Cotidiano

Quem depende da rede pública vive drama durante greve dos médicos

Postos continuam lotados 

Midiamax Publicado em 27/06/2017, às 13h08

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Postos continuam lotados 

Quem depende da rede pública vive drama durante greve dos médicos 

Se em dias comuns a rede pública de saúde é repleta de problemas – e reclamações, quando os médicos entram em greve a situação fica ainda pior. Drama para quem só tem os postos de saúde como opção, pessoas em busca de atendimento enfrentam tempo de espera entre 4 e 6 horas para passar pelo consultório. 

No 2º dia de paralisação, as unidades da Capital apresentam intensa lentidão, e a dificuldade em receber atendimento compreende até os pacientes considerados de urgência. Para dar continuidade a ‘operação tartaruga’, os médicos chamam entre 3 a 4 pacientes por hora, uma forma de pressionar a prefeitura a conceder aumento de salário.

O resultado do impasse pode ser visto nas cadeiras e bancos de espera, onde pacientes se contorcem de dor, mas continuam aguardando mesmo sabendo que poderão passar parte do dia em função do atendimento. É a sensação de humilhação de quem depende do SUS (Sistema Único de Saúde). “Não tenho o que fazer e tenho que ficar”, disse o pedreiro Manoel Joaquim Neto, 58 anos, que procurou a UPA do Coronel Antonino em busca de um diagnóstico. 

Na recepção da unidade pelo menos 50 pessoas aguardavam a vez, muitos sem condições de desembolsar R$ 300 para uma consulta particular. Mãe de uma criança de 1 ano, a recepcionista Valdineia Gomes, 30 anos, levou a filha que estava com febre e se deparou com o aviso a longa espera. O caso foi considerado de urgência, mas funcionários trataram de avisar que não tinha previsão. Com a pequena no colo, o que resta é esperar. “Quando trouxe nem lembrei que estava em greve, mas também não tem o que fazer, precisa de atendimento”.

Na UPA da Vila Almeida, a mais nova da cidade, o fluxo de pessoas não reduziu em virtude da greve, uma prova que apesar da estratégia dos médicos em reduzir as consultas, quem precisa continua procurando pelos serviços. “Estão chamando, são poucos que conseguem entrar. Eles ficam lá dentro se revezando”, detalhou uma funcionária. 

Os ambulatórios foram os principais afetados pela paralisação, e quem precisa de atendimento especializado terá que esperar até o dia 10 de julho, portanto, o paciente vai precisar esperar 14 dias por uma vaga. Na atenção básica, somente aqueles que precisam renovar a receita de remédios são recebidos.   

Briga por reajuste 

A paralisação é em resposta a proposta do prefeito Marquinhos Trad (PSD) de reajuste salarial, que ofertou 6% de correção nos plantões e 30% em uma das gratificações. Os médicos reivindicam da Prefeitura de Campo Grande um reajuste de 27% para o salário base de R$ 2,5 mil, no entanto, 92% dos contratados pelo município chegam a ganhar R$ 22 mil por mês. 

A decisão da greve foi mantida mesmo depois da Justiça atender ao pedido da prefeitura e determinar a suspensão do ato, sob pena de multa de R$ 10 mil ao dia ao presidente do Sinmed em caso de descumprimento, mediante bloqueio de contas bancárias e de bens que estiverem em seu nome, com busca e apreensão de automóveis.

Jornal Midiamax