Cotidiano

Em MS, Maria Gadú diz que causa indígena precisa ser a luta do brasileiro

A cantora Maria Gadú e a coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, estão em Campo Grande para participar da 13ª edição da Grande Assembleia Terena, realizada em Aquidauana até sábado (11). Vista frequentemente participando desses espaços ao lado das lideranças indígenas, Mari Gadú contou ao Jornal Midiamax, que conheceu a […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 08/05/2019, às 14h26 - Atualizado às 14h27

Cantora Maria Gadú durante a gravação do single Mundo Liquido. Foto: Reprodução Internet
Cantora Maria Gadú durante a gravação do single Mundo Liquido. Foto: Reprodução Internet - Cantora Maria Gadú durante a gravação do single Mundo Liquido. Foto: Reprodução Internet

A cantora Maria Gadú e a coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, estão em Campo Grande para participar da 13ª edição da Grande Assembleia Terena, realizada em Aquidauana até sábado (11).

Vista frequentemente participando desses espaços ao lado das lideranças indígenas, Mari Gadú contou ao Jornal Midiamax, que conheceu a Sônia Guajajara em 2017 em manifestações e desde então vem acompanhando ela e outras lideranças a frente da luta indígena.

A cantora relata vir de família indígena e desde criança ela sempre esteve próxima da causa. “O histórico da minha família é de indígenas que desceram o Rio Negro, então desde criança sempre fui muito próxima da causa indígena. Estudos, sobre o que é o Brasil de fato, e sobre quem somos nós. Meus tios trabalham na terra indígena do Xingu há muitos anos, mas de 30 anos na área da saúde, então é uma causa que sempre esteve evidente na minha história e cotidiano, e ter a oportunidade de me aproximar de lideranças como essas mulheres maravilhosas, isso se tornou mais visível”, disse.

Maria ainda afirmou ser a primeira vez que vem em Mato Grosso do Sul pela causa indígena. “O Brasil é muito imenso né, já estive aqui outras vezes, mas com essa intenção é a primeira vez. A experiência é sempre fantástica, são povos diferentes em cada território, cada um enfrenta uma adversidade diferente, línguas, culturas, então cada experiência é diferente da outra, e estar próxima das lideranças para ouvir sobre os próximos passos para combater os conflitos, e procuro colaborar, mesmo estando no lugar de escuta e procuro ajudar essas lideranças como posso”, conta.

A artista que lançou em 22 de abril, o single Mundo Liquido, com um clipe gravado no Rio Negro, no Amazonas, a agradece ao povo de Guajajara por todo aprendizado, amor e colaboração. “Musicalmente a gente tenta ajudar, lançamos o single no dia 22 de abril, para de forma lúdica divulgar as nossas causas, não sempre em forma de combate, mas mostrando as nossas belezas”, ressalta.

“O propósito de se envolver numa causa dessas é meio óbvio”, diz Gadú, “É um propósito que teria que ser de todos. Estamos sentados num patrimônio absurdamente gigante de diversidade de biomas e povos e com uma negligencia absurda de 519 anos. A colaboração é existir e estar do lado, esse lance de ninguém solta a mão de ninguém, estarmos efetivamente juntos, dando coro. Sempre que puder estaremos aí divulgando a causa”, conta.

Para ela, a causa não tem invisibilidade apenas no meio artístico, mas ela está invisível em todo os setores da população brasileira. “Não podemos deixar somente na conta do artística, que é uma profissão como qualquer outra. Existem coisas fatais e horríveis que acontece no meio indígena, que não é divulgada por todos. A indignação tem que ser geral”, conclui.

Em MS, Maria Gadú diz que causa indígena precisa ser a luta do brasileiro
Luiz Eloy Terena, Sonia Guajajara, Maria Gadu, Gasparini Kaingang e Celia Xakriaba, parte das lideranças que participam do evento. Foto: WhatsApp

Assembleia Terena

A 13ª Grande Assembleia Terena é realizada, pelo Conselho Terena e a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) na aldeia Ipegue, em Aquidauana até sábado (11).

Participam do evento da comunidade indígena o advogado Terena, Luiz Eloy, o deputado estadual Pedro Kemp (PT-MS), a primeira deputada federal indígena do País e coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, Joênia Wapichana (REDE-RR), a deputada federal e membro da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, Talíria Petrone (PSOL-RJ), a liderança indígena Célia Xakriabá, o representante da Mídia Índia Erisvan Guajajara.

Na sexta-feira (10), em Campo Grande, acontece o Sar(Ato) ‘Resistir sem Medo’, na Praça dos Imigrantes, no cruzamento das ruas 26 de agosto com Ruy Barbosa.

Programação
Dia 08/05 –Quarta-feira
• 17:00 hs – Chegada das lideranças
• 18:00 hs – Jantar
• 19:00 hs – Abertura com a mesa dos Caciques e Lideranças indígenas
• Boas vindas pelo Cacique Ademir Soares
Apresentação: Hiokéxoti Kipâe

Dia 09/05 – Quinta-feira
• 8:00 – 15:00: Conjuntura da política indigenista no Brasil e questão fundiária
Convidados: Lideranças indígenas, movimentos sociais, APIB, FUNAI, CTI, RENAP, Juristas para Democracia, Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União, Advocacia Geral da União, Procuradoria Especializada da Funai, Ministério da Justiça e Conselho Indigenista Missionário.
• 15:00 – 18:00: Plenária das Mulheres
• 20:00 – 1° MISS E MISTER HANAITI HO’ÚNEVO TERENOE

Dia 10/05 – Sexta –feira
• 8:00 – 10:00: Participação indígena na política e a construção de uma agenda de resistência
• 10:30 – 12:30: Mesa da Saúde Indígena
• 14:00 – 18:00: Educação Escolar Indígena: Luta pela permanência dos direitos à diferença na Educação
• 20:00 hs – Plenária da Juventude Indígena (Comissão da Juventude Terena)

Dia 11/05– Sábado
• 8:00 – 11:30: Avaliação do movimento e construção da agenda política
Documento Final e encaminhamentos
Encerramento

Jornal Midiamax