Cotidiano

Acidente com três trabalhadores revela dificuldades na fiscalização em Campo Grande

Os três trabalhadores que caíram da laje de uma construção no bairro São Conrado, em Campo Grande, estão internados na Santa Casa e o estado de saúde deles não é grave. Atualmente, segundo o Ministério do Trabalho, existem apenas dois auditores responsáveis pela fiscalização de segurança no trabalho em indústrias e construções na Capital. O […]

Cleber Rabelo Publicado em 24/07/2018, às 16h26 - Atualizado às 16h49

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Os três trabalhadores que caíram da laje de uma construção no bairro São Conrado, em Campo Grande, estão internados na Santa Casa e o estado de saúde deles não é grave. Atualmente, segundo o Ministério do Trabalho, existem apenas dois auditores responsáveis pela fiscalização de segurança no trabalho em indústrias e construções na Capital.

O acidente aconteceu na segunda-feira (23), na rua General Alberto Carlos Mendonça. Eles caíram de uma altura de cerca de seis metros e ainda não se sabe, se eles usavam equipamentos de segurança.

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, os dois pacientes que chegaram em estado grave, passaram por procedimento cirúrgico e já estão na enfermaria.

Acidentes e fiscalização

A Seção de Inspeção do Ministério do Trabalho, registrou em 2017, 8.091 casos de acidentes em Mato Grosso do Sul. Só em Campo Grande foram registradas 3.105 ocorrências, sendo que 248, são de queda de local elevado.

De acordo com a portaria 593/2014, do Ministério do Trabalho e Emprego, considera-se trabalho em altura toda atividade executada acima de dois metros do nível inferior, onde haja risco de queda.

No primeiro trimestre deste ano, a Seção de inspeção já registrou 1.887 casos de acidentes de trabalho no MS, 753 ocorrências aconteceram em Campo Grande e 56, são casos de queda de local elevado. Segundo o órgão que fiscaliza a segurança do trabalho em indústrias e construções, esses números seriam menores caso houvesse mais investimento em procedimentos de segurança, treinamento e equipamentos, por parte das empresas.

De acordo com o Chefe da Seção de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Maurício Martinez, em obras pequenas, como a do Bairro São Conrado, a questão da segurança preocupa mais do que em grandes construções, pois elas têm praticamente os mesmos riscos de altura e parte elétrica e menos preocupação com segurança.

Existe também o problema da fiscalização dessas obras. Em Campo Grande há apenas dois auditores fiscais do trabalho e 35 atendendo o Mato Grosso do Sul. Número expressivamente menor do que na década de 90, quando haviam mais de 60 auditores no estado e menos empresas para fiscalizar.  Ainda de acordo com o Chefe da Seção de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho de MS, o estado não recebe novos auditores desde 2014.

Nós tentamos contato com os trabalhadores que se envolveram no acidente no bairro São Conrado, para saber se a empresa que os contratou, forneceu equipamentos de segurança, mas eles não quiseram divulgar nenhuma informação. A assessoria de imprensa do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, informou que há previsão de novos concursos para auditores fiscais do trabalho.

Jornal Midiamax