Cotidiano

Com casos de coronavírus em frigoríficos de MS, carne crua pode fazer mal?

A confirmação de casos de trabalhadores de frigoríficos de Mato Grosso do Sul com Covid-19 (243 trabalhadores infectados) fez levantar a dúvida se o consumo da carne crua – como no quibe cru ou no carpaccio – poderia oferecer risco de contaminação. Apesar de não existir comprovação científica sobre uma possível transmissão do coronavírus ao […]

Gabriel Maymone Publicado em 30/05/2020, às 08h47 - Atualizado em 31/05/2020, às 10h28

Quibe-cru é um prato árabe que contém carne crua. (Imagem: Divulgação)
Quibe-cru é um prato árabe que contém carne crua. (Imagem: Divulgação) - Quibe-cru é um prato árabe que contém carne crua. (Imagem: Divulgação)

A confirmação de casos de trabalhadores de frigoríficos de Mato Grosso do Sul com Covid-19 (243 trabalhadores infectados) fez levantar a dúvida se o consumo da carne crua – como no quibe cru ou no carpaccio – poderia oferecer risco de contaminação.

Apesar de não existir comprovação científica sobre uma possível transmissão do coronavírus ao ingerir a carne sem passar pelo processo de cozimento, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a prática seja evitada. “Como regra geral, o consumo de produtos de origem animal crua ou mal cozida deve ser evitado. Carne crua, leite fresco ou órgãos de animais crus devem ser manuseados com cuidado para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos”, conforme trecho de nota técnica da organização.

A nutricionista Ana Paula Pereira reforça o posicionamento da OMS. “O mais indicado é que não se consuma a carne crua ou seja feito o cozimento ou fritura acima de 70 graus. Algumas pessoas usam limão ou até mesmo pimenta na carne crua, mas isso não é o suficiente”, alerta.

Além disso, a profissional alerta sobre medidas que devem ser adotadas no preparo do alimento, para evitar contaminação. “Higiene sempre das mãos de quem for preparar o alimento. Lavar a carne não é considerado seguro”, pontua.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nota esclarecendo que não há evidências de contaminação pela ingestão de alimentos, porém o contágio pode ocorrer por meio de superfícies. O vírus pode persistir algumas horas ou até dias, dependendo do local em que está.

Por isso, a recomendação de se evitar o consumo de alimentos crus, pois se a superfície do alimento estiver contaminada – fato que pode ocorrer no frigorífico, transporte, açougue ou até mesmo na hora de preparar o prato – pode haver contaminação.

Conforme a OMS, após o tratamento do alimento pelo calor seja por fritura ou cozimento, elimina o vírus caso esteja contaminando a carne crua, mas é preciso evitar que após o aquecimento não haja uma nova contaminação. Para isso, os cuidados de higiene devem ser tomados durante o preparo.

Jornal Midiamax