Cotidiano

Protesto homenageia Mayara Amaral e é ‘grito’ contra violência sofrida por mulheres

Evento aconteceu na tarde desta sexta-feira (4)

Daiane Libero Publicado em 04/08/2017, às 21h42

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Evento aconteceu na tarde desta sexta-feira (4)

Mayara Amaral, a violonista de 27 anos que foi assassinada em Campo Grande no dia 25 de julho, entrou para as estatísticas de mulheres mortas em Mato Grosso do Sul em 2017. O principal acusado do fato, Luís Alberto Bastos de Barbosa, de 29 anos, permanece preso. Nesta sexta-feira (4), um ato de protesto contra a violência infligida às mulheres, com uma homenagem para a musicista, foi realizado por volta das 16 horas, na Praça Ary Coelho.

Cerca de 100 pessoas passaram por lá, entre os organizadores do ato, familiares e amigos de Mayara, pessoas de grupos ligados à ideologia feminista e também pessoas buscando entender a importância de uma luta contra essa violência. Segundo Bianca Rosalino de Resende, de 23 anos, o ato continua ainda hoje na Orla Morena, com o evento “Islam Camélias”, para onde as manifestantes se dirigiram. 

Protesto homenageia Mayara Amaral e é 'grito' contra violência sofrida por mulheres

Em Mato Grosso do Sul dispararam em 2016, comparado com o ano anterior, os casos de feminicídio. Enquanto em 2015 foram 16 casos, em 2016 esse número saltou para 34, um aumento percentual de 112,5%. Os dados são da Sejusp (Secretaria estadual de justiça e segurança pública) e mostram que as tentativas de feminicídio também aumentaram: 59 em 2016, contra 24 tentativas em 2015, 145% a mais.

Para a fotógrafa e militante Carlota Philippsen, é preciso sair um pouco da internet e debater esses assuntos fora da tela. Por isso, ela possui um grupo de meninas que se apoiam, discutem violência de gênero e estudam formas de redução da violência, de relacionamentos abusivos e agressões. “Eu vejo o caso da Mayara como feminicídio. Precisamos dar apoio as mulheres, mesmo que seja de uma forma relacionada à organização civil, sem ligações políticas”, acredita. 

Polícia trabalha com hipótese de latrocínio

O crime aconteceu na madrugada de terça-feira (25) e o corpo da jovem só foi encontrado á no fim do dia, parcialmente carbonizado em uma estrada de acesso a cachoeira do Inferninho. 

Na quarta-feira, três homens foram presos pelo crime: Luís Alberto, Ronaldo da Silva Olmedo, conhecido por “Cachorrão” de 30 anos e Anderson Sanches, 31 anos. O trio foi preso depois que uma amiga de Mayara mostrou um aplicativo com os últimos passos da vítima a policiais do GOI (Grupo de Operações e Investigações), que os levaram ao primeiro suspeito.

Os dois pegaram os pertences da vítima e levaram o corpo para a casa do Anderson Sanches. No local dividiram os objetos e após cerca de oito horas com o cadáver, decidiram levar corpo para a estrada da cachoeira do Inferninho, onde atearam fogo no corpo e arreadores para tentar apagar as pistas.

Protesto homenageia Mayara Amaral e é 'grito' contra violência sofrida por mulheresA polícia tem trabalhado com a hipótese de latrocínio, roubo seguido de morte, já que além de levar o carro da vítima, pertences pessoais e até uma possível poupança foram subtraídos. 

Apesar de acreditar na versão do latrocínio, a família da jovem ressalta a necessidade de que a violência contra a mulher seja assunto discutido pela sociedade. “Esse ato é um grito para não se calar perante fatos muito bárbaros, a sociedade está muito acomodada e com medo. Mayara era uma menina que trabalhava o dia todo, estudava e estava fazendo uma poupança. Só quero minha filha de volta. Se a mulher é dona de casa e morre, as pessoas condenam, se é estudiosa e trabalhadora as pessoas condenam também”, desabafou a mãe da vítima Ilda Cardoso, durante o ato. 

Jornal Midiamax