Cotidiano

Começa obra de biofábrica de mosquitos ‘antidengue’ em Campo Grande

Aedes aegypti produzidos no local terão bactéria que impede transmissão da dengue, zika e chikungunya; liberações começam em setembro.

Humberto Marques Publicado em 09/06/2020, às 17h45 - Atualizado às 17h47

Obra de biofábrica de mosquito antidengue começou ao lado do Lacen, na Vila Ipiranga. (Foto: Divulgação)
Obra de biofábrica de mosquito antidengue começou ao lado do Lacen, na Vila Ipiranga. (Foto: Divulgação) - Obra de biofábrica de mosquito antidengue começou ao lado do Lacen, na Vila Ipiranga. (Foto: Divulgação)

Já estão em andamento as obras para construção da biofábrica de mosquitos antidengue em Campo Grande. A estrutura funcionará ao lado do Lacen (Laboratório Central), na Vila Ipiranga, e produzirá mosquitos Aedes aegypti contaminados com uma bactéria que impede a procriação. A unidade deve começar a operar em agosto.

A biofábrica integra o WMP (World Mosquito Programa), conduzido no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) com apoio do Ministério da Saúde, Governo do Estado e Prefeitura de Campo Grande. A reforma do espaço de cerca de 100 metros que abriga os criadouros deve durar 60 dias.

A estrutura abrigará salas para produção de mosquitos antidengue (com a bactéria Wolbachia), triagem de larvas usadas no monitoramento e preparação do material a ser enviado para a sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, para testes. Devem ser produzidos 1,5 milhão de mosquitos com a bactéria por semana na fábrica.

“Essa produção irá atender o município de Campo Grande e também as pesquisas que são feitas para manutenção da colônia e viabilidade do Método Wolbachia”, disse o líder do projeto no Brasil, Luciano Moreira.

Ele ainda explicou que as liberações de mosquitos “fabricados” são temporárias, uma vez que, com o tempo, os mosquitos vão se reproduzir e transmitir a Wolbachia, reduzindo gradualmente a transmissão de dengue, zika vírus e de febre chikungunya.

Como o mosquito antidengue trabalha

O método Wolbachia deve ser implementado em Campo Grande ao longo de 3 anos. Mosquitos da cidade foram capturados e levados ao Rio, onde procriaram com outros insetos já infectados com a bactéria –isso permitiu que um mosquito com as características da cidade porte o anticorpo, que impede a reprodução do Aedes.

A técnica não envolve modificação genética e deve complementar as ações realizadas para enfrentamento do Aedes (como o extermínio de larvas e criadouros). Espera-se que os primeiros mosquitos infectados sejam liberados em setembro.

A Wolbachia está presente em 60% dos insetos da natureza, mas não no Aedes aegypti. A bactéria impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam no mosquito, que deixa de transmitir essas doenças. Com o tempo, insetos infectados substituem a população de mosquitos com esses vírus.

As liberações ocorrerão em 6 fases, cada uma durando de 16 a 20 semanas. Os primeiros bairros a receber a iniciativa global estão no sul da cidade: Guanandi, Aero Rancho, Batistão, Centenário, Coophavila II, Tijuca e Lageado.

Jornal Midiamax