Cotidiano

Falta família na escola e até em casa, dizem especialistas em audiência sobre bullying

Estudantes precisam ser protagonistas

Tatiana Marin Publicado em 09/05/2017, às 20h56

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Estudantes precisam ser protagonistas

Colocar os estudantes e suas famílias no centro da questão seria uma das formas de combater o bullying nas escolas, local onde a juventude passa grande parte do tempo e constrói vínculos sociais. A família foi reafirmada como a principal responsável em instruir os estudantes e coibi-los nesta prática. Estes foram alguns dos pontos do debate realizado em audiência pública na Câmara de Vereadores de Campo Grande na tarde desta terça-feira. 

Uma das sugestões apresentadas propõe que os próprios jovens atuem como líderes. “Vamos instituir os grêmios estudantis nas 94 escolas do município. Já estamos em fase de consolidação nas 12 grandes escolas do município. Por meio deles, poderemos instruir os jovens líderes desses movimentos. Eles mesmos poderão promover campanhas de combate e prevenção ao bullying. Vamos ter quase 700 jovens liderando o movimento estudantil”, disse Maicon Nogueira, subsecretário de Políticas para a Juventude de Campo Grande.

De acordo com Tiago Freitas, subsecretário de Juventude de Mato Grosso do Sul, o projeto já existe em âmbito estadual. “Nós já estamos com 60 grêmios estudantis em Campo Grande. Nossa previsão, para o mês que vem, é um grande encontro. Dentro deles, discutir a violência dentro da escola. Vemos pessoas até mesmo perdendo a vida por causa do bullying”, alertou.

Reafirmando que a família é a principal fonte de instrução para crianças e jovens, o presidente da Comissão Permanente de Educação e Desporto da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Valdir Gomes, disse que o educador não pode ser responsabilizado. “É algo que acontece longe dos olhos. Cabe à família cuidar. Temos que tomar medidas para ver com quem as crianças estão conversando. A Comissão Permanente dessa Casa vai começar visitar as escolas. Não para policiar, mas para poder, também, conhecer a situação de cada escola”, afirma.

‘No meu tempo …’

Em conversas e postagens nas mídias sociais, muitos adultos adultos declaram que as brincadeiras de que eram alvo na infância não interferiram em suas vidas. Sobre isso a defensora pública Débora Maria de Souza Paulino, que atua junto à 4ª Defensoria Pública da Infância e Juventude afirmou que o resultado da ação é que define se existe bullying.

“O grande diferencial, e o que nos preocupa com relação ao bullying, é o resultado dele. Se um dia fomos vítima ou algozes, o que diferencia o resultado é justamente o sentimento que isso envolve. Brincadeiras sadias são aquelas em que todos se divertem. A brincadeira, quando todos se divertem, como apelidos, não é bullying. Ele começa a existir a partir do momento que causa algum dano psicológico àquela criança”, avalia a defensora.

Depressão e suicídio

Durante a audiência Rafael Rodrigues, Coordenador de Ações e Projetos da Subsecretaria de Juventude do Estado de Mato Grosso do Sul, citou dados alarmantes divulgados pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Segundo ele, somente de janeiro a março deste ano, foram registradas 220 tentativas de suicídio, sendo que 123 delas foram protagonizadas por jovens. Ele ressalta que a prática do bullying leva à depressão e tentativas de suicídio. 

O coordenador também defendeu a atuação das famílias junto ao problema e a inserção de profissionais psicossociais nas escolas públicas para auxiliar estes jovens. “Precisamos conscientizar o aluno de que ele não pode cometer violência travestida de brincadeira. Incentivar educador a fiscalizar e tentar coibir estes atos. Mas não resolve, porque esquecemos de inserir a família. Será que as famílias estão preparadas para coibir seus filhos como um violentador ou sofredor? Além disso precisamos inserir profissionais psicossociais nas escolas públicas, que podem auxiliar estes jovens”, ressalta.

Jornal Midiamax