Cotidiano

Ambulantes aproveitam o Enem para lucrar e conseguir renda extra

*Com Mylena Rocha Em tempos de crise e com o desemprego em alta, eventos que reúnem um bom número de pessoas passam a ser vistos por vendedores ambulantes como uma oportunidade de aumentar o faturamento. É o caso do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) que, neste domingo (4), reúne candidatos em diversos pontos de […]

Richelieu Pereira Publicado em 04/11/2018, às 13h06 - Atualizado às 13h18

Eduardo Jorge começou a vender canetas por R$ 4, mas logo teve que reduzir o preço. (Foto: Minamar Junior)
Eduardo Jorge começou a vender canetas por R$ 4, mas logo teve que reduzir o preço. (Foto: Minamar Junior) - Eduardo Jorge começou a vender canetas por R$ 4, mas logo teve que reduzir o preço. (Foto: Minamar Junior)

*Com Mylena Rocha

Em tempos de crise e com o desemprego em alta, eventos que reúnem um bom número de pessoas passam a ser vistos por vendedores ambulantes como uma oportunidade de aumentar o faturamento. É o caso do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) que, neste domingo (4), reúne candidatos em diversos pontos de Campo Grande onde são realizadas provas.

Em geral, a maioria dos vendedores apostam em itens indispensáveis para os estudantes, como caneta, água, salgados e doces. Aos 63 anos, Doralino Moraes diz desde o primeiro Enem, em 1998, aproveita o ‘evento’ para reforçar o faturamento. No entanto, explica que a cada ano que passa o movimento foi ficando cada vez mais fraco, em frente à Uniderp.

Ambulantes aproveitam o Enem para lucrar e conseguir renda extra
Aos 63 anos, Doralino não perde um Enem para faturar a mais. (Foto: MJ)

“Nos primeiros anos de Enem, eu usava 30 kg de trigo para fazer o salgado. Hoje em dia, uso pouco mais do que cinco”, relata Doralino. Segundo ele, os salgados são os mais responsáveis pelo lucro no fim do dia, pois quem vai fazer a prova já está equipado como o necessário. “É gente que não teve tempo de almoçar”, pondera.

Com menos vivência do que Doralino e apenas uma mochila nas costas, o estudante Eduardo Jorge, 16 anos, aproveitou para vender canetas. Com uma placa anunciando “seu futuro por R$ 4”, o jovem teve que abaixar o preço do produto para R$ 2 devido à concorrência.

Eduardo vê o momento como uma oportunidade de “ganhar experiência” como comerciante e um “dinheiro extra”. “Estou vendendo muito bem”, comemora.

Acadêmicos de Medicina da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) também usufruem da ocasião para arrecada dinheiro para a formatura em 2023. A acadêmica Bruna Andrade, 19, ajudava a vender as 100 garrafas d’água, 50 canetas e 45 balas Halls bem em frente ao portão de entrada da Uniderp. Cada item custando R$ 2. Enquanto o restante dos ambulantes ficava do outro lado da avenida Ceará.

Nem todos que estavam com produtos tinham objetivos financeiros em mente. O diretor do Colégio Status, Lúcio Rodrigues Neto, 35, acompanhado de mais três estudantes, entregava gratuitamente doces, bolachas, água e caneta a alunos da instituição de ensino que estavam desprevenidos.

“Fazemos isso desde 2009. Algumas pessoas veem a gente e pergunta o preço, mas explicamos que é de graça para estudante das escolas. A maioria aproveita para pegar os doces, alguns também pegam canetas, quanto mais melhor”, relata Lúcio Rodrigues.

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é realizado neste domingo (4) e os portões fecharam às 12 horas em Mato Grosso do Sul. Mais de 30 mil candidatos devem fazer a prova só em Campo GrandeAs provas de redação e humanas têm início às 12h30 e seguem até as 18h.

Jornal Midiamax