Cotidiano

Lama que deixou Rio da Prata vermelho saiu de fazenda de soja, aponta vistoria

Após três dias de vistoria, a principal suspeita da equipe da PMA (Polícia Militar Ambiental) é que a lama que tingiu o Rio da Prata de vermelho, em Jardim, a 239 km de Campo Grande, veio de uma fazenda de soja nas proximidades. Segundo a Polícia Ambiental, a propriedade tem terreno gradeado e a cultura […]

Mylena Rocha Publicado em 20/11/2018, às 09h07 - Atualizado às 14h44

Foto: Divulgação/ Seu Assis Camping e Balneário
Foto: Divulgação/ Seu Assis Camping e Balneário - Foto: Divulgação/ Seu Assis Camping e Balneário

Após três dias de vistoria, a principal suspeita da equipe da PMA (Polícia Militar Ambiental) é que a lama que tingiu o Rio da Prata de vermelho, em Jardim, a 239 km de Campo Grande, veio de uma fazenda de soja nas proximidades. Segundo a Polícia Ambiental, a propriedade tem terreno gradeado e a cultura em estágio inicial, localizada a cerca de 2 km do local de impacto no rio.

A equipe está no local desde sábado (17) para fiscalizar propriedades, a partir do ponto de afluência da mudança da coloração da água. Com o uso de drones, os policiais ambientais identificaram que a lama saiu de uma fazenda de soja, quando a enxurrada encheu uma represa de contenção da água de escoamento superficial. A represa não suportou a água, que carregou o barro para o rio.

Lama que deixou Rio da Prata vermelho saiu de fazenda de soja, aponta vistoria
Lama mudou o cenário do local, que atraía turistas pela água cristalina. (Foto: Divulgação/Seu Assis Camping e Balneário)

Segundo a PMA, a fazenda é arrendada e tem a atividade agrícola licenciada pelo órgão ambiental. “Será feito um relatório circunstanciado, que será encaminhado ao órgão ambiental, para avaliação de possível descumprimento das condicionantes do licenciamento. O relatório também será enviado ao Ministério Público Estadual”, explicou o Tenente-Coronel Queiroz.

A Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) também fez levantamento no local e constatou que o problema ambiental acontece devido à falta de curvas de nível adequadas para a contenção de água nas áreas de lavoura em propriedades rurais à beira dos rios Formoso, Formosinho, Rio da Prata e Bertione. Além disso, as estradas também são apontadas como fatores do problema.

“A chuva vem, carrega o sedimento do solo que acabou de ser removido para o plantio de soja e carrega até os rios. Outra situação que provoca o carreamento de sedimentos são as estradas da região, pois muitas não possuem retenção lateral e acabam tornando-se canais que transportam a lama até os rios”, afirma.

A Secretaria afirma que o Governo do Estado reconhece a gravidade da situação e que busca alternativas para atenuar o problema, mas que a solução definitiva só virá a médio e longo prazo. “Já estamos fazendo um diagnóstico das estradas a região, nas quais devem ser feitas a retenção lateral. Há cerca de duas semanas foi feita uma intervenção pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) nas estradas próximas ao Rio Formosinho”, diz.

Quanto às curvas de nível, a Secretaria faz um levantamento das propriedades. Depois de identificadas, o produtor rural será orientado para que faça a curva de nível. Caso não cumpra, deve ser multado.

A lama do Rio da Prata, que atrai visitantes pelas águas cristalinas, deve prejudicar o turismo no fim do ano, já que chuvas são recorrentes. Para amenizar o problema, a Semagro afirma que tomará medidas junto ao setor. “O prejuízo para o turismo é evidente, mas já nos reunimos com o setor e iniciamos as ações emergenciais para a região”.

Jornal Midiamax