Cotidiano

Bombeiros investigam denúncia de racismo e assédio em curso de sargento

Militar diz que até hora de ir ao banheiro era vigiada

Midiamax Publicado em 02/06/2017, às 17h48

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Militar diz que até hora de ir ao banheiro era vigiada

O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul abriu investigação para apurar denúncia de racismo, humilhação, falta de materiais e irregularidade na carga horária no curso de formação de sargentos da corporação. O curso teve início em fevereiro para 66 alunos. Além dos episódios supostamente racistas e do assédio, os denunciantes, segundo as informações repassadas do Jornal Midiamax,  afirmam que estão ociosos, por falta de planejamento da organização.

Segundo a denúncia, seriam 19 semanas com carga horária de 870 horas. A princípio, as aulas ministradas iam das 07h às 22h, porém, sem contagem de carga horária. Logo vieram as matérias práticas – em áreas externas -, para as quais os alunos teriam sido obrigados a deslocar-se por meios próprios, juntamente com os materiais da ABM (Academia de Bombeiros Militar). 

Alguns materiais utilizados, inclusive, estariam emprestados para outros quarteis. Por essa razão, há três semanas a carga horária de aula foi reduzida pela metade. Dessa forma, 66 militares permanecem sem aula e o fim do curso foi prorrogado para o mês de agosto ou setembro.

Racismo e humilhação

Ainda conforme a denúncia, os formandos foram expostos ao sol, enquanto eram chamados de “lixo”, por diversos instrutores e pelo Comandante da Academia. Em sala de aula, militares enfrentaram comentários pejorativos e racistas, do tipo: “vou formar uma guarnição só de negro e colocar um branco para tomar conta da pretada”. A frase teria sido seguida de nomes dos possíveis componentes, que fariam parte da tal guarnição: todos negros.

No mesmo dia, durante formação no sol, um militar com diarreia pediu para ir ao banheiro  e foi obrigado a deixar as fezes no vaso para conferência do Comandante da Academia. A compra de uniformes de sargentos por cerca de R$ 750 também teria sido um dilema. Os militares, até mesmo os do interior que não possuem auxílio, teriam sido obrigados a adquirir a vestimenta.

Bombeiros  investigam denúncia de racismo e assédio em curso de sargento

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Quanto ao deslocamento de alunos para os locais de instruções declarou que são disponibilizadas viaturas apropriadas (van, ônibus e caminhonete). O deslocamento dos alunos com meios próprios, segundo a assessoria, dá-se quando solicitado por determinados grupos e atendendo às demandas de conveniência dos mesmos.

O término do curso, segundo posicionamento, está previsto para 4 de agosto de 2017 e sobre a falta de materiais destaca que os investimentos do Governo de Estado têm impactado a unidade de formação militar, porém, que o comando possui projeto de reestruturação ampla de sua reserva de materiais e não há como afirmar que não existem equipamentos e materiais para instrução.

A compra de uniformes, não foi imposição do Comando, tendo em vista, previsão em Lei em que os mesmos receberão auxilio fardamento ao término de curso.  Porém, para realização da formatura de conclusão do curso, estes deverão se apresentar devidamente uniformizados.

O Comando da Corporação determinou abertura de processo administrativo para apurar as denúncias de humilhação, agressão verbal pejorativa e racista os fatos. Não foi esclarecido como as denúncias chegaram à corporação. Segundo a assessoria de imprensa, “qualquer dado mínimo que indique veracidade do local ou acontecimento é responsável pela abertura de um processo administrativo”, sem depender do número de denúncias.

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