Cotidiano

Doações chegam, mas transporte de alimentos para animais é mais um desafio no Pantanal

O final de semana foi de sorte para equipes do grupo SOS Animais do Pantanal, que conseguiram transportar as 5 toneladas de alimentos doados de Campo Grande para Corumbá. Uma empresa de ônibus cedeu o transporte das frutas que alimentarão animais que sofrem com as queimadas no Pantanal. Mas nem sempre levar comida até os […]

Danielle Errobidarte Publicado em 12/10/2020, às 15h00 - Atualizado em 13/10/2020, às 08h04

Voluntários cortam frutas antes de entregar aos animais. (Foto: Henrique Arakaki)
Voluntários cortam frutas antes de entregar aos animais. (Foto: Henrique Arakaki) - Voluntários cortam frutas antes de entregar aos animais. (Foto: Henrique Arakaki)

O final de semana foi de sorte para equipes do grupo SOS Animais do Pantanal, que conseguiram transportar as 5 toneladas de alimentos doados de Campo Grande para Corumbá. Uma empresa de ônibus cedeu o transporte das frutas que alimentarão animais que sofrem com as queimadas no Pantanal. Mas nem sempre levar comida até os animais para evitar uma nova tragédia causada pela fome é missão fácil de ser cumprida.

Os voluntários estavam há dias sem transportar alimentos. Isso porque o trajeto dos pontos de arrecadação em Campo Grande e Corumbá são feitos em caminhões refrigerados emprestados por empresas, geralmente feitos uma vez por semana.

Durante expedição ao Pantanal, o repórter fotográfico do Jornal Midiamax Henrique Arakaki encontrou uma das equipes trabalhando às margens da MS-184, na Estrada Parque. Os voluntários levaram 1,8 mil quilos de frutas fatiadas, que seriam distribuídas em 13 pontos ao longo da rodovia.

Conforme explicou o voluntário responsável pelas arrecadações em Corumbá, Jeferson Braga, a PMA (Polícia Militar Ambiental) cedeu um posto na região do Buraco das Piranhas, além de algumas viaturas e policiais para ajudar, inclusive, num segundo trabalho feito por eles, que é a retirada dos lixos jogados por turistas ao longo das rodovias.

“Tudo que a gente fizer não vai ser suficiente, mas é necessário. Se um passarinho ou um porco do mato já se alimentar do que trouxemos, nosso objetivo já foi alcançado” – diz Jeferson.

Doações chegam, mas transporte de alimentos para animais é mais um desafio no Pantanal
Comida é levada pelo menos uma vez por semana de Corumbá e Campo Grande até os pontos de distribuição. (Foto: Henrique Arakaki)

O volume de doações é esperançoso. Os pontos ficam nas casas dos próprios voluntários e espalhados pelas duas cidades, como em um escritório de advocacia, por exemplo. “Uma professora disponibilizou a casa uma vez por semana. É tudo voluntário, fazemos mutirão de arrecadações”, explica a voluntária responsável pelas arrecadações em Campo Grande, Jaqueline Gonçalves.

A quantidade de ‘viagens’ depende do volume de alimentos arrecadados. Segundo Jaqueline, é preciso encontrar um meio termo para que o tempo entre uma viagem e outra não seja tão longo a ponto de estragar os alimentos armazenados, e nem tão depressa para não desperdiçar os poucos caminhões disponíveis. Na Capital, as doações são armazenadas em uma câmara fria, emprestada por uma distribuidora de bebidas.

Os alimentos são distribuídos ao longo da estrada parque e em pontos estratégicos, sempre embaixo de sombras. As frutas e legumes são colocadas no solo e penduradas em galhos, semelhantes a como os animais a encontrariam se a vegetação não tivesse sido destruída pelas chamas.

Doações chegam, mas transporte de alimentos para animais é mais um desafio no Pantanal
Algumas carcaças de animais são encontradas pelos voluntários entre um ponto de alimentação e outro. (Foto: Henrique Arakaki)

Jaqueline ainda explica que é difícil encontrar animais ao longo das rodovias ou próximos às estradas, uma vez que são animais silvestres e esses casos acontecem apenas quando estão debilitados. “Colocamos os alimentos em pontos certos que aparecerão espécies por ali, como próximos a locais que tenham água, para que eles encontrem juntos os alimentos”, explica.

Ainda segundo ela, em áreas devastadas pelo fogo há poucos dias, os voluntários tentam encontrar um lugar para fazer sombra a cada um quilômetro. A reposição é feita a cada três dias e os voluntários observam quais alimentos os animas têm preferência. “Por exemplo, falaram que eles não gostam de chuchu, mas não achamos nenhum artigo na literatura falando sobre isso. Colocamos e eles comeram. Claro que têm preferências, mas não é que não comam. A casa que fica afastamos para não ficar como resíduos e depois de uns 90 dias o próprio solo já decompôs”, afirma Juliana.

Como ajudar

Segundo os voluntários, os animais preferem alimentos ricos em água, como melancia, laranja e melão. Os únicos que a SOS Animais do Pantanal não recebe são alface, abacate e berinjela, pois algumas espécies não podem comer. Neste fim de semana foram levadas mais de cinco toneladas de alimentos, segundo Juliana.

“A arrecadação está boa, em três dias recebemos 10 toneladas, as pessoas entendem a importância. O problema mesmo está sendo o transporte. Uma empresa assumir é complicado, em questão de custos, mas se cada um fizer um transporte por semana ajuda e muito” – diz Jaqueline.

Quem deseja contribuir com doações de alimentos ou disponibilização de caminhões para o transporte, pode entrar em contato com a ONG através do número (67) 9 9177-2734 e falar com a Fernanda, responsável pelo controle da coleta.

Jornal Midiamax