Cotidiano

Após 212 dias de pandemia, não há como definir se MS chegou na imunidade de rebanho, diz infectologista

Mato Grosso do Sul já enfrenta há 212 dias a pandemia de coronavirus, desde os primeiros casos confirmados registrados no mês de março. Embora o longo período, especialista afirma que ainda não há como saber se o Estado já alcançou a fase de imunidade de rebanho e/ou se representa um cenário do ‘fim da Covid-19’. […]

Karina Campos Publicado em 10/10/2020, às 13h08 - Atualizado em 11/10/2020, às 07h43

(Foto: Arquiv/ Jornal Midiamax)
(Foto: Arquiv/ Jornal Midiamax) - (Foto: Arquiv/ Jornal Midiamax)

Mato Grosso do Sul já enfrenta há 212 dias a pandemia de coronavirus, desde os primeiros casos confirmados registrados no mês de março. Embora o longo período, especialista afirma que ainda não há como saber se o Estado já alcançou a fase de imunidade de rebanho e/ou se representa um cenário do ‘fim da Covid-19’.

Depois de meses passando em casa e aderindo as medidas restritivas, as regras foram flexibilizadas tanto em Campo Grande como no interior, dando a sensação de que o pior já passou. Mas afinal, o pedido de isolamento social foi eficaz? Os casos podem aumentar?

Segundo o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul), o que determina o balanço de picos que evidenciam a desaceleração de casos é a chamada imunidade de rebanho, acompanhada com adesão do isolamento social e as demais medidas de biossegurança.

“Não temos dados de soroprevalência para saber quantas pessoas já foram infectadas no Estado. Esse é o papel da imunidade de rebanho. Temos que ter uma tendência maior de queda na média móvel e RT (Taxa de transmissão) menor que 1 para para realmente afirmar que estamos em uma queda importante, assim como aconteceu para São Paulo”, explica.

Essa taxa de contágio representa a quantidade, em média, de moradores infectados que transmitem o vírus em um determinado lugar ou período. A porcentagem abaixo de 1 determina que cada contaminado infecta menos pessoas, o que sugere uma queda gradual de indivíduos que tiveram contato com a doença.

Ou seja, o pedido de isolamento social, distanciamento, uso de máscara e higienização das mãos é eficaz para evitar um caos com alto número de pessoas infectadas em um mesmo espaço, principalmente por aqueles que são assintomáticos.

Em setembro, a UFMS divulgou o último estudo matemático que apontava a queda de 22% no pico de contágio da Covid-19 no Estado, além de descartar um novo colapso na ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

A redução segue em passos lentos, embora tenha revelado a redução de pacientes confirmados e mortes em decorrência da doença. A diminuição foi pouco significada em casos de internação, passando de 308 para 282, desde o dia 13 para o dia 20 de setembro.

Conforme o último boletim epidemiológico da SES (Secretaria Estadual de Saúde) de sexta-feira (9), a ritmo de transmissão caiu de 1 para 0,98 durante essa semana. Somando mais de 74 mil positivos.

Campo Grande, Dourados, Corumbá, Três Lagoas e Sidrolândia continuam sendo os municípios que mais registram casos confirmados e óbitos.

Com o feriado prolongado, a previsão de alerta é que os casos aumentem nos próximos dias, de acordo com o monitoramento.

Jornal Midiamax