizou.

Para entender como Paraguai conseguiu resultados expressivos, é necessário expor que o país vizinho iniciou medidas de restrição mais severas desde o início da pandemia.

No início de fevereiro, quando nenhum caso de covid-19 havia sido registrado ainda, o governo de Mario Abdo Benítez suspendeu os vistos para todos os cidadãos da República Popular da China, bem como para qualquer estrangeiro que viajasse para a China continental.

Então, em 10 de março, três dias após a confirmação dos dois primeiros casos no país – os de dois cidadãos do Equador e da Argentina – Abdo, apoiado pelo ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, decretou o isolamento preventivo em nível nacional.

As autoridades decretaram quarentena total, uma das mais rigorosas da região. Os paraguaios tinham que ficar trancados em suas casas e só podiam comprar comida e remédios, em caso de emergência ou se fossem trabalhadores essenciais.

Júlio Croda
O secretário substituto de Vigilância em Saúde, Júlio Croda. (Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil)

Exemplo

O médico infectologista e ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda, avaliou que, mesmo com a transmissão mais avançada da doença, as ações podem ajudar Mato Grosso do Sul. “Agora que é extremamente necessário. Elas [ações restritivas] são válidas em qualquer momento, pois diminuem a taxa de contágio com ações restritivas”, ressalta.

Conforme o especialista, essas ações restritivas são responsáveis pelo sucesso no enfrentamento da doença no Paraguai. “Porque eles mantêm essas medidas. O governo paraguaio deixou clara a comunicação com a população, que aderiu”, pontua.

Essa clareza de comunicação foi o que não aconteceu no Brasil e isso, segundo Croda atrapalhou o combate à Covid-19. “Aqui temos um presidente que fala uma coisa, estado fala outra e município outra. Esse é o problema”, avalia.

Lockdown

Para o especialista, diante do cenário que MS passa, principalmente Campo Grande, o mais indicado seria o lockdown. “Não tem dúvida, agora é o ideal, porque não tem outro jeito”, finaliza.

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