Cotidiano

Com baixo índice de vacinação, Campo Grande pode reviver doenças erradicadas

Com objetivo de criar uma barreira ente as doenças e o sistema imunológico das crianças, as campanhas de multivacinação são peça chave na prevenção de doenças já extintas.  Entretanto, com a queda anual na adesão de vacinas, Campo Grande registra atualmente sete casos importados de sarampo. Outrora erradicadas, essas doenças podem voltar devido a falsa […]

Ranziel Oliveira Publicado em 21/11/2020, às 08h00 - Atualizado às 13h29

Ilustrativa (Foto: Divulgação)
Ilustrativa (Foto: Divulgação) - Ilustrativa (Foto: Divulgação)

Com objetivo de criar uma barreira ente as doenças e o sistema imunológico das crianças, as campanhas de multivacinação são peça chave na prevenção de doenças já extintas.  Entretanto, com a queda anual na adesão de vacinas, Campo Grande registra atualmente sete casos importados de sarampo. Outrora erradicadas, essas doenças podem voltar devido a falsa percepção de segurança e a disseminação de fake news sobre o assunto.

Para o coordenador de imunização da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) de Campo Grande, Evandro Ramos, de 39 anos, é necessário compreender a importância das campanhas de poliomielite e multivacinação e o risco da não vacinação.

Na campanha de multivacinação, o objetivo é a atualização das carteirinhas, sem um número mínimo estipulado de vacinações. Desde o início da campanha, somando as vacinas de poliomielite e de multivacinação, cerca de 80% das crianças da Capital estavam com atraso no calendário de vacinação, em média, de quase 1 ano.

Segundo o Ministério da Saúde, a meta da campanha de poliomielite é atingir imunização de 95% das crianças entre 1 a 5 anos. Em Campo Grande, somente 49,12% das crianças foram imunizadas até esta sexta-feira (20). Logo, somente 23.630 crianças foram vacinadas enquanto a meta é 48.110.

Conforme o coordenador das duas campanhas, o município disponibiliza a vacinação em 71 unidades de saúde. Algumas funcionando em horário de almoço, expediente estendido, final de semana e feriados. “Temos oferta, existe uma baixa na procura”, afirma Evandro.

Medo de vacinar?

De acordo com os indicadores da Sesau, o coordenador afirma que a queda na procura pelas vacinas vai além do receio de sair de casa, gerado pela pandemia. Desde 2015, existe uma queda recorrente na cobertura vacinal conquistada pelas campanhas de imunização.

“Existe o fator que a população está com receio, não temos uma pesquisa nesse sentido, mas percebemos isso. Outro fator envolve a responsabilidade dos pais, o último caso de pólio no Brasil foi em 1989, não temos crianças convivendo com pólio e isso traz uma falsa percepção que está tudo bem”, detalhou.

Outro ponto é a velocidade com que as notícias falsas circulam, Evandro explica que as fake news sobre a vacina com temas do tipo: “vacinas matam ou servem pra controlar as pessoas” são difíceis de desmistificar, o que contribui para a desinformação. E reforça, o ideal é que a população procure uma unidade de saúde para tirar suas dúvidas.

“Quando o cidadão procura uma unidade de saúde ele será atendido por um profissional da área, eles têm toda a orientação sobre a vacina e esclarecerão se a notícia é verdadeira ou não”, explicou.

A consequência de tal irresponsabilidade, pode levar ao retorno de doenças já erradicas. “Em Campo Grande temos sete notificações de sarampo, mas são casos importados, que não tiveram origem aqui. A nível nacional já existem mortes pela doença. Ela estava erradica, isso significa que as pessoas não estão imunizadas”, finalizou o coordenador.

Como funciona a vacina

Existem dois processos de imunização do nosso organismo. O primeiro sem a vacina: há pessoas que nunca tiveram contato com a doença, e neste caso, quando entram em contato com o agente infeccioso, ficam doentes. A partir desse momento o corpo vai tentar reagir, o sistema imunológica irá fazer o combate com os microrganismos para gerar uma memória de defesa, os famosos Anticorpos. Como consequência a pessoa tem sintomas da doença, sequelas e pode até morrer por não ter proteção contra a doença.

Com a vacina: Um dos componentes da vacina são toxinas ou vírus inativados, esse componente ativa o nosso sistema imunológico, o fazendo entender que o agente é uma doença, gerando a memória de defesa. Essa partícula inativa não causa danos ao organismo.

Quando a pessoa já está imunizada, se houver contato com o vírus ou bactéria de uma doença, o organismo já irá reconhecer e estará preparado para neutralizá-lo, dando uma reposta mais rápida, não permitindo que o indivíduo fique doente ou tenha sequelas.

As campanhas de poliomielite e de multivacinação começaram no dia 5 de outubro e foram prorrogadas até 30 de novembro de 2020. Se você ainda não vacinou seu filho ou quer atualizar a carteirinha, confira neste link onde encontrar a unidade de saúde mais perto da sua casa.

Jornal Midiamax