Cotidiano

Empreendedorismo social reverte verba para crianças vítimas de violência sexual

Você, leitor, conhece alguma criança ou adolescente que sofreu alguma violência ou exploração sexual? Infelizmente, em Campo Grande, são quase 203 casos registrados ao mês, mas a DEPCA (Delegacia Especialização de Proteção à Criança e Adolescente) acredita que são subnotificações, ou seja, há muitos abusos abafados pelo medo. Silvano de Sena Ferreira, 44 anos, pastor, […]

Kamila Alcântara Publicado em 11/05/2019, às 10h31 - Atualizado em 12/05/2019, às 09h15

Foto: Marcos Ermínio
Foto: Marcos Ermínio - Foto: Marcos Ermínio

Você, leitor, conhece alguma criança ou adolescente que sofreu alguma violência ou exploração sexual? Infelizmente, em Campo Grande, são quase 203 casos registrados ao mês, mas a DEPCA (Delegacia Especialização de Proteção à Criança e Adolescente) acredita que são subnotificações, ou seja, há muitos abusos abafados pelo medo.

Silvano de Sena Ferreira, 44 anos, pastor, se viu estarrecido quando descobriu essa realidade, em 2007, e o desejo de transformar a vida dessas crianças se tornou sua missão, juntamente com seus companheiros de causa.

Ele e a esposa participaram de um Congresso de Missões em Goiás, naquele ano, onde conheceram as histórias de abusos sofridas por meninas e meninos na Ásia. “Aquilo me impactou, mas parecia tão distante. Foi quando eu decidi ir na DEPCA e ver os dados sobre isso e aquilo me assuntou ainda mais”, lembra.

Empreendedorismo social reverte verba para crianças vítimas de violência sexual
Pastor Silvano dedica a sua vida às crianças. (Foto: Marcos Ermínio)

Uma inquietação tomou conta de Silvano e o desejo de partir para o “enfrentamento” não passava. Foi com a ajuda de voluntários que ele montou o Projeto Segunda Casa, na Capital, para fazer o acolhimento dessas vítimas, que são encaminhadas pela Justiça. “Quando a primeira criança chegou foi assombroso. Lembro até que a psicóloga voluntária, após o primeiro atendimento, buscou aconselhamento e desistiu de tão pesado que é”, conta Silvano.

De lá pra cá, 200 crianças passaram pelo Projeto. Hoje são 35 abrigados, divididos em três casas. “Vimos a seriedade das consequências do abuso e queremos a restauração dos sonhos essas crianças, que chegam aqui com as esperanças completamente destruídas”, destacou o pastor.

Além das três casas, alimentação e necessidades básicas das crianças, a instituição necessita ter uma sede de trabalho onde não mora abrigados, atender diversas normas da vigilância sanitária e rígidos procedimentos de segurança. Tudo isso gera gastos e o Poder Público faz alguns repasses, mas não é o suficiente para atender tudo que eles precisam e pagar os funcionários registrados.

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Zaira lida diretamente com todas as necessidades dos abrigados. (Foto: Marcos Ermínio)

Mais uma vez, se inspirando ações vistas em viagens evangelísticas, o pastor Silvano pensou em alguma forma de gerar uma renda extra para o Projeto. “O pastor deu a ideia de começarmos, nas casas mesmo, fazer docinhos e trufas para vendermos nos comércios e para os amigos da instituição”, explica Zaira Brito Gonçalves, 33, responsável pela administração financeira do projeto há seis anos.

Foi daí que surgiu a empresa Delícias da Casa, classificada como um empreendedorismo social, pois o lucro é revertido para as crianças. “Erramos muito no começo, pois todo o dinheiro a gente colocava no abrigo. Depois de uma consultoria, aprendemos a guardar reserva, estruturamos a loja, temos duas funcionárias registradas e os gastos. O que sobra vai tudo para o Projeto”, ressalta Zaira.

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Crianças em um dos abrigos no momento de leitura. (Foto: Arquivo Segunda Casa)

Todos envolvidos no projeto têm as crianças como missão. “Eu não consigo ver isso aqui como um trabalho. Eu não encaro isso aqui como uma carreira profissional, na verdade, eu isso aqui é uma missão. Quando a gente olha a planilha de gastos mensais e todos os compromissos, desistiríamos. Mas tudo é recompensando quando eles me chamam de ‘tia’, me abraçam e dizem gostar da gente”, relata Zaira emocionada.

Delícias da Casa

Para quem deseja ajudar de alguma forma, a doceria funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira, comercializando trufas recheadas a pronta entrega, embalagens para presente e, ainda, trabalham com docinhos para festa por encomenda.

Neste Dia das Mães (12), eles estarão confeccionando cestas com rosas naturais, almofadas ou cachepô para acompanhar as trufas. Os presentes podem variar de R$ 7 até R$ 150. As portas estarão abertas neste sábado (11) o dia todo e no domingo com plantão de vendas para a data comemorativa, das 8h às 11h.

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Algumas das opções de presentes para o Dia das Mães. (Foto: Aquivo Delícias da Casa)

A Delícias da Casa fica na Rua Santana, número 1435, jardim TV Morena na Capital. Contato pelo Whatsapp no (67) 99203-7450 ou ligações pelo (67) 3043-4470. Você também pode conhecer os produtos na página do Instagram.

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