Cotidiano

Mais demorado do que já é: com greve, pacientes recebem aviso nas UPAs

Médicos cruzaram os braços por reajuste salarial

Jessica Benitez Publicado em 26/06/2017, às 14h54

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Médicos cruzaram os braços por reajuste salarial

As primeiras horas da greve dos médicos na rede municipal de saúde foram marcadas por mais lentidão no atendimento do que o ‘normal’. O paciente não precisou esperar para constatar a demora, segundo relatos dados à equipe do Jornal Midiamax, que passou pelas unidades de Campo Grande, a própria triagem avisa que talvez a espera seja ainda maior do que se costuma ver.

Foi assim na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida, uma das únicas com atendimento pediátrico em toda cidade no período da manhã. A cabeleireira Ana Cristina, 34 anos, levou a filha de 4 anos para ser consultada. Segundo ela, a menina apresenta todos os sintomas de infecção urinária e está desde às 8h na fila de espera.

“A triagem foi rápida, mas não tem previsão de atendimento”, diz. Isso porque embora haja seis pediatras na unidade, segundo escala médica disponível no site da Prefeitura, apenas um está em atividade. Os profissionais fazem espécie de rodízio, cada um atende por vez, porém não simultaneamente.

A dona de casa Silvia Gleice está na mesma situação. Sua filha tem dois anos e amanheceu com vômito, dor de garganta e febre. Elas moram na região da saída para São Paulo e tiveram que se deslocar à Vila Almeida porque somente lá e na UPA Coronel Antonino há pediatras. Na triagem foi informada que teria que esperar e corre o risco de não ter atendimento.

“Me disseram que os pediatras vão atender só até às 13h. E aí todas as crianças que estão passando mal vão para onde? Para o cemitério? Isso aqui é uma vergonha. Trouxe minha filha passando mal e posso voltar pra casa com ela do mesmo jeito que chegou aqui”, desabafou.Mais demorado do que já é: com greve, pacientes recebem aviso nas UPAs

A situação não é diferente para pacientes adultos. Amanda Nantes, 34 anos, é operadora de caixa e foi à Upa acompanhar a mãe de 55 anos. Elas chegaram às 7h30 e até às 11h15, quando a reportagem deixou o local, ainda aguardavam atendimento.

“Minha mãe ainda está passando mal e até vomitou aqui. Está com febre e dor de garganta. Quando chegamos fomos informadas da greve e já percebo a falta de interesse ali mesmo porque deixaram a entender poderíamos desistir, mas essa não é uma opção para alguém passando mal”, contou.

Quem passa pela recepção da Upa Vila Almeida não vai se deparar com lotação. A triagem está sendo feita de forma rápida, mas na parte interna da unidade, lugar onde os pacientes aguardam chamada do médico, há mais de 30 adultos e 10 pais com filhos que precisam ser atendidos. A greve foi deflagrada porque não houve acordo de reajuste salarial com a Prefeitura.

Jornal Midiamax