Cotidiano

Ceia natalina com mais de dez pessoas já é aglomeração, alerta pesquisador

Diante do aumento do número de novos casos e de internações por coronavírus, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou toque de recolher em todos os 79 municípios do Estado com decreto oficializado nesta sexta-feira (11) e que começa a valer na segunda (14). O decreto tem permanência de 15 dias, ou seja, vai valer […]

Mariane Chianezi Publicado em 12/12/2020, às 11h41 - Atualizado em 13/12/2020, às 08h04

Foto: Reprodução
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Diante do aumento do número de novos casos e de internações por coronavírus, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou toque de recolher em todos os 79 municípios do Estado com decreto oficializado nesta sexta-feira (11) e que começa a valer na segunda (14). O decreto tem permanência de 15 dias, ou seja, vai valer até o dia 29 de dezembro.

Desta forma, o Natal, cujas celebrações começam na noite do próximo dia 24, acontecerá em meio à medida para conter o avanço do coronavírus e os moradores devem ficar atentos para evitar aglomerações e também estar nas ruas entre às 22h e 5h.

O problema é que as recomendações sobre aglomerações vão influenciar em cheio o costume familiar, que costuma reunir na mesa diversas gerações de uma mesma família. De acordo como explicado pelo infectologista e pesquisador da Fio Cruz, Júlio Croda, os sul-mato-grossenses devem se atentar para a quantidade de familiares que serão reunidas na ceia de Natal, pois a partir de 10 pessoas já é considerado aglomeração.

Aqueles que desejarem visitar um familiar no Natal também deverá seguir todas as recomendações de biossegurança, dentre elas, o isolamento de 14 dias para ‘excluir’ qualquer chances de manifestação do vírus. A propósito: quem acatar a recomendação à risca precisaria ter começado o rigor no isolamento na última sexta-feira (11).

Fim de ano ‘diferente’

Para muitas famílias que anualmente gostam de reunir todo mundo e comemorar os feriados de fim de ano, em 2020 as coisas precisarão de uma nova adaptação, com um Natal e Ano Novo ‘diferente’ do tradicional. Família somente a de casa, videochamadas, ligações, tudo mais singelo, como se fosse um “plano de biossegurança”.

Assim será o Natal da família de Guilhermis Idalino, de 23 anos, que neste ano optaram por realizar uma celebração mais intimista, apenas com a ‘galera de casa’.

“O Natal será eu, meu pai, minha avó e minha mãe. Provavelmente vamos na outra avó, mas será poucas pessoas mesmo. Antes, íamos na casa da minha bisavó, juntava bastante parentes, mas esse ano seremos mais quietinhos”, comentou o estudante de psicologia, que também revelou que o tradicional amigo secreto da família ficou para o próximo ano devido a pandemia.

Para preservar a saúde da avó, que tem 70 anos, a família de Paloma Ortega, de 23 anos, também decidiu não reunir todo mundo para a celebração natalina e nem a virada de ano. “Minha avó é diabética, então não vamos reunir a família como nos anos anteriores por conta da pandemia. A nossa família sempre se reúne na casa dela mas esse ano vai ser diferente”, explicou.

Medidas restritivas

É importante ressaltar que o toque de recolher não é a mesma coisa que o lockdown. No caso da medida em MS, o decreto permite a circulação das pessoas em casos específicos, autorizando até o serviço de delivery. O lockdown é muito mais rígido, não acontece somente durante a noite e as pessoas precisam até de autorização para sair de casa.

Para cidades que já tinham um toque de recolher, a situação não deve mudar. É o caso de Campo Grande, que já tinha determinado o toque de recolher das 22h às 5h. O toque de recolher estadual busca impor uma restrição na circulação em todas as cidades, já que muitas ainda não tinham tomado uma medida para controle do coronavírus.

A fiscalização será realizada pela Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Vigilância Sanitária Estadual. Guardas municipais e vigilâncias sanitárias municipais vão reforçar a inspeção.

Jornal Midiamax