Cotidiano

Com déficit de pessoal, PM de Dourados inicia plantão de 30h sem receber horas extras

Trabalhar em alto risco de segurança e por quase 30 horas seguidas sem ser recompensado financeiramente pelo tempo a mais da jornada gera preocupação na ACSPMBM-MS (Associação e Centro Social da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul). A partir desta sexta-feira (13), policiais militares de Dourados iniciam a hora extra sem […]

Renato Giansante Publicado em 13/09/2019, às 16h25 - Atualizado em 14/09/2019, às 08h41

Divulgação, PM
Divulgação, PM - Divulgação, PM

Trabalhar em alto risco de segurança e por quase 30 horas seguidas sem ser recompensado financeiramente pelo tempo a mais da jornada gera preocupação na ACSPMBM-MS (Associação e Centro Social da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul). A partir desta sexta-feira (13), policiais militares de Dourados iniciam a hora extra sem remuneração no município em determinação da Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública).

De acordo com vice-presidente da entidade, Aparecido Lima, os policiais passarão a trabalhar mais de 5 horas além das 24 horas do plantão e o estresse é a principal risco para os profissionais que já tendem a estar no limite emocional pelo cargo que ocupam.

“É uma preocupação imediata. O policial vai trabalhar a mais e sem receber. Além disso, estamos há quatro anos sem aumento de salário. As contas sobem e a pressão neles também e muitos deles chegam à depressão”, disse o vice-presidente revelando que já houve cinco mortes por este motivo no Estado neste ano.

Além da escala maior, das 20h30 às 2h do outro dia, o déficit de mais de 300 policiais em Dourados é outra preocupação da associação. Hoje o município conta com um policial para cada 960 habitantes, segundo dados repassados pelo vice-presidente.

“A defasagem é em todo Estado. Mas Dourados conta com duas viaturas em cada um dos dois polos (9ª cia e o 3º Batalhão). Ainda temos duas viaturas desativadas. Daí chega à noite, uma vai fazer a segurança na torre do presídio e a outra vai para fazer a escolta de um homem com problemas psiquiátricos que matou a própria mãe há dois anos e está internado no hospital Universitário e ficam em pé em condições desumanas”, disse Aparecido.

A condição de falta de pessoal é amenizada com o plantão da Guarda Municipal que fica sobrecarregada em ocorrências noturnas. “Podemos notar que quase não há policiais militares nas ruas à noite. Não há pessoal para isso”, completa.

Ainda de acordo com o vice-presidente da associação, a solução encontrada de forma imediata é acionar o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para pedir providências.

“Devo protocolar um documento até segunda-feira no MPMS para pedir a remuneração da hora extra ou impedir que ela seja realizada futuramente novamente”, revelou.

O governo

O governo de Mato Grosso do Sul disse que já está realizando um novo concurso da Polícia Militar que já em etapas conclusivas. O fato é rebatido pela associação que alega que não irá suprir a necessidade.

“Vão colocar 150 novos PM no ano que vem e depois mais 150 em 2021. Esse número não supriria nem a cidade de Dourados que precisa de pelo menos mais 350 policiais”, disse Aparecido.

Quanto à escolta de presos e plantões no presídio, o governo revela que irá convocar 230 novos agentes penitenciários em breve e que há um projeto para que estes assumem a vigia nas torres liberando os policiais militares para as ruas.

“Também não acredito que isso acontecerá logo. A Agepen também enfrenta déficit e este número é pouco para recolocar os policias de volta às ruas. Pode ser que aconteça daqui a dois ou três anos, mas agora acredito que não”, rebateu mais uma vez o vice-presidente da associação.

Já em relação as horas extras, a Sejusp informou que os policiais serão recompensados com folgas.

Jornal Midiamax