Cotidiano

#CG121: Aulas on-line que vieram para facilitar, acabaram virando pesadelo de estudantes

A internet traz facilidade à vida de muita gente e, no contexto da pandemia, foi a solução criativa encontrada pelas escolas públicas e particulares diante da impossibilidade de aglomerar estudantes em aulas presenciais: agora, o ambiente escolar tem enquadramento de uma aula virtual por videoconferência. Só que nem todo mundo se adaptou bem a esta […]

Thatiana Melo Publicado em 24/08/2020, às 14h00 - Atualizado às 19h07

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A internet traz facilidade à vida de muita gente e, no contexto da pandemia, foi a solução criativa encontrada pelas escolas públicas e particulares diante da impossibilidade de aglomerar estudantes em aulas presenciais: agora, o ambiente escolar tem enquadramento de uma aula virtual por videoconferência. Só que nem todo mundo se adaptou bem a esta nova realidade.

Mesmo que mais conectados às linguagens virtuais, aulas restritas à internet acabaram virando um grande pesadelo. Com a pandemia que se instalou no mundo desde o ano passado e chegou ao Brasil neste ano de 2020, muitos alunos se viram obrigados a mudarem drasticamente a sua rotina, que antes e resumia a ir para escola, socializar com os colegas e cumprir suas obrigações escolares na sua maioria em casa.

Para Giovana Zanuncio Vanni, estudante a escola Estadual Emygdio Campos Vidal, em Campo Grande, achava que ia tirar de letra a rotina de aulas on-line. Com o tempo, porém, ela descobriu que não era bem assim.#CG121: Aulas on-line que vieram para facilitar, acabaram virando pesadelo de estudantes

“Encontrei muita dificuldade, já que era um meio que a gente não mexia. A gente teve de aprender a mexer em aplicativos, e até os professores precisaram aprender”, disse Giovana, que afirmou preferir muito mais assistir as aulas presenciais do que as aulas on-line, já que sente dificuldade em algumas áreas como a da exatas.

Ela ainda relata a dificuldade em tirar dúvidas longe das salas de aula, como também a concentração dentro de casa, já que o tempo precisa ser otimizado e bem distribuído para dar conta de fazer tudo e entregar trabalhos, tarefas dentro dos prazos estipulados pelos professores.

“Está sendo muito difícil, já que pensávamos que no começo ia ser fácil por ser internet, mas é muito difícil”, disse Giovana que falou que não conseguiu se adaptar a esse novo modo de estudar.

Outra estudante que sentiu dificuldades e prefere muito mais as aula presenciais, é a aluna do 2º ano Evelyn Rebeca Nantes Moraes. “As aulas remotas estão me deixando bem insegura comigo mesma, não me sinto segura para fazer uma atividade sozinha”, diz Rebeca, que ainda afirma que as aulas on-line não prendem a sua atenção e que a rotina ficou mais puxada.

“Tenho que pensar o tempo inteiro nas atividades e no prazo para a entrega”, conta a estudante. Ainda segundo Rebeca, as aulas presenciais a ajudam a aprender muito mais.

Tem que ter rotina

Para a psicopedagoga Glaucia Benini, a iniciativa de transmitir as aulas pela TV ou pela internet é ótima. Além de ter o apoio das ferramentas virtuais, elas mantêm o vínculo entre os alunos e as matérias. Benini reforça, porém, que o rendimento dos estudantes será melhor se assistir aulas televisionadas estiverem associadas a uma rotina de estudos.

“É importante ele manter uma rotina de estudo no mesmo horário em que ele era acostumado. Se ele estudava à tarde, as aulas devem ser assistidas à tarde. Se pela manhã, as aulas serão pela manhã. Isso ajuda a manter o foco e a concentração”, comenta. Segundo ela, até mesmo colocar o uniforme escolar reforça que a necessidade de disciplina em cumprir a rotina.

O professor e pedagogo Carlos dos Santos também reforça a necessidade de se criar a rotina, mas entende que os obstáculos são muitos. “O uso do celular, o barulho da cozinha, outros irmãos ou membros da família se movimentando… São questões que dificultam a concentração de quem estiver assistindo às aulas. Por isso, todos precisam colaborar naquela casa”, acrescenta. Os especialistas prepararam recomendações para que o rendimento das teleaulas seja o melhor possível. Confira:

Mantenha a rotina

É fundamental que os alunos tenham uma rotina de estudos, tanto no horário das aulas como no contraturno, quando as atividades devem ser revisadas. Dessa forma, toda a família precisa colaborar para fazer o menor número de interferências nos estudos, como diminuir movimentação no ambiente da TV, bem como evitar fazer barulhos e demais distrações.

Longe do celular

Com aulas transmitidas pela TV, estudantes precisam abraçar rotina e ‘desligar’ do celular
Foto ilustrativa | Secretaria de Educação de SP

Os gadgets eletrônicos, como celulares, tablets, computadores, notebooks e quaisquer outros dispositivos interativos que possam oferecer distrações, precisam ficar à distância dos estudantes durante as aulas. Pais e responsáveis precisam reforçar que, naquele horário, a prioridade é o estudo.

Vista o uniforme

O uso do uniforme escolar durante a transmissão das aulas é uma maneira de aumentar o foco e de reforçar que é o momento de estudos, tal qual como ocorria nas escolas. Desta forma, o uso é incentivado, associado às demais recomendações.

Material escolar à mão

Diferente dos celulares, cadernos, livros, canetas, lapiseiras e demais acessórios educativos devem ficar próximos dos estudantes, que precisam fazer as anotações da mesma maneira que fariam nas escolas, presencialmente.

Revisar

Os especialistas sugerem que pais e responsáveis “tomem nota” do que o aluno aprendeu após a aula, como forma de verificar se o rendimento em relação ao que foi apresentado nas teleaulas foi absorvido. A repetição, no caso, proporciona assimilação do conteúdo e também serve de termômetro para saber se a aula teve bom aproveitamento.

Pós-aula

No contraturno, quando o estudante não estiver em aula, os exercícios precisam ser realizados e o conteúdo revisto, numa segunda revisão, de forma que as matérias não fiquem acumuladas. Funciona da mesma maneira de antes, com as atividades de casa, mesmo que agora, nesse momento, toda a rotina seja domiciliar (colaborou Guilherme Cavalcante).

Jornal Midiamax