No sábado de Aleluia, só um Judas sem surra descansa em árvore da Capital

Nem a crise política manteve tradição de malhar o boneco
| 15/04/2017
- 18:54
No sábado de Aleluia, só um Judas sem surra descansa em árvore da Capital

Nem a crise política manteve tradição de malhar o boneco

Teve gente no Jardim Carioca que tomou um susto na manhã deste sábado (15). Quando os moradores saíram de casa logo cedo, olharam para um dos pés de manga e viram alguém de blusa listrada, calça azul e capuz vermelho amarrado à árvore. Quem chegou perto ficou mais tranquilo. Não era uma pessoa: era um só boneco. Mesmo assim, demoraram uns minutinhos para entender o que aquela criatura fazia ali: Ah, Sábado de Aleluia, o dia de malhar o Judas.

O Jornal Midiamax percorreu vários bairros da Cidade Morena em busca da tradicional figura da . O que deu para notar, é que a tradição está esquecida por aqui. Os mais antigos até lembram de que quando eram crianças e ouviam falar da malhação, mas, faz muito tempo que ninguém ‘dá uma paulada’, no boneco que representa o discípulo Judas Escariotes.

Se na Capital a tradição está se perdendo no tempo, dizem que lá para os lados de Corumbá, a 444 quilômetros de Campo Grande, ainda se mantém. Quem garante é o soldador Dolor Soares, 56 anos, morador do Bairro Tiradentes, onde o Judas teve a sorte de não ser malhado neste Sábado de Aleluia. “Em Corumbá é tradição. Moro aqui [em Campo Grande] há 30 anos e nunca vi malhar o Judas”, diz.

No Jardim Carioca, onde o boneco ainda está amarrado à mangueira, dizem que também foi uma família corumbaense que providenciou o Judas, que tem a cara de uma boneca. Eles não ficaram no local e os moradores dizem que não tem hora para a malhação começar.

A tradição de malhar o Judas, hoje em dia, até preocupa as pessoas, se não seria um ato de violência. “Eu vi o boneco ali. Mas, com om essas leis que tem hoje, se der uma cacetada num boneco desse, vão dizer que está incitando a violência e pode ser criminalizado por isso”, alerta um ressabiado morador que preferiu não se identificar.

Na vizinha do Jardim Carioca, a Nova Campo Grande, também não teve Judas nesse Sábado de Aleluia. O aeroviário Antônio Amaro diz que a brincadeira ficou só na memória. “Quando era criança, ainda brinquei algumas vezes, mas, depois de uns dez anos de idades, nunca mais vi. Os pais não passam mais para os filhos essa tradição. Hoje são só os jogos eletrônicos”.

Para confirmar a teoria de Amaro, Douglas e Flávio, de 17 e 13 anos, são convocados para falar se já viram ou participaram da malhação de Judas. A resposta dos dois rapazes deve ser a da maioria das crianças e adolescentes de hoje em dia: “nunca ouvi falar”. 

A tradição religiosa foi introduzida na América Latina pelos portugueses e espanhóis no século XVI, e também é conhecida por enforcamento ou queimação. O ato representa o julgamento popular contra Judas, um dos discípulos de Jesus que teria o traído, segundo a Bíblia. Os relatos contam que Judas indicou Jesus para ser crucificado com um beijo no rosto. Pela traição, o apóstolo recebeu 30 moedas de ouro.

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