Cotidiano

VÍDEO: Governo do Estado fecha escola no Flamboyant e atinge 427 alunos

Após o anúncio de fechamento de duas escolas estaduais em Campo Grande, na terça-feira (19), aproximadamente 320 pessoas, entre alunos, pais e servidores da Escola Estadual Prof° Carlos Henrique Schrader, localizada no bairro Flamboyant, se reuniram na manhã desta quarta-feira (20) para protestar contra a medida da SED-MS (Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso […]

Ana Paula Chuva Publicado em 20/11/2019, às 11h11 - Atualizado às 15h36

Alunos seguraram cartazes e gritavam pedindo o não fechamento da escola. (Dândara Genelhú, Midimax)
Alunos seguraram cartazes e gritavam pedindo o não fechamento da escola. (Dândara Genelhú, Midimax) - Alunos seguraram cartazes e gritavam pedindo o não fechamento da escola. (Dândara Genelhú, Midimax)

Após o anúncio de fechamento de duas escolas estaduais em Campo Grande, na terça-feira (19), aproximadamente 320 pessoas, entre alunos, pais e servidores da Escola Estadual Prof° Carlos Henrique Schrader, localizada no bairro Flamboyant, se reuniram na manhã desta quarta-feira (20) para protestar contra a medida da SED-MS (Secretaria Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul) .

Com o fechamento da unidade, os professores temem que haja um grande número de desistência dos que são de idade superior aos colegas de turma. “Nós temos medo que o fechamento da escola desmotive alguns alunos que são mais velhos que a turma. Nós realizamos aqui na escola projetos para que eles continuem se dedicando aos estudos, mesmo que estejam aparentemente atrasados”, explicou o professor Lazaro Rezende de Oliveira.

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Aproximadamente 320 pessoas ser reuniram em frente a Escola nesta manhã. (Dândara Genelhú, Midiamax)

Para a medida é triste, já que existe um vínculo entre alunos e professores que pode ser prejudicado. “Os alunos criam afinidades com os professores, principalmente os portadores de necessidades especiais, que também são parte importante da escola”, destacou.

Atualmente a escola atende 427 alunos, matriculados e frequentes, que vão desde o 6° ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio, sendo 30% da Aldeia indígena Urbana Marçal de Souza, além de alunos dos assentamentos Estrela e Estrela de Jaraguari, distante 47 quilômetros de Campo Grande.

“Nossa maior preocupação é a realocação desses alunos. Eles vão para a Escola Hércules Maymone que altera a rotina. Além disso disseram que serão colocados 36 alunos dentro de uma sala de aula, essa quantidade de estudantes chega a ser desumano”, disse a secretaria da escola Ramona Gimenez.

Já para o radialista, Marcio Patrocínio, o fechamento da escola altera não só a rotina da filha que está no 7º ano do Ensino Fundamental, como também toda a família. “Ela está há 3 anos aqui, estabelecemos uma rotina. Na terça-feira ela chegou em casa e disse que a escola iria fechar eu pensei como assim vão fechar uma escola? Entrei em contato com uma funcionária que explicou a readequação”, disse.

“Eu vim aqui agora cedo, deixei ela para o protesto, fui no meu trabalho e voltei para apoiar a manifestação. O fechamento muda completamente a rotina da nossa família. Minha filha já estabeleceu vínculos”, concluiu.

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Técnica de enfermagem esteve durante todo o ato apoiando a filha. (Marcos Ermínio, Midiamax)

Anna Aparecida da Silva Daros, técnica de enfermagem, também ficou sabendo do fechamento da escola pela filha na terça-feira e segundo ela, outras crianças da família estão na unidade e serão afetadas com a medida. ” A escola auxilia minha filha, ela faz parte do grêmio. A escola dá um suporte e acompanha ela, coisa que não existia na escola antiga e agora eu não sei onde vou matricular ela, para a escola antiga não dá para voltar”, desabafou.

Os alunos, pais e servidores se reuniram na frente da escola com cartazes. A direção escolar está decidindo se as atividades rotineiras serão retomadas ainda nesta quarta, os alunos que estavam com os pais na manifestação foram liberados.

Outra escola

Alunos e professores da Escola Estadual Advogado Demosthenes Martins, também protestam na manhã desta quarta-feira contra a readequação da instituição. Localizada no Conjunto Residencial Octávio Pecora, em Campo Grande, a unidade recebeu na terça-feira, a notícia das mudanças no ano letivo de 2020.

Segundo uma professora, que prefere não ser identificada, três rapazes foram até a escola para informar a diretora sobre as alterações que a escola passará no final do ano até começo de 2020. A servidora disse que conforme foi passado para a direção, a escola deixará de ser da rede estadual e passará a ser uma escola municipal.

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Foto: Google View

A professora também comentou que mesmo que o espaço físico continue o mesmo, a escola será outra, pois deixarão de atender o público do Ensino Fundamental II  e Ensino Médio para receber alunos do Ensino Fundamental I. “É muito ruim, porque prejudica os alunos que já estão inseridos na escola e, eles teriam que se deslocar mais também”, lamenta.

As atividades de aula foram suspensas nesta manhã ara que os alunos e professores se manifestem contra a readequação. A servidora ainda disse que deixaram os alunos se acomodarem nas salas de aula antes de dar a notícia. “Demos a notícia em sala de aula, todos ficaram muito tristes”.

SED

Em resposta ao Jornal Midiamax, a SED-MS informou que desde 2015, a REE (Rede Estadual de Ensino) passa por um processo de reordenamento, motivado pela diminuição do total de estudantes matriculados nos últimos dez anos – entre 2010 e 2018 houve a diminuição de 40 mil estudantes em todas as etapas ofertadas pelo Estado.

Em 2020, o processo de reordenamento da Rede Estadual de Ensino será realizado em regime de colaboração com os municípios. Este processo segue em curso e todas as medidas serão anunciadas pela secretaria no dia 29 de novembro, durante o lançamento da Matrícula Digital 2020.

A pasta salienta ainda que nenhum estudante da rede ficará sem escola e nenhum servidor estadual de educação ficará sem lotação. Com relação aos diretores e coordenadores pedagógicos, no último final de semana foi realizado processo seletivo e, após o resultado, os mesmos serão lotados, conforme procedimento classificatório estipulado.

Jornal Midiamax