Cotidiano

Moradores viveram desespero durante ‘tempestade de cinema’ e contaram com solidariedade

Meia hora pode parecer pouco tempo, mas para moradores de um bairro carente atingido pela tempestade nesta quinta-feira (18) em Ribas do Rio Pardo, a 97 km de Campo Grande, os 30 minutos foram marcados por muito medo e destruição. A tempestade causou pavor entre os moradores, mas também mostrou que a solidariedade fala mais […]

Mylena Rocha Publicado em 18/10/2019, às 12h19 - Atualizado às 17h41

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Meia hora pode parecer pouco tempo, mas para moradores de um bairro carente atingido pela tempestade nesta quinta-feira (18) em Ribas do Rio Pardo, a 97 km de Campo Grande, os 30 minutos foram marcados por muito medo e destruição. A tempestade causou pavor entre os moradores, mas também mostrou que a solidariedade fala mais alto mesmo em momentos de tensão.

Moradores viveram desespero durante ‘tempestade de cinema’ e contaram com solidariedade
Diversas casas ficaram destruídas durante tempestade. (Foto: Marcos Ermínio)

A tempestade que atingiu a cidade de Ribas do Rio Pardo, a 97 km de Campo Grande, contou com chuva, ventos de 130 km por hora e 193 raios em um curto espaço de tempo. A meia hora de tempestade foi capaz de destruir várias casas e o bairro na parte mais alta da cidade foi o mais afetado. Em um lugar sem infraestrutura, cheio de barracos e casinhas de madeira, os moradores se dizem ‘esquecidos’ pelo poder público. Então, na hora do desespero, o jeito é pedir socorro aos vizinhos e a solidariedade marca presença.

A dona de casa Rosalina Barbosa conta que a tempestade foi marcada pelo choro e o grito de seus filhos, que estavam com medo. Ela conta que não esperava por um fenômeno como este e que só viu coisa parecida na televisão. “A gente pensava que era uma chuva normal, mas começou a ventar muito forte, vimos o muro balançando, ficamos apavorados”, conta.

Moradores viveram desespero durante ‘tempestade de cinema’ e contaram com solidariedade
Moradores lamentam prejuízo. (Foto: Marcos Ermínio)

É em momentos assim, que a solidariedade fala mais alto e os moradores de unem para se proteger. A catadora Rosilei Cardoso mora há cinco anos no São Joaquim, um dos bairros mais atingidos pelo temporal. Na comunidade, há diversos casebres de madeira, onde moram famílias de baixa renda.

“A chuva e o vento torciam tudo, a gente via as árvores dobrarem. Tive a casa destelhada, peguei as minhas crianças e corri para a outra casa. A gente foi de ajudando, quem mora aqui e não se ajuda, não consegue nada. Nós moramos na parte esquecida da cidade”, contou.

A dona de casa Mariluce Barbosa Lima passou por momentos ainda mais desesperadores nesta quinta-feira (17). Durante a tempestade, ela foi surpreendida com a queda de uma árvore em cima de sua casa. Ela conta que machucou a cabeça e as costas quando uma telha caiu sobre ela. A filha de Mariluce, de apenas 6 anos, ficou prensada entre os escombros da casa. Elas conseguiram sair da casa e pediram abrigo a uma vizinha.

Moradores viveram desespero durante ‘tempestade de cinema’ e contaram com solidariedade
Adriana ajudou os vizinhos na hora do desespero. (Foto: Marcos Ermínio)

A atendente Carmelita dos Santos é outra moradora do bairro destruído pela chuva. Ela estava trabalhando no momento da tempestade, mas também precisou de abrigo na vizinhança.  “Vim correndo para casa assim que soube, um amigo meu pegou minhas filhas e se escondeu debaixo da cama. Quando o vento levou telhado, pegou meninas pelo braço e correu para casa de vizinha”, afirma.

Dona de uma das casas mais fortes do bairro, Adriana de Oliveira Ribeiro foi a salvação de muita gente. Diversas pessoas se abrigaram na casa da moradora durante a meia hora de pavor. “Quando começou o vendaval, entramos dentro de casa e 10 minutos depois uma vizinha já chegou chorando com as crianças porque a chuva levou o telhado da casa dela. Depois veio mais gente querendo abrigo, foi assustador, coisa de cinema”.

A Prefeitura de Ribas do Rio Pardo reuniu os secretários nesta manhã (18), para contabilizar os estragos feitos na cidade no temporal. De acordo com dados prévios da Defesa Civil do município, após a chuva forte houve destelhamento de casas no bairro São Joaquim, Estoril e Santo André.

O prefeito Paulo Tucura afirma que a necessidade das famílias e a agenda com o governo do Estado é prioridade. “Solicitamos uma reunião se possível ainda hoje com o governo do Estado para que a gente possa atender todas as necessidades da população”, explica.

Moradores viveram desespero durante ‘tempestade de cinema’ e contaram com solidariedade
Além do destelhamento, diversas árvores caíram durante o vendaval. (Foto: Marcos Ermínio)

Como ajudar?

Em meio ao caos que se encontra a cidade de Ribas, a pastoral juvenil da Arquidiocese de Campo Grande se mobilizou e, para ajudar as famílias que perderam seus pertences na tempestade, montou um ponto de coleta de doações na Capital. Interessados em colaborar na causa podem levar roupas, alimentos, móveis usados, materiais de construção ou até mesmo quantias em dinheiro que serão revertidos em produtos. Os itens podem ser deixados na Paróquia São Pedro Apóstolo que fica no bairro Coronel Antonino, na avenida presidente Castelo Branco.

“Nossa ação começou hoje (18) e não temos data definida para encerrar, queremos ajudar o próximo, essas pessoas perderam tudo que tinham com o temporal. Ribas faz parte da nossa arquidiocese, mas todos estão convidados a fazer essa boa ação”, diz Jaqueline Alves Garcia representante da pastoral juvenil.

Os Santuários de Nossa Senhora da Abadia e a de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro também recebem doações.

Jornal Midiamax