Tragédia em MS: afinal, quais os riscos de usar celulares durante tempestades?

Desde que os telefones celulares foram incorporados à rotina das pessoas, um dos costumes mais comuns é andar com o carregador para onde for. E, mesmo enquanto a carga da bateria é restabelecida, frequentemente usuários seguem utilizando o aparelho. O que poucos sabem é que este hábito apresenta sérios riscos – de choques elétricos, explosão […]
| 06/11/2018
- 14:14
Tragédia em MS: afinal, quais os riscos de usar celulares durante tempestades?

Desde que os telefones celulares foram incorporados à rotina das pessoas, um dos costumes mais comuns é andar com o carregador para onde for. E, mesmo enquanto a carga da bateria é restabelecida, frequentemente usuários seguem utilizando o aparelho. O que poucos sabem é que este hábito apresenta sérios riscos – de choques elétricos, explosão e incêndios – principalmente durante tempestades com raios.

De acordo com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo, com cerca de 50 milhões de raios por ano. Somente na tempestado do dia 1º, estima-se que cerca de 50 mil raios tenham incidido somente em Mato Grosso do Sul.

Tragédia em MS: afinal, quais os riscos de usar celulares durante tempestades?
O engenheiro eletricista Rodolfo Acialdi Pinheiro alerta para riscos de uso de eletrônicos durante tempestades (Foto: Divulgação | Energisa)

A morte de um jovem de 23 anos em Rio Verde no último sábado (3) é um dos piores exemplos das consequências do uso inadequado de telefones celulares durante tempestades. O rapaz sofreu descarga elétrica enquanto utilizava o aparelho conectado à tomada durante um temporal e não resistiu a uma descarga elétrica. Por mais que pareça fatalidade, o caso pode ser mais comum do que se imagina.

“Quando utilizamos o celular conectado à tomada, estamos criando mais um ponto de possibilidade de . Isso vai variar de acordo com a qualidade da instalação elétrica do local onde se está, como da procedências dos carregadores utilizados”, explica ao Jornal Midiamax o engenheiro eletricista Rodolfo Acialdi Pinheiro, coordenador do Centro de Operações Integrado da Energisa.

Segundo ele, tempestades com raios aumentam riscos de descargas. Porém, as possibilidades de tragédias envolvendo aparelhos eletrônicos – não só celulares – ocorrem diariamente, o tempo inteiro. É onde entra a importância de seguir recomendações de segurança em situações cotidianas.

Recomendações

A principal orientação – e que é basicamente ignorada por quem tem celular – é nunca utilizar o aparelho enquanto a bateria estiver carregando. O hábito, que já é largamente incorporado na rotina dos usuários, aumenta os riscos de descargas elétricas com consequências fatais, e não só durante as tempestades.

“Se o local, seja residência, indústria ou estabelecimento comercial, não tiver uma boa instalação elétrica, esse risco de descarga já aumenta. E pode piorar caso o usuário esteja utilizando carregadores paralelos, sem certificação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), destaca Pinheiro.

Tragédia em MS: afinal, quais os riscos de usar celulares durante tempestades?
Muitos casos de superaquecimento e explosão de celular estão relacionados com carregadores sem certificação (Foto: Reprodução)

Deixar o celular carregando à noite e próximo ao corpo também aumenta a exposição aos riscos, principalmente se estiver próximo ao travesseiro.

“Considerando os fatores, há probabilidade maior de explosão, porque o aparelho vai naturalmente esquentar durante o carregamento, pois existem componentes das baterias que aquecem durante o ato. Os travesseiros, portanto, vão abafar a dissipação desse calor e se o telefone esquentar demais, pode explodir e causar uma tragédia”, detalha.

Outro fator muito importante é sempre utilizar carregadores certificados pelo INmetro, cujo selo garante a qualidade do equipamento. “Ninguém sabe qual a qualidade de um carregador falsificado, por isso devemos sempre procurar os certificados”, alerta Pinheiro.

Também é preciso ser criterioso no planejamento e na execução dos serviços elétricos, que oferecem sérios riscos à pessoas sem a habilitação necessária. “O projeto da instalação elétrica de um casa, se executado por um profissional qualificado, vai reduzir muito os riscos de descarga elétrica, explosões e incêndios. Não basta aterrar a residência, isso pode até aumentar o perigo se for mal executado”, explica o engenheiro.

O aterramento, para ser eficiente, precisa levar em consideração o tipo de solo, a capacidade de descarga elétrica, além do melhor local para instalação. “O que a gente vê é que as pessoas enterram uma haste elétrica e conectam a um fio de cobre, mas é muito mais complexo que isso”, afirma.

Assistência às vítimas

Em situações de descarga elétrica, a reação mais instintiva de quem presencia acidentes é tentar socorrer. É onde mora o erro, pois muitas vezes a vítima ainda está sofrendo a descarga e quem tenta ajudar também vai se acidentar.

“A primeira coisa a fazer é acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193, para que eles possam fazer esse socorro com segurança. Posteriormente, deve-se ligar para a concessionária de energia, para que os técnicos identifiquem se há alguma anomalia no sistema elétrico da região”, conclui.

raios

Veja também

Aumento foi apurado conforme inflação do mês de maio

Últimas notícias