Cotidiano

Aplicativo ameaça crianças e pais ficam preocupados em Campo Grande

Pais se mobilizaram em condomínio para coibir uso do app

Mariane Chianezi Publicado em 19/04/2018, às 20h04 - Atualizado em 23/04/2018, às 10h26

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Pais se mobilizaram em condomínio para coibir uso do app

Com interface amigável, o aplicativo número um em instalações na loja virtual dos aparelhos Android atualmente, o Playstore, o SimSimi tem tomado conta dos celulares de muitas pessoas mundo a fora. O fato é que o app, que usa inteligência artificial para conversar com os usuários, tem preocupado pais em Campo Grande.

Mesmo com classificação indicativa de 16 anos, muitos pais não tem controle e crianças acabam instalando o SimSimi. O que atrai os pequenos é o fato do app possuir uma interface amigável e simpática, com um personagem amarelo e nuvens como papel de parede nas conversas. Apesar dessas características, o personagem do SimSimi não é nada amoroso. Com respostas de teor sexual, ele até ‘aconselha’ os usuários a matarem os pais.

Foi com essa preocupação e objetivo de gerar alerta aos moradores do condomínio onde vive, que uma residente do Bairro Santa Luzia mobilizou pais através do WhatsApp para orientá-los sobre os supostos perigos do aplicativo.

Leitora do Jornal Midiamax contou que recebeu a mensagem e ficou curiosa sobre a existência da plataforma. No entanto, quando decidiu pesquisar na internet, se assustou com o inofensivo personagem amarelo.

“Eu não tive coragem de instalar o aplicativo. Quem baixou foi uma vizinha e ela mandou nos grupos do condomínio para os moradores que tem filhos. Ele [app] pede permissão para instalar e ele só tem opção de que o aplicativo acesse as mídias, contatos, por isso não instalei. Mas ela instalou, iniciou a conversa e depois mandou os prints para os outros moradores”, disse. Para ela, aplicativo ‘é do demônio’.

A moradora, que preferiu não se identificar, disse que a vizinha instalou aplicativo e em menos de 5 minutos de conversa, o personagem ‘manda’ matar os pais e até ensina como cometer o crime. Ainda segundo a leitora, autoridades deveriam intervir e retirar plataforma do ar.

“O mais curioso desse app é que ele tem acesso a câmera frontal do celular, ou seja, se você pergunta até sua cor da roupa eles acertam. Isso é invasão [de privacidade] deveria no mínimo ser caso de polícia, mas já que não é, tem que ser noticiado nos meios de comunicação”, finalizou.

Embora seja possível configurar o aplicativo para não receber mensagens impróprias e ainda navegar como usuário anônimo, especialistas sugerem que o ideal é não fazer o download do aplicativo, uma vez que não há controle e nem se sabe a procedência das mensagens.

Não é de hoje

Em dezembro de 2017, o Midiamax noticiou que no Paraná, pais e professores de uma escola estavam preocupados com a popularização do aplicativo.  A Escola Municipal Duílio Calderari, em Curitiba, chegou a fazer uma reunião com pais e professores para alertar sobre o uso do aplicativo. Espantados com o conteúdo das mensagens, alguns pais levaram o caso à Polícia Civil, no Núcleo de Combate aos Cibercrimes.

“Vistoriei o telefone celular da minha filha de 10 anos que adquiriu o aplicativo pra não ficar em desvantagem das coleguinhas de escola e constatei esse aplicativo instalado com um bate papo completamente erótico e de termos de ‘sexo explícito’”, reclamou o empresário Alessandro Reginaldo Ferreira, ao Portal Paraná.

Ele conta que o aplicativo perguntava coisas como onde sua filha morava, ea escola onde estudava, se tinha vigilantes, e falou também que já tinha visto a filha do empresário e que ela era “gostosinha”.

“Depois que me identifiquei como pai da criança ele começou a me chamar no masculino e não falava mais em pornografia”, conta. Jornais como o The Sun, na Inglaterra, e o Telemar no México, já haviam alertado para os perigos do aplicativo.

O SimSimi foi desenvolvido em 2002, por uma empresa coreana. Sua base de dados foi se expandindo com o tempo, e o aplicativo recebeu atualizações. É possível restringir o uso de “palavras ruins” nas configurações, mas o aplicativo é recomendado a maiores de 16 anos.

Jornal Midiamax