Cotidiano

Na Capital, ‘Só por Deus’ é nome de favela e lamento de quem não tem onde morar

 A favela abraça um campo de futebol

Midiamax Publicado em 04/07/2017, às 11h28

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 A favela abraça um campo de futebol

Onde existia apenas um campo de futebol do bairro Centro-Oeste, agora abriga em torno de 300 pessoas, que apelidaram o lugar como ‘Só por Deus’ – uma mostra da vida de quem mora em barracos improvisados, em busca da casa própria. A área pertence à Prefeitura de Campo Grande e há um ano passou a abrigar 64 famílias.   

A origem do nome é desconhecida, só sabem que o apelido pegou, mas as condições precárias de sobrevivência indicam o porquê e não precisa de muita explicação. São barracos construídos a base de restos, não há esgoto, água encanada e nem energia elétrica embutida. É a vida no improviso. 

O terreno é grande, capaz de abrigar as centenas de pessoas e ainda sobrou espaço para a permanência do futebol dos moradores. O futebol é o esporte por excelência para o rapaz pobre que mora na favela, e nos finais se semana a poeira do chão sobe – são os times da vizinhança-, disse uma moradora.

A jovem preferiu não ser identificada, mas contou que mora com o marido, a filha e a irmã em uma casa de dois cômodos, construído com restos de construção e lona. O barraco foi opção para sair do aluguel no bairro Aero Rancho, onde morava até o ano passado. “Fiquei sabendo que iam invadir aqui e vim com a família. Estava desempregada, então foi a hora certa”.

A alguns metros está o condomínio onde mora os ‘exs’ Cidade de Deus, comunidade desmanchada pela prefeitura em 2016, por determinação da Justiça. Apesar do exemplo, os moradores dizem não ter medo e que vão continuar no local até que sejam despejados. “Sempre cortam a nossa luz, mas a gente não desiste. O mais importante nós temos, é a água da bomba, então o que nos resta é viver aqui”, resumiu.  

Faltam moradias

A Capital de Mato Grosso do Sul tem 42 mil sem-teto, quantidade que corresponde a 5% da população campo-grandense, uma tese para o número crescente de invasões em no último ano. Em quase todos os casos, a alegação é mesma, são terrenos abandonados e quando utilizados eram por usuários de drogas ou outras ações ilícitas.

Para resolver o problema atual da falta de moradia popular em Campo Grande, a Capital precisaria entregar 115 casas por dia em 12 meses. Levando em consideração a ausência de projetos habitacionais na Capital; o último foi inaugurado em 2015, a conta está longe para ser fechada.

Em janeiro, a prefeitura chegou a formar uma força-tarefa para barrar a criação de novas favelas na Capital, mas estima-se que existam pelos menos 15 espalhadas por todas as regiões da cidade. Em casos de invasão áreas públicas, a prefeitura avisou que esses lugares serão fiscalizados e se confirmada a irregularidade, serão notificados e podem ser denunciados pela Procuradoria Jurídica do Município para serem adotadas as medidas judiciais cabíveis de reintegração de posse.

Apesar do número alto de famílias em busca da casa própria, a construção de novas unidades populares de habitação na Capital está paralisada desde 2014, quando o último projeto saiu do papel, e entregue neste ano. O condomínio Residencial Rui Pimentel I e II, praticamente concluído, continua sem moradores. Construído com recursos obtidos pelo programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ ao custo de R$ 13,8 milhões, o empreendimento não tem data para abrigar famílias e as promessas de inauguração já se arrasta há anos. 

A Agência Municipal de Habitação (EMHA) informa que está prevista a construção de 1004 novas unidades habitacionais via Programa Minha Casa Minha Vida – Entidades (com recursos do FDS – Fundo de Desenvolvimento Social). Além disso, há a possibilidade de contratação de mais 1500 unidades habitacionais junto ao Ministério das Cidades (com recursos do FAR – Fundo de Arrendamento Residencial).  

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