Cotidiano

Formado há 3 décadas, um bairro inteiro enfrenta ameaça de despejo na Capital

Bairro faz parte da Fazenda Invernada Porã

Midiamax Publicado em 30/01/2017, às 19h43

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Bairro faz parte da Fazenda Invernada Porã

Cerca de 200 famílias moradoras do Bairro Novo Indubrasil, em Campo Grande, enfrentam a reivindicação do local ocupado há 30 anos. Os requerentes fazem parte de uma mesma família e alegam que a invasão foi incentivada, desde 1992. O bairro está localizado na extensão da Rua Noroeste, paralela a Rua Roda Velha. As duas vias são divididas pelos trilhos ferroviários.

Boa parte dos moradores é nascida no bairro. O aposentado Manoel Martins Afonso, de 87 anos, por exemplo, chegou há exatamente três décadas e a filha caçula, Jardélia Afonso, de 27 anos, foi criada na vila. As famílias cresceram, o bairro expandiu e hoje abriga cerca de cinco mil pessoas.

Elizeu da Silva Pinto, de 33 anos, é genro do pioneiro Manoel. Ele disse à reportagem, que em outubro de 2016 um oficial de Justiça entregou um documento que notificava as famílias para a desocupação da área em 90 dias. O prazo encerrou em dezembro e nesta quinta-feira (26) de janeiro, pessoas "estranhas" e que não se identificaram estiveram no local acompanhados de policiais, para medir a área com o auxílio de um drone, informou o morador.

O advogado que representa a Associação de Moradores Bairro Novo Indubrasil, Antonino Moura Borges, ingressou com duas ações de usucapião coletivo. Ele ressaltou que a visita dos supostos donos, acompanhados de policiais, foi inválida. 

“Eu requeri ações de usucapião em nome da associação de moradores e o que os proprietários estão tentando de tirar da cova é uma ação velha. O que ocorre é que eles foram até o bairro sem nenhuma ordem jurídica”, disse.

O bairro faz parte da Fazenda Invernada Porã, na ação os donos da propriedade citam que um morador, identificado como José Faustino, teria iniciado e incentivado a invasão clandestina do local, em 1992.

A Associação se manifestou contra a reivindicação e afirmou que as terras demandadas pela Associação nada tem a ver com as terras de José Faustino, tendo em vista, que boa parte da população do local mora no bairro há 30 anos.

Preocupada com a ação "surpresa", desta quinta-feira, a presidente do bairro Florência Cristaldo reuniu os moradores nesta sexta-feira (27), que decidiram se juntar e buscar uma posição da Prefeitura Municipal de Campo Grande.

A Prefeitura orientou os moradores a chamarem a Polícia Militar, em caso de novas intimações. "Apesar das ações que correm na Justiça, nos preocupamos com movimentações aqi no bairro. Será muito difícil regular nossa situação, mas a Prefeitura nos orientou a acionar a Polícia", disse.

O Jornal Midiamax tentou contato com os advogados que defendem os supostos proprietários, mas nenhum deles atendeu as ligações.

Matéria editada às 9h16 da terça-feira (31), para correção de informação. Diferente do que havia sido informado pelo Jornal Midiamax, a fazenda foi vendida e no processo já consta os nomes dos atuais proprietários.

Jornal Midiamax