Cotidiano

Queimadas no Refúgio Caiman atingem animais e podem prejudicar pesquisas

Dois dias após o incêndio que atingiu o Refúgio Ecológico Caiman, localizado a aproximadamente 30 quilômetros da zona urbana de Miranda, cidade a 208 quilômetros de Campo Grande, cerca de 35 mil hectares foram atingidos pelas chamas, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Devido a esse grande número, mais equipes foram enviadas para reforçar os […]

Ana Palma Publicado em 12/09/2019, às 16h29 - Atualizado às 17h35

Fogo foi extinto na fazenda Caiman, um dos pontos mais críticos de incêndios no Pantanal. (Foto: Divulgação | Corpo de Bombeiros)
Fogo foi extinto na fazenda Caiman, um dos pontos mais críticos de incêndios no Pantanal. (Foto: Divulgação | Corpo de Bombeiros) - Fogo foi extinto na fazenda Caiman, um dos pontos mais críticos de incêndios no Pantanal. (Foto: Divulgação | Corpo de Bombeiros)

Dois dias após o incêndio que atingiu o Refúgio Ecológico Caiman, localizado a aproximadamente 30 quilômetros da zona urbana de Miranda, cidade a 208 quilômetros de Campo Grande, cerca de 35 mil hectares foram atingidos pelas chamas, segundo informações do Corpo de Bombeiros. Devido a esse grande número, mais equipes foram enviadas para reforçar os cuidados com os focos de queimadas na região. Além disso, alguns animais foram afetados, principalmente com a perda do habitat e alimentação.

A equipe do Corpo de Bombeiros sobrevoou a área do Caiman na tarde desta última quarta-feira (12) onde pôde calcular a quantidade de hectares afetados. Além disso, também vistoriaram do alto outros pontos que também podem ter riscos de incêndios como a Serra da Bodoquena; em Corumbá, na fazenda Piúva; e Aquidauana, próximo a BR-262. Outro foco, mas que já estaria em processo de controle, fica na região da aldeia Taunay-Ipegue, também em Aquidauana.

De acordo com o coordenador da Cedec (Coordenadoria de Defesa Civil de Mato Grosso do Sul), Fábio Catarinelli, houve reforço na equipe de combate aos incêndios nessa região, principalmente depois do ocorrido, onde atuam militares, brigadistas e equipes do PrevFogo.

O Jornal Midiamax tentou contato com a assessoria do Refúgio Ecológico Caiman para entender, na versão deles, como ficou a situação e saber como está o funcionamento do local, mas até o momento não houve retorno.

Animais afetados

Ainda segundo informações do coordenador da Cedec, as chamas, não só as que atingiram o refúgio, mas as que estão acontecendo na região, afetam muito a fauna e flora. “A situação é de risco não só para os humanos, mas também aos animais. Alguns até conseguem fugir, o fogo destrói o habitat dos bichos, que perdem tanto a habitação quanto a alimentação”, afirma.

O Refúgio Ecológico Caiman é um polo de pesquisa do projeto Arara Azul. De acordo com o Instituto, não foram registradas nenhuma perda direta nos ninhos monitorados, mas houve danos catastróficos indiretos. No atual momento, eles monitoram 22 ninhos ativos com ovos e/ou filhotes, na propriedade.

De acordo com postagens nas redes sociais do Instituto, a arara azul é uma espécie que se alimenta do fruto de, basicamente, duas palmeiras. Com a queimada destas espécies a arara azul terá a alimentação bastante comprometida.

Ainda de acordo com o Instituto Arara Azul, depois de um evento como este, a alimentação para os animais ficará escassa e a mata que restou será refúgio para muitos, aumentando a competição e a predação.

O Instituto está engajado em todas as ações técnicas e científicas que estão sendo organizadas neste momento. Além disso, eles terão muito trabalho e novas frentes de pesquisas e estratégias para manter as população da Arara Azul na natureza.

Jornal Midiamax