Cotidiano

‘Passava a mão na minha coxa’: nova vítima relata assédio sexual por instrutor de autoescola

O instrutor de uma autoescola de Campo Grande que foi denunciado nesta terça-feira (3) por assédio sexual contra uma aluna fez mais vítimas. Uma autônoma de 38 anos relata que o professor a assediou nas quatro aulas que ela fez na escola. “Ele fez isso em todas as vezes que estava no carro comigo. Se […]

Patrícia Penzin Publicado em 04/07/2018, às 15h53 - Atualizado em 05/07/2018, às 16h58

(Foto: Ilustrativa)
(Foto: Ilustrativa) - (Foto: Ilustrativa)

O instrutor de uma autoescola de Campo Grande que foi denunciado nesta terça-feira (3) por assédio sexual contra uma aluna fez mais vítimas. Uma autônoma de 38 anos relata que o professor a assediou nas quatro aulas que ela fez na escola. “Ele fez isso em todas as vezes que estava no carro comigo. Se aproveitava quando eu fazia um movimento diferente e precisava dar uma orientação para passar a mão na minha coxa”, conta a vítima.

Na primeira vez em que o ataque aconteceu, ela conta que ficou trêmula e deixou o carro morrer. O assédio aconteceu no mês de junho. Segundo o relato da nova vítima, o instrutor também se tocava durante as aulas. “Ele tentou passar a mão na minha perna e foi descendo. Aí perguntou se eu era casada e só parou quando eu disse que meu marido iria ficar muito bravo”, disse.

Indignada, a vítima contou à reportagem que logo no primeiro assédio procurou o dono da autoescola para denunciar a conduta do instrutor e foi informada de que a empresa tomaria as medidas necessárias.

Ela ainda tentou prosseguir com as aulas (que estavam pagas) outras três vezes, mas desistiu diante das investidas recorrentes do instrutor. “Eu nem cheguei a tirar a minha CNH”, conta.

Ela explica que desistiu de fazer as aulas quando percebeu que nada seria feito. “Eles foram coniventes porque não fizeram nada para impedir que ele assediasse mais mulheres”, disse.

A autônoma conta que na época não chegou a denunciar o caso à polícia e afirma que mudou de ideia quando viu que ela não tinha sido a única vítima. “Eu vou conversar com o meu marido, mas pretendo denunciar o caso à polícia, sim”, afirmou.

Procurada pela reportagem do Jornal Midiamax, a autoescola informou que só se manifestaria quando fosse oficialmente notificada sobre caso.

O Detran-MS informou, por meio de nota, que não foi oficialmente informado sobre o caso, mas afirma que há uma legislação que rege o trabalho do instrutor de CFC (Centro de Formação de Condutores). “No caso de denúncias formais, um processo administrativo deve ser instaurado para apurar”, diz o documento.

Outro caso

A primeira vítima do instruto, uma moça de 20 anos, contou que o autor passava a mão em sua perna todas as vezes em que era preciso virar o carro. Nervosa, a jovem contou que não conseguiu ter reação, nem mesmo para mandar que o homem parasse. Em seguida, a vítima notou que o instrutor passou a se tocar enquanto olhava para ela.

Em resposta fornecida à reportagem nesta terça-feira (3), a autoescola informou que o professor foi afastado temporariamente até que o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) disponibilize as imagens da aula em que o assédio teria sido cometido.

Caso a denúncia se comprove, o instrutor pode perder a credencial que o autoriza dar aulas e ser demitido por justa causa.

O caso foi registrado como importunação ofensiva ao pudor e é investigado pela Polícia Civil.

Jornal Midiamax