Cotidiano

Em epidemia, MS permanece como 3º Estado com maior incidência de dengue

Mato Grosso do Sul permanece em 3º lugar entre os Estados Brasileiros com maior incidência de dengue, ficando atrás apenas do Acre e Tocantins. A informação foi confirmada na manhã desta segunda-feira (25) pelo coordenador de Dengue do Ministério da Saúde, Rodrigo Fabiano do Carmo Said , durante entrevista coletiva. Segundo Said, dados enviados ao […]

Guilherme Cavalcante Publicado em 25/03/2019, às 11h51 - Atualizado às 18h36

Foto: Reprodução | Agência Brasil.
Foto: Reprodução | Agência Brasil. - Foto: Reprodução | Agência Brasil.

Mato Grosso do Sul permanece em 3º lugar entre os Estados Brasileiros com maior incidência de dengue, ficando atrás apenas do Acre e Tocantins. A informação foi confirmada na manhã desta segunda-feira (25) pelo coordenador de Dengue do Ministério da Saúde, Rodrigo Fabiano do Carmo Said , durante entrevista coletiva.

Segundo Said, dados enviados ao Ministério da Saúde pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) indicam que até a semana 11 (16 de março) de 2019, foram contabilizados 10.116 casos suspeitos – uma proporção de 368,1 notificações para 100 mil – suficiente para considerar existência de epidemia no Estado.

O número de notificações até a semana 11 também aponta aumento de 912,6% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 999 casos sob investigação.

O Ministério da Saúde também destacou que foram reportados três óbitos até a semana 11. Atualmente, a SES já confirmou a ocorrência de 4 mortes de idosos, sendo dois em Três Lagoas e dois em Campo Grande. Um caso em Dourados, de uma criança, segue investigado pela Secretaria.

Sinais de alerta

De acordo com Rodrigo Said, além da dengue, também houve notificações de zika e chikungunya em MS no mesmo período. No caso da chikungunya, foram reportados 88 casos, contra 72 no mesmo período em 2018. Em relação à zika, neste ano foram relatados 23 casos suspeitos, contra 26 até a semana 11, em 2018.

Em epidemia, MS permanece como 3º Estado com maior incidência de dengue
Segundo Said, 80% dos focos estão dentro de residências (Foto: Reprodução | Youtube)

Porém, é a dengue que segue no centro das atenções do Ministério, principalmente porque o sorotipo de dengue que tem circulado é do tipo 2. O problema não seria que o subtipo do vírus seja mais perigoso.

“Mas a superexposição ao vírus pode resultar numa evolução mais grave da doença a quem já teve o tipo 1”, destaca Said.

Por isso, dentre as ações para conter a evolução da dengue no país estão não só o reforço das ações de controle, mas evitar os óbitos. Said destaca a necessidade de que os municípios facilitem acesso à rede de atendimento, a importância da hidratação e atenção, por parte dos profissionais de saúde, aos “sinais de alarme”.

“Dentre as ações, estão reforçar, junto à equipe de saúde, o acompanhamento frequente do paciente, com hidratação, hidratação oral e valorização dos sinais de alarme, que podem caracterizar o aparecimento de forma grave, no caso, sonolência e dor abdominal”, aponta Said.

Circulação do vírus

De acordo com o Ministério da Saúde, apesar de Mato Grosso do Sul já estar em epidemia, é preciso compreender que o território estadual pode apresentar diferenças em diversas regiões. Segundo Rodrigo Said, os primeiros casos de dengue neste ano foram registrados em Três Lagoas, onde o Estado faz divisa com São Paulo.

“Em seguida, avançaram para Campo Grande, com grande destaque nas últimas semanas, e já prevemos a possibilidade de ocorrência na região de Dourados. Temos que avaliar como acontecerá na região, já que o grande deslocamento pode interferir na curva de transmissão”, destaca.

Em virtude dos dados alarmantes, uma equipe do Ministério da Saúde percorreu diversas localidades do Estado nas últimas semanas, ocasiões nas quais houve discussões com os municípios.

“Sabemos que as chuvas ainda estão acontecendo e que as temperaturas seguem altas, o que favorece a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor”, completa Said.

Dever de casa

Durante a coletiva, o coordenador de dengue do Ministério da Saúde destacou a importância de que cada morador esteja vigilante aos focos dentro de casa. Segundo Said, os dados de agentes de endemias apontam que 80% dos focos do mosquito estão nos domicílios.

“Os agentes de controles de endemias visitam domicílios de 2 a 3 meses. Mas, e fora desse intervalo? Cabe aos municípios estabelecer estratégias de comunicação para que as pessoas ajudem. É preciso ver, semanalmente, se a calha está ok, ver se tem acúmulo de água dentro do lote… E não é só ir lá e despejar a água, mas passar uma esponja, já que o mosquito deposita ovos na borda do recipiente. É quando ele está em contato com a água que ocorre a eclosão dos ovos”, destaca.

Em epidemia, MS permanece como 3º Estado com maior incidência de dengue
Combate aos focos do mosquito precisam ocorrer semanalmente, principalmente durante intervalo de visita de agentes (Foto: Divulgação | PMCG)

Dados nacionais

De acordo com o Ministério da Saúde, em todo o território nacional já são 229 mil notificações de casos suspeitos de dengue, o que reflete taxa de incidência de 109.9. O número ainda não é suficiente para que seja considerada a existência de uma epidemia, mas saiu do índice “baixo” para o “moderado”.

Em relação ao número de óbitos, até a semana 11 foram confirmadas 62 mortes, a maioria na Grande São Paulo, com cerca de 50% do total. O número reflete aumento de 67% nos óbitos em relação ao mesmo período de 2018. Vale lembrar, ainda, que 36 do total de mortes ocorreram com pacientes com mais de 60 anos, que podem apresentar outras doenças de base.

Alguns estados têm situação mais preocupante, por apresentarem alta incidência da doença, ou seja, estão com a incidência maior que 100 casos por 100 mil habitantes: Tocantins (602,9 casos/100 mil hab.), Acre (422,8 casos/100 mil hab.), Mato Grosso do Sul (368,1 casos/100 mil hab.), Goiás (355,4 casos/100 mil hab.), Minas Gerais (261,2 casos/100 mil hab.), Espírito Santo (222,5 casos/100 mil hab.) e Distrito Federal (116,5 casos/100 mil hab.).

A região Sudeste apresentou o maior número de casos prováveis (149.804 casos; 65,4 %) em relação ao total do país, seguida das regiões Centro-Oeste (40.336 casos; 17,6 %); Norte (15.183 casos; 6,6 %); Nordeste (17.137 casos; 7,5 %); e Sul (6.604 casos; 2,9 %). As regiões Centro-Oeste e Sudeste apresentam as maiores taxas de incidência, com 250,8 casos/100 mil hab. e 170,8 casos/100 mil hab., respectivamente.

Jornal Midiamax