Cotidiano

VÍDEO: Com ao menos 10 ambulâncias quebradas, Samu pode parar de atender em Campo Grande

Com pelo menos 10 viaturas de resgate quebradas no pátio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no bairro Pioneiros, em Campo Grande, o atendimento de urgência aos moradores da cidade, que já está comprometido, pode ser suspenso a qualquer momento por falta de veículos nas ruas da cidade. E quem faz o alerta […]

Mariane Chianezi Publicado em 09/07/2018, às 16h41 - Atualizado em 10/07/2018, às 08h54

Há viaturas sem para-choque, sem freios e que se quer fecham a porta, afirmou funcionário | Foto: Henrique Kawaminami
Há viaturas sem para-choque, sem freios e que se quer fecham a porta, afirmou funcionário | Foto: Henrique Kawaminami - Há viaturas sem para-choque, sem freios e que se quer fecham a porta, afirmou funcionário | Foto: Henrique Kawaminami

Com pelo menos 10 viaturas de resgate quebradas no pátio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no bairro Pioneiros, em Campo Grande, o atendimento de urgência aos moradores da cidade, que já está comprometido, pode ser suspenso a qualquer momento por falta de veículos nas ruas da cidade. E quem faz o alerta são os próprios servidores.

O problema, denunciado por servidores, já dura três semanas e vem se agravando nos últimos dias. Quem trabalha no serviço teme a ocorrência de uma tragédia e diz que se isso acontecer as vítimas não terão o atendimento adequado. “Se tiver uma tragédia em Campo Grande, vai ser um desastre [o atendimento]”, afirmou um servidor que atua no serviço e pediu para não ser identificado.

Segundo funcionários ouvidos pela reportagem do Jornal Midiamax, o correto é atuar com 12 ambulâncias, três de suporte avançado – usadas para casos mais graves – e nove unidades básicas. Nesta segunda-feira (9), havia apenas três carros operando. “Hoje estamos com uma ambulância básica e uma avançada”, afirmou o servidor.

Entre os problemas mais comuns na frota que está parada, estão viaturas sem para-choque, sem freio e com avarias nas portas. “O Samu está sucateado”, disse o funcionário ao Jornal Midiamax.

Atualmente, o Samu teria apenas uma viatura avançada e uma unidade básica para atender as ocorrências diariamente. “Parece que as autoridades não estão muito preocupadas com a população, porque essa situação já está assim por muito tempo”, comentou o servidor, afirmando que o Samu conta com a ajuda do Corpo de Bombeiros para atender as demandas que chegam na central de regulação e que ainda sim, acaba sobrecarregado ambas as equipes.

Sem veículos para atender a todas as chamadas, cabe aos médicos reguladores escolher quem terá a prioridade no atendimento. “Eles fazem a triagem da gravidade através do telefone. A população precisa saber o motivo de não atendermos a todas ocorrências”, afirma outro funcionário que também pede para não ter a identidade revelada.

Manutenção

Sem manutenção, as ambulâncias se deterioram rapidamente. “[As viaturas] Andam mais de 300 km por dia e não tem uma manutenção preventiva, quando vai para a oficina já é tarde”, afirmou o servidor.

A reportagem do Jornal Midiamax foi até a base do SAMU localizada na Rua Casa Paraguaia, no Bairro Pioneiros, e flagrou diversas viaturas encostadas, sem condições de circular. No local, ninguém quis conversar com a reportagem.

Recorrente

Segundo funcionários ouvidos pela reportagem, a demora na manutenção e a precariedade da frota não chegam a ser uma novidade na base do Samu. Até os moradores estão acostumados a ver viaturas paradas.

Uma moradora que passava pelo local comentou com a reportagem que as viaturas estão paradas ali há quase um mês e que movimentação é sinônimo de raridade por ali. “É comum ver elas [viaturas] paradas ali. Eu que moro aqui perto vejo que é muito difícil ver saindo daí do pátio”, pontuou a mulher que não quis se identificar.

A assessoria de imprensa da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) foi contatada, e confirmou que apenas duas viaturas básicas e uma avançada estão operando. Leia a nota:

“Para solucionar o problema, o SAMU 192 Campo Grande solicitou a reposição de 9 viaturas por meio do termo de “desfazimento” junto ao Ministério da Saúde e outras 4 viaturas atendem os pré-requisitos do termo: mais de 5 anos de uso ou a manutenção excede o valor de mercado da viatura. O Ministério da Saúde é o único e exclusivo órgão para compra de viaturas do serviço SAMU 192. Sendo assim, o município informou ao órgão federal a necessidade existente e aguarda a liberação de novas viaturas, em substituição às que estão no termo de “desfazimento” e/ou que atendam os pré-requisitos”.

Além disso, foi detalhado que no mês de junho, foram realizados 2800 atendimentos com a viaturas de suporte básico e outros 700 atendimentos com viaturas de suporte avançado. Ainda não é possível informar o balanço de atendimentos realizados no mês de julho. Em junho, as viaturas rodaram pouco mais de 55 mil Km, dentro da média mensal.

“Para operacionalizar o atendimento, as viaturas estão em processo de manutenção, com previsão variável para reintrodução à frota, devido a complexidade dos consertos que são necessários, bem como o cumprimento da legislação vigente, que obriga  contratação por meio de ritos burocráticos, para que não seja cometida improbidade administrativa. Além disso, a SESAU implantou o serviço de transporte de pacientes intrahospitalar, que são os casos que precisam ser transferidos das UPAs/CRSs para os hospitais. Este serviço desafoga as viaturas do SAMU 192, que ficam exclusivas para atendimento primário de urgência”, finaliza nota.

Confira a galeria de imagens registradas e vídeo feito pela reportagem fotográfica do Midiamax:

*Matéria atualizada ás 18h30 para acréscimo de informação

Jornal Midiamax