Cotidiano

Em meio à polêmica, CDL quer isenção tributária para lojistas da 14 de Julho

A CDL (Câmara dos Dirigentes Logistas) quer apresentar à Prefeitura de Campo Grande proposta de reparação aos lojistas da Rua 14 de Julho, que afirmam sofrer prejuízos com as obras do Reviva Centro. De acordo com o presidente da entidade, Adelaido Vila, a ideia surgiu após reunião com lojistas na tarde da quinta-feira (21), quando […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 23/03/2019, às 09h46 - Atualizado em 24/03/2019, às 11h18

CDL poderá pedir isenção tributária à lojistas como política de reparação (Foto: Arquivo Midiamax)
CDL poderá pedir isenção tributária à lojistas como política de reparação (Foto: Arquivo Midiamax) - CDL poderá pedir isenção tributária à lojistas como política de reparação (Foto: Arquivo Midiamax)

A CDL (Câmara dos Dirigentes Logistas) quer apresentar à Prefeitura de Campo Grande proposta de reparação aos lojistas da Rua 14 de Julho, que afirmam sofrer prejuízos com as obras do Reviva Centro.

De acordo com o presidente da entidade, Adelaido Vila, a ideia surgiu após reunião com lojistas na tarde da quinta-feira (21), quando os empresários discutiram estratégias para equacionar prejuízos que teriam sido causados pelo impacto da obra, iniciada em junho de 2018.

“Estamos muito preocupados, pois o lojista não tem mais o que fazer para garantir o funcionamento da empresa. Na próxima semana, teremos acesso à planilhas e documentos da obra, que vão nos ajudar a entender a situação. A partir daí, deveremos elaborar uma proposta de reparação”, destaca Vila.

Segundo ele, é possível que a proposta contemple pedido de isenção de tributos municipais, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) ou ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) durante o tempo de duração da revitalização.

“Isso pode ocorrer de forma pactuada e conversada. Mas, caso não haja diálogo, poderemos buscar algum meio judicial para ter essa reparação e minimizar os prejuízos. Estes são apenas caminhos, só teremos como dar certeza da estratégia a partir do momento em que analisarmos os documentos”, detalha.

O acesso aos documentos, no caso, ocorrerá na tarde da segunda-feira (25), quando um grupo de vereadores receberá comissão da CDL na Câmara dos Vereadores para apresentar relatório solicitado à Prefeitura. Na tarde desta sexta-feira (22), a entidade terá reunião com a senadora Simone Tebet (MDB), a fim de discutir outras possíveis estratégias.

Pesquisa polêmica

Na manhã da quarta-feira (20), a CDL divulgou pesquisa na qual o fechamento de 1,5 mil estabelecimentos – dos quais 828 eram empresas de prestação de serviço, 676 comércios e uma indústria – estariam relacionados à modificações no planejamento das obras de revitalização, atualmente 55% concluídas.

Em meio à polêmica, CDL quer isenção tributária para lojistas da 14 de Julho
Adelaido Vila, da CDL, defende que impacto das obras contribuíram para quadro negativo (Foto: Guilherme Cavalcante | Midiamax)

Segundo a CDL, os fechamentos foram observados no perímetro compreendido pelas Avenidas Fernando Correia da Costa, Mato Grosso, Calógeras e Rua Pedro Celestino, em Campo Grande, no período de abril de 2018 a março de 2019. Bem no meio estão as obras da Rua 14 de Julho.

Até o prefeito Marquinhos Trad (PSD) reagiu incrédulo aos números e afirmou que só comentaria após ter acesso aos dados do levantamento, conforme trouxe o Jornal Midiamax. Na quinta-feira (21), a Prefeitura divulgou nota refutando os dados do levantamento da CDL.

“A metodologia da pesquisa justificada pela assessoria da CDL foi que o levantamento foi feito de porta em porta. Entretanto, os resultados impressionam, uma vez que, caso a obra da Rua 14 de Julho impactasse todo o comércio ali instalado, o número de fechamento não seria superior a 242 empreendimentos localizados na via, conforme cadastro censitário realizado no início das obras”.

Metodologia

À reportagem, a CDL confirmou que o levantamento ocorreu de porta em porta, durante um período de dez meses, e que contabilizou todos os fechamentos no perímetros apresentado, e não apenas da Rua 14 de Julho.

“Esse número que apresentamos é um fato. A intenção não foi prejudicar ninguém politicamente, mas buscar um caminho pra resolver o que está acontecendo. Em momento algum dissemos que não queríamos a obra ou que somos contra ela, mas o grande questionamento é a execução foi diferente da forma que nos foi prometido nas reuniões com lojistas”, aponta Vila.

Dentre as promessas não cumpridas, a CDL afirma que estariam a interrupção das obras durante as chuvas e a segmentação das intervenções – a cada duas quadras – em vez de trechos inteiros.

Ainda assim, o presidente da CDL afirmou estar animado com as possibilidades que surgiram durante as discussões da quinta-feira. “Vimos que existem algumas saídas.
Por exemplo, a regularizar o trabalho noturno faria a obra andar mais rápido. Outra possibilidade é realmente a reparação das perdas, dos prejuízos”, finaliza.

Jornal Midiamax